Negócio envolve mais de 41 mil hectares pertencentes ao Grupo Radar e coloca frente a frente duas das maiores produtoras agrícolas do Brasil. Em nota oficial, a Bom Futuro afirma ter exercido seu direito de preferência para adquirir integralmente o chamado “Bloco Mato Grosso”
Uma das maiores negociações de terras agrícolas do ano ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (26). A disputa pelo chamado “Bloco Mato Grosso”, conjunto de fazendas pertencentes ao Grupo Radar avaliado em R$ 1,85 bilhão, passou a envolver diretamente dois gigantes do agronegócio brasileiro: a SLC Agrícola e o Grupo Bom Futuro.
As propriedades somam aproximadamente 41,2 mil hectares, destinados ao cultivo de soja, milho e algodão. Inicialmente, o mercado acompanhava a expectativa de que a SLC Agrícola decidisse se exerceria seu direito contratual de preferência sobre parte das áreas que já arrenda. Nos últimos dias, a companhia informou apenas que analisava as condições comerciais da operação dentro do prazo previsto em contrato.
Entretanto, nesta sexta-feira, a Bom Futuro divulgou uma nota oficial afirmando que também exerceu seu direito de preferência para adquirir a totalidade dos imóveis.

Duas potências do agro frente a frente
A disputa evidencia o tamanho dos grupos envolvidos.
A SLC Agrícola é considerada uma das maiores produtoras de grãos e fibras do mundo, cultivando centenas de milhares de hectares em diversas regiões brasileiras, com forte atuação na produção de soja, milho e algodão.
Já o Grupo Bom Futuro, fundado há mais de quatro décadas em Mato Grosso, figura entre os maiores grupos agrícolas privados do país. A empresa possui uma das maiores áreas cultivadas do Brasil, além de forte presença na produção de grãos, algodão, sementes, piscicultura e geração de energia.
O valor da negociação também chama atenção. Os R$ 1,85 bilhão colocam a operação entre as maiores transações recentes envolvendo propriedades rurais no país. Segundo informações divulgadas pela Cosan, os ativos representam cerca de 12% do portfólio de terras da Radar, empresa formada pela gestora americana Nuveen com participação da Cosan.
SLC afirma ter exercido o direito de preferência
A disputa ganhou novos contornos na manhã desta sexta-feira (26), quando a SLC Agrícola divulgou um fato relevante ao mercado informando que também exerceu, de forma “irrevogável e irretratável”, seu direito de preferência para adquirir a totalidade das propriedades que compõem o chamado Bloco Mato Grosso.
No comunicado, a companhia afirma que notificou oficialmente o Grupo Radar sobre a decisão e informa que a aquisição contempla aproximadamente 41.214 hectares, dos quais cerca de 28,8 mil hectares são agricultáveis. A empresa destaca ainda que já opera 17,6 mil hectares da área por meio de arrendamento e que a compra seria realizada na modalidade “porteira fechada”, nas mesmas condições da proposta apresentada aos proprietários.
A SLC também detalhou a estrutura financeira da operação, cujo valor total é de R$ 1,85 bilhão. Segundo o fato relevante, seriam pagos R$ 700 milhões como sinal, depositados em conta escrow, e os R$ 1,15 bilhão restantes na assinatura das escrituras, prevista para ocorrer até 30 de outubro de 2026, condicionada, entre outros fatores, à eventual aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

O que diz a Bom Futuro
Na nota enviada à imprensa nesta sexta-feira, a Bom Futuro afirma que exerceu seu direito de preferência nas mesmas condições da oferta apresentada ao Grupo Radar.
Segundo a empresa, a aquisição está alinhada à estratégia de expansão no estado onde atua há mais de 44 anos.
Nota oficial da Bom Futuro na íntegra
NOTA À IMPRENSA
A BOM FUTURO AGRÍCOLA LTDA., comunica o mercado que, na condição de Arrendatária, exerceu junto ao Grupo Radar, seu legítimo direito de preferência na aquisição dos imóveis que compõe o denominado Bloco Mato Grosso, na sua totalidade e nos termos da oferta, no montante de R$ 1,85 bi.
O referido investimento tem sinergia com as demais propriedades da empresa e adere sua estratégia de crescimento no Mato Grosso, onde atua há mais de 44 anos.
Cuiabá-MT., 26 de junho de 2026.
BOM FUTURO AGRÍCOLA LTDA.
Mercado acompanha desfecho
A negociação passou a ser acompanhada de perto pelo mercado financeiro desde que a venda foi anunciada pela Cosan. A operação envolve ativos agrícolas de elevada qualidade em uma das regiões mais valorizadas para a produção de soja, milho e algodão no país.
O desfecho da disputa deve definir quem ficará com um dos mais relevantes blocos de terras agrícolas colocados à venda nos últimos anos, reforçando a corrida por ativos estratégicos em Mato Grosso, estado que concentra a maior produção de grãos do Brasil.
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