As negociações de boiadas gordas estão ocorrendo em um ritmo lento, com os frigoríficos brasileiros adquirindo apenas os volumes necessários para manter as programações de abate, numa tentativa de frear viés de alta dos preços da arroba
O mercado físico do boi gordo opera com preços acomodados, com fluxo de negócios mais travado em comparação à última semana, informaram as principais consultorias que acompanham o mercado pecuário. Com escalas de abate confortáveis para os próximos dias, as indústrias optam por se afastar temporariamente do mercado, analisando o comportamento do consumo de carne no varejo e o andamento das exportações. Em contrapartida, os pecuaristas começam a intensificar suas atividades de confinamento, atentos à reposição e aos custos do boi no cocho.
Os frigoríficos estão controlando os preços para evitar aumentos significativos na arroba do boi gordo, enquanto aguardam a chegada de animais confinados ao mercado. As negociações de boiadas gordas seguem em ritmo lento, com as compras limitadas a volumes necessários para manter as programações de abate, que em média se mantêm em nove dias, segundo levantamento da Agrifatto.
Ainda segundo a Agrifatto, além do pouco apetite dos compradores, a oferta de animais terminados também segue em conta gotas, sobretudo de fêmeas gordas. “Há uma redução na oferta de vacas e novilhas, uma tendência que vem se manifestando há alguns dias”, dizem os analistas.
“Considerando a grande incidência de contratos a termo nesta temporada, os temores em relação ao caso de Doença de Newcastle no mercado da carne de frango e as potenciais consequências na formação de preço das proteínas concorrentes também são levados em conta”, disse o analista da Consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias.
Segundo a Scot Consultoria, com a lentidão no mercado de carne, o cenário é de preços estáveis. A cotação do boi gordo está em R$227,00/@, a da vaca em R$202,00/@ e a da novilha em R$215,00/@.
O “boi China” – animal jovem abatido com até 30 meses de idade, com destino a exportação – está sendo negociado em R$230,00/@, ágio de R$3,00/@. Todos os preços brutos e com prazo, informou a consultoria em seu relatório diário.
No mercado futuro, o contrato com vencimento para julho de 2024 foi cotado a R$ 230,60/@ na quarta-feira (22/7), registrando uma leve queda de 0,19% em relação ao dia anterior. Segundo analistas, os operadores de boi gordo estão reduzindo as expectativas de valorização para o segundo semestre.
Margens dos frigoríficos
De acordo com a Agrifatto, a continuidade dos aumentos nas cotações do boi terminado pode prejudicar significativamente as operações comerciais de indústrias de pequeno e médio porte, que atendem exclusivamente ao mercado doméstico. “Esses estabelecimentos já operam com margens negativas, mostram sinais de esgotamento e não suportam novos aumentos de custos”, afirmam os analistas.
Por outro lado, a consultoria destaca que a situação ainda apresenta certa vantagem para os frigoríficos exportadores de carne bovina.
Giro do boi gordo pelas praças pecuárias do Brasil
- Em São Paulo, a referência média para a arroba do boi ficou em R$ 229,63, na modalidade a prazo.
- Já em Goiás, a indicação média foi de R$ 221,18 para a arroba do boi gordo.
- Em Minas Gerais, a arroba teve preço médio de R$ 219,41.
- No Mato Grosso do Sul, a arroba teve preço médio de R$ 219,66.
- No Mato Grosso, a arroba ficou indicada em R$ 209,09.
Exportação de carne bovina in natura
O volume exportado até a terceira semana de julho foi de 162,5 mil toneladas – média diária de 10,8 mil toneladas – superando o desempenho médio diário do mesmo período de 2023 em 41,5%. O preço médio da tonelada está em US$4,4 mil/t, queda de 6,9% na comparação com julho de 2023.
Mercado atacadista do boi gordo
O mercado atacadista apresenta queda em seus preços. Este movimento está alinhado à sazonalidade do mercado, em uma segunda quinzena pautada por menor apelo ao consumo de carne bovina, com uma reposição mais lenta entre atacado e varejo. A primeira quinzena de agosto ainda conta com uma demanda promissora, considerando que, além da entrada dos salários na economia, há o adicional de consumo relacionado ao Dia dos Pais, apontou Iglesias.
O quarto traseiro foi precificado a R$ 17,25 por quilo, com uma queda de R$ 0,25. O quarto dianteiro foi cotado a R$ 13,50 por quilo, apresentando uma queda de R$ 0,50. A ponta de agulha foi precificada a R$ 12,85 por quilo, registrando uma queda de R$ 0,15.
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