A operação envolve terras agrícolas localizadas em Mato Grosso, atualmente pertencentes à Radar, empresa ligada à Cosan, e tem o Grupo Bom Futuro, dos irmãos Maggi Scheffer, como potencial comprador em uma negociação bilionária que movimenta o mercado de ativos rurais no Brasil.
A movimentação bilionária envolvendo terras agrícolas voltou a chamar atenção no agronegócio brasileiro nesta semana. A Cosan anunciou oficialmente a venda de parte relevante do portfólio de propriedades rurais da Radar, empresa de gestão de terras agrícolas que conta com investimentos do grupo, em uma operação avaliada em R$ 1,85 bilhão e que pode representar uma das maiores negociações fundiárias do ano no setor agropecuário nacional.
A área colocada à venda soma 41.214 hectares em Mato Grosso, região estratégica para produção de soja, milho e algodão, culturas que estão entre os principais pilares da balança comercial brasileira. Segundo informações divulgadas ao mercado em fato relevante, o movimento faz parte da estratégia da companhia de acelerar o processo de desinvestimentos, reduzir alavancagem financeira e simplificar seu portfólio de ativos.
O ponto que mais chamou atenção no mercado foi o nome do possível comprador. Segundo informações apuradas pelo setor e publicadas por veículos especializados, o Grupo Bom Futuro, um dos maiores conglomerados agrícolas do país, apresentou oferta para assumir a área negociada.
O grupo pertence aos empresários Eraí Maggi, Elusmar Maggi e Fernando Maggi Scheffer, nomes historicamente ligados ao avanço do agronegócio brasileiro no Centro-Oeste e reconhecidos por comandarem uma das maiores estruturas privadas de produção agrícola do país.
Venda representa 12% do portfólio da Radar
De acordo com os documentos divulgados pela companhia, os imóveis negociados representam aproximadamente 12% de todo o portfólio de propriedades agrícolas administradas pela Radar, braço especializado em investimentos em terras produtivas e que tem participação da Cosan e da gestora internacional Nuveen.
Do valor total da operação, cerca de R$ 586 milhões correspondem diretamente à participação da Cosan, montante que deverá ser incorporado ao processo de reorganização financeira conduzido pela empresa nos últimos meses.
Nos bastidores, o mercado financeiro acompanha de perto o movimento, já que a companhia vem adotando uma estratégia mais agressiva para reorganizar sua estrutura de capital, especialmente após pressões geradas pelo aumento do endividamento e pelo atual cenário de juros elevados.
Grupo Bom Futuro amplia apetite por grandes ativos rurais
A possível aquisição reforça também a estratégia expansionista do Grupo Bom Futuro. O conglomerado já figura entre os maiores produtores agrícolas da América Latina e vem ampliando presença em grandes operações envolvendo terras, produção de grãos e investimentos estruturais no setor.
A oferta de R$ 1,85 bilhão evidencia o interesse crescente por ativos rurais de grande escala em Mato Grosso, estado que segue consolidado como principal potência agrícola do Brasil e centro das maiores movimentações fundiárias do país.
No entanto, apesar do anúncio, o negócio ainda não está totalmente concluído.
SLC Agrícola ainda pode interferir na negociação
Um ponto considerado decisivo no andamento da operação envolve a SLC Agrícola.
Isso porque parte significativa dessas fazendas, cerca de 70% da área negociada, atualmente opera sob contratos de arrendamento com a empresa, que possui direito de preferência na aquisição dos ativos, o que significa que a companhia pode decidir exercer prioridade sobre a compra antes da conclusão definitiva do negócio.
Essa condição mantém o mercado atento aos próximos capítulos da negociação, que pode alterar o controle de uma das áreas agrícolas mais valiosas atualmente em negociação no país.
Mercado de terras agrícolas segue aquecido no Brasil
A operação reforça uma tendência cada vez mais evidente no agronegócio brasileiro: a valorização acelerada das terras produtivas.
Com a expansão da demanda global por alimentos, crescimento das exportações brasileiras e busca crescente por ativos ligados à produção agrícola, grandes grupos econômicos seguem disputando propriedades estratégicas em regiões consolidadas como Mato Grosso, especialmente áreas com alta produtividade e estrutura pronta para produção em larga escala.
A venda anunciada pela Cosan mostra que, além das commodities, a terra continua sendo um dos ativos mais valiosos e estratégicos dentro do agronegócio brasileiro em 2026.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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