Com demanda internacional aquecida e ritmo forte nos embarques, exportações de carne bovina caminham para registrar um dos melhores meses de junho da história; Scot e Imea projetam fechamento histórico para o faturamento.
O mercado pecuário brasileiro segue encontrando sustentação no cenário internacional. Mesmo em meio às recentes pressões sobre o preço da arroba no mercado interno, as exportações brasileiras de carne bovina continuam em ritmo acelerado e já movimentaram mais de US$ 1,2 bilhão apenas nas três primeiras semanas de junho de 2026, reforçando a força da demanda global pela proteína produzida no Brasil.
Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, considerando os primeiros 14 dias úteis do mês, o país embarcou 187,08 mil toneladas de carne bovina in natura, volume que representa crescimento de 10,9% na média diária em comparação ao mesmo período do ano passado.
A projeção agora chama atenção do mercado. Segundo análise do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), caso o atual ritmo de embarques seja mantido até o fechamento do mês, o Brasil poderá encerrar junho com aproximadamente 280,62 mil toneladas exportadas, consolidando o segundo maior volume já registrado historicamente para o período.
Além do crescimento em volume, o setor também registra valorização expressiva no preço internacional da proteína. O valor médio negociado da carne bovina brasileira atingiu US$ 6.526,20 por tonelada, alta de 19,8% em relação ao mesmo período de 2025, reflexo direto do aumento da procura global e do fortalecimento do posicionamento brasileiro no comércio mundial.
Na prática, isso significa mais dinheiro entrando no setor. Até o momento, o faturamento acumulado já alcançou US$ 1,220 bilhão, com média diária de US$ 87,2 milhões, avanço de 32,8% no comparativo anual.
A avaliação das consultorias também reforça o cenário positivo. De acordo com a Scot Consultoria, mantidos os atuais níveis de embarque e o elevado valor pago pela tonelada da proteína, o Brasil pode encerrar junho com o melhor resultado de faturamento da série histórica para o mês.
“Até a terceira semana de junho, cerca de 93% de todo o faturamento registrado em junho de 2025 já foi alcançado neste ano”, destacam os analistas da Scot.
Para o pecuarista, o movimento confirma um cenário que o mercado acompanha com atenção: enquanto a arroba enfrenta pressão no mercado físico em algumas praças, o setor exportador continua operando em patamares extremamente fortes, sustentado pela demanda internacional, especialmente dos grandes compradores asiáticos e pela competitividade crescente da carne bovina brasileira no comércio global.
O desempenho reforça, mais uma vez, que o mercado externo segue sendo um dos principais pilares de sustentação da pecuária brasileira em 2026.
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