Gigantes do agro disputam terras agrícolas da Radar de R$ 1,85 bilhão; SLC decidirá em 30 dias sobre preferência

Oferta de R$ 1,85 bilhão feita pelo Grupo Bom Futuro por mais de 41 mil hectares da Radar colocou a SLC Agrícola no centro de uma das negociações mais estratégicas do agronegócio brasileiro.

Uma movimentação bilionária envolvendo algumas das maiores potências do agronegócio nacional está chamando atenção do mercado. O Grupo Bom Futuro apresentou uma proposta de R$ 1,85 bilhão para adquirir parte do portfólio de terras agrícolas da Radar, joint venture ligada à Cosan e à gestora global Nuveen. No entanto, a operação ainda depende de um fator decisivo: a posição da SLC Agrícola, que possui direito contratual de preferência sobre parte dessas áreas.

A negociação envolve 41.214 hectares localizados em Mato Grosso, região considerada uma das mais valorizadas do país para produção de soja, milho e algodão. A SLC mantém contratos de arrendamento em aproximadamente 17,6 mil hectares dessas propriedades, o que garante à companhia o direito de decidir se iguala a proposta e assume a compra antes da conclusão da venda.

Durante participação no World Agri-Tech South America, em São Paulo, o CEO da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato, confirmou que a empresa recebeu a notificação formal e terá 30 dias para tomar a decisão.

“Nós vamos decidir dentro do prazo. É tudo o que eu posso falar”, afirmou o executivo ao comentar a operação.

Nos bastidores, a disputa ganhou ainda mais relevância porque o Grupo Bom Futuro, dos irmãos Eraí, Elusmar e Fernando Maggi, vem ampliando agressivamente sua presença em ativos agrícolas estratégicos. Segundo informações do mercado, a proposta equivale a aproximadamente 427 sacas por hectare, reforçando o forte apetite por terras produtivas em Mato Grosso.

Para a Cosan, a venda faz parte da estratégia de redução de alavancagem financeira e deve gerar cerca de R$ 600 milhões em caixa, considerando sua participação na operação.

Enquanto isso, investidores acompanham atentamente os próximos passos da SLC. Caso exerça seu direito de preferência, a companhia precisará adquirir a totalidade das áreas negociadas — e não apenas as fazendas que atualmente arrenda — transformando a decisão em um dos movimentos corporativos mais relevantes do agro brasileiro em 2026.

Mais do que uma simples compra de terras, o episódio escancara um cenário cada vez mais evidente no Brasil: as grandes áreas agrícolas se tornaram ativos estratégicos disputados por gigantes que enxergam valor no longo prazo da produção nacional.

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