Um dos pontos cruciais do avanço da pecuária é o melhoramento genético, tecnologia que vem sendo utilizada através da inseminação, principalmente. Mas, pesquisador alerta: “temos touros muito ruins no País, inclusive em centrais”.
O Brasil conta com um rebanho bovino de 224,6 milhões de cabeças – maior rebanho comercial do mundo – dados são referentes a 2021 e fazem parte da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entretanto, no rebanho de reprodutores bovinos no País, há muitos touros ruins, inclusive em touros de centrais de inseminação artificial. O alerta vem de uma das maiores autoridades em genética e melhoramento de gado de corte no País, o alerta foi do médico veterinário José Bento Ferraz, em entrevista ao Giro do Boi.
O mercado nacional de touros é grande, mas infelizmente com poucos touros realmente provados. Segundo Ferraz, o pecuarista brasileiro ainda convive com uma “lacuna” imensa na oferta de touros avaliados e provados, até mesmo em centrais de melhoramento. “A grande maioria dos touros vendidos, cerca de 85%, não são avaliados. Isso porque, efetivamente, apenas 15% dos reprodutores à venda possuem avaliação genética”, diz Ferraz.
Independente da escolha do sistema, monta natural ou inseminação artificial, o touro precisa estar presente de forma direta ou indiretamente. Entretanto, muitos pecuaristas ainda não entendem a importância e o peso da utilização de um touro avaliado no rebanho. O grande porém para a pecuária nacional é que ainda continuamos na dependência de uma melhor seleção de touros para seguir evoluindo na genética, principalmente, na raça Nelore, que é a responsável por 80% do gado brasileiro.
Entretanto, a teoria está bem distante da prática quando o assunto é Touro Avaliado no Brasil. Em tese, o sêmen utilizado pelos criadores, nos processos de inseminação, são de touros geneticamente superiores. No entanto, não é bem assim, na prática, como alertou Ferraz. Ele ainda completa ao dizer que há os touros de repasse, que por vezes, possuem qualidade desconhecida ou mesmo inferior.
Isso faz com que o pecuarista passe a ter dois rebanhos distintos em sua propriedade, com níveis de produtividade muito diferentes e, diante disso, todo o planejamento estratégico da propriedade acaba sendo penalizado já que animais mais tardios vão gerar mais despesas e, consequentemente, esse animal terá menor valor de venda.
Ferraz afirmou que o empresário da pecuária precisa investir mais nas tecnologias para aprimorar o resultado de eficiência reprodutiva.
“Então basta utilizar um touro avaliado para o sucesso do meu rebanho?”. Não! Diversos fatores devem ser avaliados e levados em consideração antes da decisão da escolha correta do touro para a sua fazenda. “Os critérios devem ser avaliados de forma integrada, considerando-se as necessidades e objetivos do sistema de produção, visando a obtenção de animais produtivos e saudáveis”, apontou o especialista.

Critérios da escolha de um touro para a fazenda
Ao escolher um reprodutor para a sua fazenda, existem vários fatores importantes a serem considerados. A escolha do touro correto pode ter um grande impacto na qualidade e na produtividade do seu rebanho, e é uma decisão que deve ser tomada com cuidado. Aqui estão alguns critérios que você deve levar em conta:
Genética : A genética é um dos fatores mais importantes a serem considerados na escolha de um touro. Procure um animal que tenha uma forte linhagem de qualidade. Isto significa que os pais e avós do touro devem ter características que são desejáveis para o seu rebanho, como alta produção de carne ou leite, bom temperamento, resistência a doenças, entre outros.
Saúde : É essencial que o touro seja saudável e livre de doenças. Isto pode ser avaliado através de exames veterinários. Uma avaliação andrológica, que inclui exames físicos e de sêmen, deve ser realizada para garantir que o touro é capaz de se reproduzir e que não possui nenhuma doença que possa ser transmitida para o resto do rebanho.
Temperamento : O temperamento do touro é muito importante. Um animal agressivo pode ser difícil de manejar e pode ser uma ameaça para as pessoas e para o resto do rebanho. Procure um touro que seja fácil de manejar e que se comporte bem com outros animais.
Idade : A idade do touro também pode ser um fator de seleção. Touros jovens podem ser mais vigorosos e ter mais potencial para melhorar a genética do rebanho, mas touros mais velhos podem ter um histórico de sucesso na reprodução.
Conformação Física : A conformação física do touro é um indicativo de sua saúde e capacidade de reprodução. Procure um animal que tenha um bom estado corporal, pernas e cascos fortes, genitais saudáveis e saudáveis, entre outras características físicas positivas.
Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs) : As DEPs são uma ferramenta útil para estimar o valor genético de um touro. Elas são usadas para prever como os traços desejáveis de um animal serão passados para a sua descendência. Portanto, um touro com altas DEPs para características que são importantes para você pode ser uma boa escolha.
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Capacidade Adaptativa : O touro deve ser capaz de se adaptar ao ambiente da sua fazenda. Isto inclui a capacidade de lidar com as condições climáticas locais, o tipo de pastagem disponível e outros fatores ambientais.
Conformidade com a raça : Se você está procurando manter a pureza de uma raça específica em seu rebanho, você vai querer escolher um touro que seja um bom representante dessa raça.
Desempenho de Crescimento e Carcaça : Para produção de carne, um touro com um histórico de crescimento rápido e produção de carpas de alta qualidade seria ideal.
Dessa forma, seja por IATF ou monta natural (realidade esmagadora das fazendas), escolher um bom reprodutor é o caminho mais rápido para alavancar os resultados da propriedade. Não basta ter bons números nos sumários de touros dos Programas de Melhoramento Genético PO e CEIP ou ter padrão racial garantido pelo registro genealógico definitivo na Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), o touro deve ser um pacote completo.
Mas, vale ressaltar: não há um touro que seja o melhor para todos os rebanhos. “Cada caso é um caso”. Logo, para escolher um touro é preciso considerar os objetivos da fazenda e o sistema produtivo no qual ele será utilizado.
Ao avaliar estes critérios, é sempre uma boa ideia buscar a opinião de um especialista, como um veterinário ou zootecnista. Eles podem fornecer orientação valiosa e ajudar a garantir que você faça a melhor escolha para o seu rebanho.
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