De astro dos rodeios a alvo da polícia: Touro premiado é confiscado em ação contra o crime organizado

Uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público em São Paulo revelou como o setor de entretenimento rural era utilizado para lavagem de dinheiro do tráfico internacional

A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público deflagraram, nesta sexta-feira (8), a Operação Caronte, uma ofensiva estratégica para desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado.

Durante as diligências, um touro premiado é confiscado por ser apontado como parte do patrimônio oculto de uma rede criminosa supostamente comandada pelo PCC. A ação, que ocorreu simultaneamente em oito cidades paulistas, resultou no bloqueio judicial de R$ 10 milhões em bens e contas bancárias dos investigados.

Operação Caronte: O cerco ao crime no interior paulista

As investigações, conduzidas pelo Departamento de Polícia Judiciária de Campinas (Deinter-2) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), detalham que o esquema utilizava empresas dos setores de transporte e de rodeio para dar aparência de legalidade a recursos oriundos do tráfico internacional de drogas.

Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em Campinas, Atibaia, Monte Mor, Sumaré, Limeira, Mogi das Cruzes, Osasco e Taquaritinga. Além do gado, as autoridades apreenderam veículos de luxo, cavalos e grandes quantias em dinheiro em espécie.

Como o touro premiado é confiscado em investigação do Gaeco

O ponto central que chamou a atenção dos investigadores foi a utilização de animais de alto valor genético para a ocultação de ativos. Entre os animais apreendidos, destaca-se o touro “Império”, uma celebridade das arenas brasileiras. Segundo dados da Confederação Nacional de Rodeio (CNAR), o animal ocupava a terceira posição no ranking nacional em julho de 2025.

O fato de que um touro premiado é confiscado evidencia a sofisticação do crime organizado ao se infiltrar em nichos de alto rendimento do agronegócio. A polícia acredita que o animal era mantido sob a tutela de “laranjas” para esconder o verdadeiro proprietário e facilitar a circulação de capital ilícito no circuito de eventos rurais.

O rastro do “Diabo Loiro” e a conexão com o tráfico

O principal alvo da operação é Eduardo Magrini, conhecido no submundo como “Diabo Loiro”. De acordo com o relatório da Polícia Civil, Magrini ostentava nas redes sociais um patrimônio milionário, composto por mansões e bens de luxo, que é totalmente incompatível com a sua renda declarada aos órgãos fiscais.

A rede criminosa também envolve seu filho, Mateus Magrini. A investigação aponta que ele movimentava capital ilícito por meio de uma empresa do ramo musical. Mateus já é um nome conhecido das autoridades federais, tendo sido alvo da Operação Narco Fluxo da Polícia Federal, ao lado do MC Ryan, que é apontado como ex-enteado de Eduardo Magrini.

Histórico de violência e o nome da operação

As movimentações financeiras atípicas não são o único registro criminal do grupo. Um dos alvos detidos nesta sexta-feira já havia sido preso preventivamente no ano passado, em uma investigação do Gaeco de Campinas sobre um plano de uma facção criminosa para assassinar um promotor de Justiça.

O nome escolhido para a ação, Operação Caronte, carrega um simbolismo direto: na mitologia grega, Caronte é o barqueiro encarregado de conduzir as almas pelo rio Estige até o submundo. Para os investigadores, a operação marca a interrupção do fluxo financeiro que alimentava a estrutura do crime organizado no estado.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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