Petrobras vai assumir a conclusão da obra e a UFN3 – considerada maior indústria de fertilizantes da América Latina. A fábrica três-lagoense vai produzir 3,6 mil toneladas de ureia e 2,2 mil toneladas por dia de amônia.
A Petrobras decidiu retomar a proposta de ter a produção de fertilizantes como estratégico para a companhia e vai assumir a conclusão da obra da unidade de fertilizantes nitrogenados (UFN3) em Três Lagoas. Além de garantir a conclusão do empreendimento, que está com 82% das obras concluídas, a estatal vai garantir a geração de 650 empregos diretos em Três Lagoas. A estatal deverá ter papel estratégico na implementação do Plano Nacional de Fertilizantes no governo Lula, diferentemente do direcionamento da gestão passada, que previa desinvestimentos da empresa no segmento.
O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, sinalizou ao governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, e à ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, a possibilidade de a estatal concluir a construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), em Três Lagoas (MS). As obras estão paradas desde 2019.
Verruck explicou que a Petrobras pretende assumir a conclusão da obra e a UFN3 será responsável por 15% da demanda de fertilizantes do País. Ela vai ter a capacidade somada das três indústrias existentes hoje, que produzem nitrogenados no Paraná, Paraíba e Bahia.
A conclusão da fábrica vai ter um impacto grande na economia de Mato Grosso do Sul e de Três Lagoas. Para o Brasil, a unidade vai tornar o País menos dependente do mercado externo na aquisição de fertilizantes. A fábrica três-lagoense vai produzir 3,6 mil toneladas de ureia e 2,2 mil toneladas por dia de amônia. Para viabilizar o negócio, o Governo estadual concedeu R$ 2,2 bilhões em incentivos.
Durante reunião nesta quarta-feira (14/6), em Brasília, Prates também falou sobre a retomada de estudos e possíveis investimentos no setor de fertilizantes.
“Foi uma reunião muito boa porque eles retomaram a agenda de fertilizantes e gás na companhia e sinalizaram uma discussão para que a gente possa, nos próximos anos, concluir esse que é um dos maiores ativos que construímos ao longo do tempo”, afirmou o governador Eduardo Riedel, em nota divulgada pela assessoria.
A retomada dos estudos e dos investimentos está prevista no Plano Estratégico 2024/2028 da empresa. “Neste segundo semestre vão começar os estudos. Como boa notícia final, o presidente da Petrobras quer conhecer a planta de Três Lagoas, visitar todo o Estado, para ver in loco a grandeza e a importância da fábrica de fertilizante para Mato Grosso do Sul”, acrescentou a ministra Simone Tebet.

A construção da fábrica de fertilizantes de Três Lagoas começou em 2011 e foi paralisada em dezembro de 2014, quando a obra estava 81% concluída, após a Petrobras romper o contrato com o consórcio responsável pela obra. A estatal colocou a UFN3 à venda em setembro de 2017.
No ano passado, um grupo da Rússia manifestou interesse na compra da fábrica, e o negócio chegou a ser anunciado pela então ministra da Agricultura, Tereza Cristina. As negociações se iniciaram, mas não chegaram a ser concluídas porque o plano de negócios que o potencial comprador apresentou previa o rebaixamento da fábrica a uma indústria misturadora de fertilizantes.
Em janeiro deste ano, a Petrobras comunicou o encerramento do processo de venda da UFN-3, que estava na fase de recebimento de propostas vinculantes. Em junho de 2022, a estatal havia contratado o Bradesco BBI como assessor financeiro exclusivo para a venda da fábrica.
Além de garantir o investimento bilionário em Mato Grosso do Sul, a petrolífera vai ampliar a compra de gás natural de Bolívia e poderá impactar positivamente a arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). A empresa já definiu que a indústria vai consumir o gás importado por meio do Gasoduto Bolívia-Brasil.

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