Cafés do Brasil ganham destaque em evento da Comissão Europeia sobre sustentabilidade e transição verde

Em Bruxelas, Cecafé apresentou fatores que posicionam o país na liderança do fornecimento global de cafés produzidos com responsabilidade socioambiental, inovação e rastreabilidade.

A convite da Comissão Europeia, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) participa, nesta semana, da edição de encerramento do programa AL-INVEST Verde, realizada entre os dias hoje, 16, e quinta-feira, 18 de junho, em Bruxelas, na Bélgica. O encontro reúne representantes de governos, setor privado, academia e sociedade civil para apresentar os resultados alcançados pela iniciativa e discutir caminhos para ampliar a competitividade sustentável, a geração de empregos e a transição verde na América Latina.

Nesta terça, a diretora de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé, Silvia Pizzol, participou do “Evento de Alto Nível sobre a Cooperação entre Brasil e União Europeia”, no âmbito do AL-INVEST Verde. Ela integrou o painel “Experiências e sinergias dos Estados brasileiros em torno do setor cafeeiro”, ao lado de João Ricardo Albanez, subsecretário de Agricultura de Minas Gerais; Ilma Correa, produtora de café da Região Vulcânica; Michel Tesch, subsecretário de Desenvolvimento Rural do Espírito Santo; e Priscilla Fagundes, diretora do Instituto de Economia Agrícola (IEA).

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Foto:Divulgação

Durante o debate, Silvia apresentou os principais fatores que sustentam o elevado nível de sustentabilidade da cafeicultura brasileira, responsável por abastecer cerca de 40% da demanda global por cafés reconhecidos como sustentáveis por equivalência ao Código de Referência de Sustentabilidade do Café.

Ela destacou que esse desempenho é resultado de um ambiente facilitador construído pela atuação coordenada entre os setores público e privado, permitindo aos produtores acesso a serviços de assistência técnica, tecnologias, crédito rural e instrumentos de gestão de riscos.

Também ressaltou a eficiência da cadeia exportadora brasileira, que transfere mais de 91% do valor das exportações aos produtores, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social das regiões cafeeiras.

Outro aspecto abordado foi a robustez do arcabouço regulatório brasileiro, caracterizado por sistemas de fiscalização ativos e pela disponibilidade de informações geoespaciais que fortalecem a rastreabilidade e a comprovação documental da conformidade socioambiental das propriedades rurais.

A diretora do Cecafé, enfatizou, ainda, o papel estratégico da ciência e da inovação para os avanços contínuos da sustentabilidade na produção de café. Segundo ela, o Brasil produz atualmente um volume 3,5 vezes superior ao registrado há três décadas na mesma unidade de área cultivada, expressivo ganho de produtividade que gera um importante efeito “poupa-terra”, viabilizando-se a preservação de vegetação nativa dentro das propriedades rurais.

“Nos territórios rurais dos principais Estados produtores de café, essa conservação equivale a mais de 50 milhões de campos de futebol cobertos por vegetação nativa dos biomas brasileiros. Considerando especificamente a cafeicultura, esse modelo que concilia produção e conservação resulta no armazenamento de aproximadamente 180 a 340 toneladas de CO₂ equivalente na forma de vegetação nativa para cada hectare de café cultivado, diferencial ambiental que acompanha os cafés brasileiros destinados aos mercados consumidores”, salientou.

Ao abordar exemplos concretos de sinergia entre políticas públicas e iniciativas privadas, Silvia reforçou que a sustentabilidade também passa pelo compromisso permanente com as pessoas e pela promoção do trabalho decente. Nesse contexto, enalteceu as parcerias entre o Cecafé e o Programa Trabalho Sustentável, bem como a ampla participação do setor privado na Mesa Nacional de Diálogo para a Promoção do Trabalho Decente no Setor Café, iniciativa coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que reúne representantes dos trabalhadores, do governo e da cadeia produtiva.

Ela também ressaltou que a existência de bases de dados oficiais e sistemas públicos de monitoramento constitui um dos pilares da rastreabilidade e da transparência da cafeicultura brasileira. Entre os instrumentos mencionados, estão o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar), as bases geoespaciais de áreas protegidas, os registros de embargos ambientais e os sistemas de monitoramento do desmatamento, como o Prodes.

No tema das relações de trabalho, a diretora do Cecafé destacou que, nos últimos dez anos, a cafeicultura tem sido a atividade rural mais frequentemente fiscalizada pelos órgãos competentes.

“Em 99% das ações de inspeção, são constatadas condições compatíveis com o respeito aos direitos humanos. Nos casos pontuais em que irregularidades são identificadas, os mecanismos de fiscalização e transparência garantem a rastreabilidade das ocorrências e a adoção das medidas corretivas necessárias”, explicou.

Ao final, Silvia reforçou que a combinação entre diálogo social, políticas públicas estruturadas, inovação tecnológica e transparência cria as condições necessárias para que o Brasil continue ampliando sua capacidade de atender à crescente demanda internacional por cafés sustentáveis, rastreáveis e produzidos de forma responsável.

Fonte: Cecafé

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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