Pecuarista alerta: hábito comum no campo pode levar a infecção grave e até risco de morte; vídeo

Conhecida como “doença do capim”, a paracoccidioidomicose está ligada ao contato com solo contaminado e pode atingir pulmões, boca e outros órgãos — com evolução silenciosa e perigosa

O alerta vem direto da rotina do campo: um hábito aparentemente inofensivo — colocar capim, gravetos ou folhas na boca para “palitar” os dentes — pode expor o trabalhador rural a uma doença grave, silenciosa e potencialmente fatal. Trata-se da paracoccidioidomicose (PCM), uma infecção fúngica endêmica na América Latina, especialmente no Brasil, que afeta principalmente quem vive ou trabalha em áreas rurais.

Apesar de pouco conhecida fora do meio técnico, a doença já é considerada uma das principais micoses sistêmicas do país, com impacto direto sobre a saúde de trabalhadores do agro. E o mais preocupante: os sintomas podem levar anos para aparecer, dificultando o diagnóstico precoce e aumentando os riscos.

O que é a “doença do capim” e como ela se desenvolve

A paracoccidioidomicose é causada por fungos do gênero Paracoccidioides, encontrados naturalmente no solo. A infecção ocorre, principalmente, pela inalação de esporos presentes na poeira ou no contato com a terra contaminada.

Por isso, atividades comuns no campo — como preparo do solo, manejo de pastagens ou transporte de vegetais — estão diretamente associadas ao risco de exposição.

No entanto, especialistas também alertam para práticas culturais no meio rural, como:

  • mascar capim
  • colocar palha ou gravetos na boca
  • usar folhas para higiene bucal improvisada

Esses hábitos podem facilitar a entrada do fungo pelas mucosas da boca ou pela respiração, ampliando o risco de infecção.

Quem está mais exposto ao risco

A doença tem um perfil bastante definido:

  • Predominância em trabalhadores rurais
  • Maior incidência em homens entre 30 e 60 anos
  • Histórico de contato frequente com solo ou poeira

Estudos indicam que cerca de 90% dos casos ocorrem em trabalhadores do campo, reforçando a ligação direta com a atividade agropecuária.

Sintomas podem surgir anos depois

Um dos principais perigos da paracoccidioidomicose é sua evolução silenciosa. Muitas pessoas entram em contato com o fungo e não apresentam sintomas imediatos. Quando a doença se manifesta, pode ser tarde.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • Tosse persistente e falta de ar
  • Febre e perda de peso
  • Feridas na boca, gengiva e lábios
  • Dificuldade para mastigar e engolir
  • Inchaço de linfonodos

Em casos mais graves, a doença pode atingir outros órgãos, como fígado, baço e até o sistema nervoso.

Além disso, mesmo após o tratamento, o paciente pode ficar com sequelas pulmonares permanentes, reduzindo a capacidade respiratória.

Por que o hábito de colocar capim na boca é perigoso

Embora a principal via de infecção seja respiratória, o contato direto com materiais contaminados levados à boca representa um risco adicional.

Isso porque:

  • O fungo pode estar presente em partículas de solo aderidas ao capim
  • A mucosa oral é uma porta de entrada sensível
  • Pequenas lesões na boca facilitam a infecção

Na prática, o que parece um gesto simples no dia a dia rural pode aumentar significativamente a exposição ao agente infeccioso, especialmente em regiões endêmicas.

“Doença do capim”: Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito por exames laboratoriais que identificam o fungo em tecidos ou secreções. O tratamento, por sua vez, é longo e exige disciplina.

Geralmente envolve o uso de antifúngicos como:

  • Itraconazol
  • Sulfametoxazol + trimetoprim
  • Em casos graves, medicamentos intravenosos

O tratamento pode durar meses ou até anos, dependendo da gravidade.

Alerta no campo: prevenção é essencial

Diante dos riscos, especialistas reforçam medidas simples que podem evitar a doença:

  • Evitar colocar capim, folhas ou gravetos na boca
  • Utilizar equipamentos de proteção ao lidar com solo
  • Reduzir exposição à poeira em áreas rurais
  • Buscar atendimento médico ao surgirem sintomas respiratórios ou lesões na boca

Mais do que um hábito, uma questão de saúde pública

A paracoccidioidomicose continua sendo uma doença negligenciada, mesmo com sua forte ligação ao agronegócio. O alerta dos pecuaristas ganha peso justamente por vir da prática diária: pequenos hábitos podem ter grandes consequências.

Em um setor onde produtividade e saúde caminham juntas, informação e prevenção são as principais ferramentas para evitar perdas humanas silenciosas no campo.

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