Acordo avaliado em mais de R$ 1 bilhão não avançou e JBJ e Fazenda Conforto decidem encerrar tratativas que movimentaram o setor pecuário brasileiro, colocando fim a uma negociação bilionária que poderia criar um dos maiores projetos pecuários do mundo
O mercado pecuário brasileiro foi surpreendido nesta semana com a confirmação do encerramento de uma das negociações mais relevantes dos últimos anos no setor. A operação envolvendo o Grupo JBJ Agropecuária, liderado por José Batista Júnior, o Júnior Friboi, e a tradicional Fazenda Conforto, em Nova Crixás (GO), não seguirá adiante, interrompendo um projeto que vinha sendo tratado como um movimento estratégico capaz de redesenhar a escala da pecuária intensiva no Brasil.
Segundo informações obtidas com exclusividade pelo Compre Rural junto ao CEO do Grupo JBJ, Fabrício Batista, as empresas decidiram encerrar em comum acordo as tratativas da operação, após o avanço de fatores regulatórios que passaram a gerar insegurança sobre a continuidade do processo.
O que levou ao fim da negociação bilionária entre a JBJ e Fazenda Conforto
A transação, estimada em mais de R$ 1 bilhão, havia sido protocolada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e dependia da aprovação do órgão regulador para avançar. O negócio uniria duas gigantes da pecuária nacional e daria origem a uma estrutura considerada uma das maiores plataformas de confinamento bovino do planeta.
No entanto, o processo sofreu uma mudança importante após o Cade rejeitar o pedido das empresas para que a operação fosse analisada pelo chamado rito sumário, modelo que permite tramitação mais rápida em casos considerados menos complexos.
Com isso, a análise passou para o rito ordinário, aumentando incertezas sobre prazo, eventuais exigências e possíveis restrições concorrenciais. A avaliação interna das companhias foi de que o cenário poderia gerar impactos operacionais importantes caso o processo se prolongasse.
Projeto criaria uma potência inédita na pecuária brasileira, um megaconfinamento
Caso fosse concluída, a operação colocaria sob o mesmo guarda-chuva duas estruturas extremamente relevantes dentro da cadeia pecuária nacional.
O Grupo JBJ hoje opera uma das maiores estruturas privadas de confinamento do Brasil, com capacidade anual declarada para receber aproximadamente 540 mil animais por ano, sendo cerca de 180 mil cabeças em confinamento estático, além de atuar em cria, recria, genética e integração com frigoríficos.
Do outro lado, a Fazenda Conforto, localizada no norte de Goiás, consolidou-se como referência nacional em confinamento de alta eficiência, possuindo capacidade estática para aproximadamente 76 mil animais, com giro anual estimado em 180 mil cabeças bovinas.
A propriedade possui ainda uma estrutura robusta que inclui:
- Planta própria de biofertilizantes;
- Fábrica de ração;
- Silos para armazenamento de grãos;
- Parque de geração de energia fotovoltaica;
- Cerca de 2 mil hectares irrigados com 16 pivôs centrais;
- Área de reserva ambiental equivalente a quase 30% da propriedade.
Decisão preserva operações independentes
A principal preocupação das empresas, segundo o que foi apurado, era evitar que a indefinição regulatória começasse a gerar reflexos sobre contratos, planejamento operacional, fornecedores, compra de animais e demais compromissos já estabelecidos dentro da cadeia produtiva.
Diante desse cenário, a decisão foi seguir com as operações de forma independente, suspendendo definitivamente uma negociação que vinha sendo acompanhada de perto pelo mercado por seu tamanho e pela relevância estratégica para a pecuária intensiva brasileira.
Mercado acompanha próximos passos dos gigantes do setor
Mesmo com o fim das tratativas, o episódio evidencia o tamanho da movimentação que vem acontecendo dentro da pecuária brasileira, especialmente entre grupos que buscam ampliar escala, eficiência produtiva, integração vertical e competitividade internacional.
O encerramento do negócio entre JBJ e Fazenda Conforto não diminui a força das duas operações no setor, mas mostra que, em transações bilionárias dentro do agronegócio, fatores regulatórios seguem sendo determinantes para o futuro dos investimentos.
Para o mercado, fica a leitura de que a consolidação da pecuária brasileira continua avançando, mas grandes movimentos corporativos dependerão cada vez mais de segurança regulatória e previsibilidade institucional.
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