Exportação de gado vivo pode atingir recorde histórico e Brasil já embarcou mais de 542 mil bovinos

Com mais de 542 mil bovinos embarcadas até maio, mercado de exportação de gado vivo vive melhor primeiro semestre da história; Scot Consultoria aponta mudança no mapa global de compradores e ritmo forte deve continuar nos próximos meses

A exportação brasileira de gado vivo entrou definitivamente em um novo patamar em 2026. Impulsionado pela demanda internacional aquecida e pela diversificação dos países compradores, o Brasil já registra o melhor desempenho da história para o período entre janeiro e maio, reforçando o avanço estratégico da pecuária nacional no comércio exterior.

Levantamento da Scot Consultoria mostra que o país embarcou 542,5 mil cabeças de bovinos até maio deste ano, número que supera com folga anos historicamente fortes para o setor, como 2018 e 2025. O ritmo segue tão acelerado que o mercado já projeta um ano recorde para a exportação de animais vivos.

Brasil supera anos históricos e consolida avanço no mercado externo

Os dados mostram que o desempenho atual coloca 2026 acima dos melhores anos já registrados na série histórica.

Para efeito de comparação, no acumulado entre janeiro e maio:

  • 2018: 347,5 mil cabeças exportadas
  • 2025: 411,7 mil cabeças
  • 2026: 542,5 mil cabeças

Segundo análise da Scot Consultoria, o cenário mostra um mercado extremamente fortalecido.

“O desempenho da exportação de gado vivo está firme e forte. Em maio, 99,2 mil cabeças foram embarcadas, sendo o terceiro melhor maio da história”, destaca a análise assinada pelo analista de mercado Lorenzo Cracco, da Scot Consultoria.

O volume embarcado em maio perdeu apenas para os resultados registrados no mesmo mês em 2018 e 2025, consolidando um primeiro semestre sem precedentes para o setor pecuário brasileiro.

Brasil reduz dependência da Turquia e amplia presença global

Outro movimento importante observado pela Scot é a mudança no perfil dos compradores internacionais.

Durante anos, a Turquia concentrou praticamente sozinha a maior parte das compras de gado vivo brasileiro, mas esse cenário mudou rapidamente.

Em 2018, os turcos representavam 77,3% das exportações brasileiras. Agora, a participação caiu para algo entre 35% e 39%, enquanto outros mercados ganharam protagonismo.

Entre os destaques estão:

  • Egito: entre 16% e 23% das compras
  • Iraque: até 15,5%
  • Marrocos: cerca de 14%
  • Crescimento também em Líbano, Arábia Saudita e Argélia

A Scot resume essa transformação em um ponto central para o setor.

“O país deixou de depender de um único mercado e hoje abastece uma carteira ampla, com peso crescente do Norte da África e países do Golfo”, aponta o relatório.

Para o pecuarista brasileiro, essa diversificação reduz riscos comerciais e fortalece a previsibilidade do mercado exportador.

Pará domina embarques e Tocantins ganha espaço

No lado interno, o Pará segue como principal porta de saída do gado em pé brasileiro, concentrando mais da metade das operações nacionais.

Os números mostram:

  • Pará: 286,3 mil cabeças embarcadas em 2026
  • Participação entre 53% e 62% dos embarques nacionais
  • Rio Grande do Sul consolidado em segundo lugar
  • Tocantins começa a ganhar relevância, alcançando 5,8% das exportações

Enquanto isso, São Paulo perdeu espaço de forma significativa nas operações.

Junho deve confirmar novo salto na exportação de gado vivo

Mesmo sem o fechamento oficial de junho, os números preliminares já mostram continuidade no ritmo acelerado.

A Scot Consultoria estima que até a segunda semana do mês cerca de 50 mil cabeças já haviam sido embarcadas, podendo fechar junho próximo de 116 mil cabeças exportadas.

Se confirmado, será o segundo melhor junho da história para o setor.

“Se o ritmo se mantiver, é possível projetar algo em torno de 116 mil cabeças no mês, avanço de aproximadamente 62% sobre junho de 2025”, projeta a consultoria.

Exportação de gado vivo: Brasil pode encerrar semestre em nível recorde

As projeções apontam um cenário ainda mais impressionante para o fechamento do primeiro semestre.

Caso o ritmo atual continue, o Brasil deve encerrar os primeiros seis meses de 2026 com aproximadamente 658 mil cabeças exportadas, crescimento de cerca de 36% frente ao mesmo período de 2025.

Além disso, o país já teria exportado em apenas seis meses o equivalente a 63% de todo o volume embarcado durante o ano passado inteiro.

Segundo a Scot, o cenário indica claramente um recorde nacional no horizonte.

“2026 está no rumo de um recorde de exportação de gado vivo”, conclui o levantamento.

Pecuária brasileira amplia protagonismo global

Com demanda internacional aquecida, maior diversificação de destinos e uma logística cada vez mais consolidada nos portos brasileiros, a exportação de gado vivo se consolida como uma frente estratégica cada vez mais relevante para a pecuária nacional.

Para o produtor rural, o movimento reforça um cenário de maior valorização do rebanho, expansão da presença brasileira no comércio global e fortalecimento do papel do Brasil como potência pecuária mundial.

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