Boran: Nova raça recebe investimento de grande pecuarista brasileiro

Raça africana Boran conhecida pela rusticidade e eficiência produtiva começa a ganhar espaço na pecuária brasileira e é incorporada ao programa de cruzamento industrial da Agropecuária Maragogipe, referência nacional comandada pelo pecuarista Wilson Brochmann

A pecuária de corte brasileira vive um momento de transformação, marcado pela busca constante por genética superior, eficiência produtiva e adaptação aos desafios do clima tropical. Nesse cenário, novas raças começam a ganhar espaço em programas de melhoramento e cruzamento industrial, ampliando o leque de ferramentas disponíveis aos pecuaristas.

Entre elas está o Boran, raça de origem africana que vem despertando interesse crescente no Brasil. Desenvolvido ao longo de séculos em ambientes desafiadores do leste da África, o Boran reúne características consideradas estratégicas para sistemas produtivos tropicais, como rusticidade, resistência a parasitas, fertilidade e desempenho de carcaça.

Nos últimos anos, reportagens publicadas pelo portal Compre Rural vêm destacando a chegada dessa genética ao país e o potencial da raça para compor cruzamentos industriais voltados à produção de carne de qualidade com eficiência produtiva. Criado historicamente no Quênia e em regiões áridas da África Oriental, o Boran passou por um processo de seleção natural extremamente rigoroso, que moldou um animal altamente adaptado a condições ambientais adversas.

Essa seleção, construída ao longo de cerca de 1.300 anos, fez com que apenas os animais mais fortes, férteis e resistentes sobrevivessem e transmitissem suas características às gerações seguintes. O resultado é um bovino que combina resistência, capacidade materna e produtividade, qualidades cada vez mais valorizadas na pecuária moderna.

Agora, essa genética começa a ganhar novos capítulos no Brasil com a adesão de importantes criadores ao projeto de desenvolvimento da raça no país.

Maragogipe aposta no Boran para fortalecer cruzamento industrial

Um desses capítulos passa pela Agropecuária Maragogipe, projeto pecuário liderado por Wilson Brochmann, produtor amplamente reconhecido no setor pela consistência produtiva e pelo forte investimento em genética ao longo de décadas.

A entrada do pecuarista na Associação Brasileira de Criadores de Boran (ABCBORAN) marca um passo importante na consolidação da raça no país.

A própria associação celebrou a chegada do produtor.

Segundo a entidade, a construção da história do Boran no Brasil depende justamente de pecuaristas com visão de longo prazo. “A construção da história da raça Boran no Brasil passa por produtores que acreditam em genética, eficiência e visão de longo prazo. É com grande satisfação que apresentamos Wilson Brochmann, da Agropecuária Maragogipe”, destacou a ABC Boran.

Com mais de 50 anos dedicados à pecuária de corte, Wilson Brochmann transformou a Maragogipe em um dos projetos pecuários mais respeitados do país. O trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas consolidou a fazenda como referência em três pilares fundamentais:

  • Excelência genética
  • Resultados consistentes em qualidade de carcaça
  • Produtividade sustentável ao longo do tempo

A adesão ao Boran representa, portanto, mais um movimento estratégico dentro de um histórico marcado pela busca constante por inovação genética.

Por que o Boran chamou atenção da Maragogipe

A decisão de incluir a raça no sistema produtivo da fazenda não foi aleatória. Segundo o próprio Wilson Brochmann, a escolha surgiu após análises técnicas e observação das características do animal.

O pecuarista explica que dois fatores foram determinantes: a base zebuína da raça e sua forte seleção natural ao longo da história. “O início, a oportunidade de fazer uma seleção e montar um plantel de Boran surgiu por algumas características. Primeiro, que é uma raça zebuína. Segundo, que é uma raça que tem uma seleção natural de 1.300 anos.”

Brochmann destaca que o ambiente africano, onde a raça se desenvolveu, foi responsável por moldar animais altamente resistentes. “Concorrendo com predadores na África, no Quênia, os animais mais fortes foram sobrevivendo e foram reproduzindo. Isso é a seleção natural. Os animais mais resistentes a ectoparasitas e aos problemas da natureza sobreviveram e se multiplicaram.”

Essa rusticidade genética foi um dos fatores que despertaram interesse no produtor. “Isso é um fato da parte da resistência que o Boran traz no seu gen.”

Além disso, o projeto da Maragogipe envolve forte atuação em cruzamento industrial, o que abre espaço para novas composições genéticas.“ A gente trabalha muito forte com o cruzamento industrial. Temos um trabalho bastante consistente com Angus.”

Nesse sistema, a fazenda produz matrizes F1 meio-sangue Angus, e o objetivo agora é utilizar essas fêmeas em um novo modelo de cruzamento. “Enxergamos uma possibilidade de aproveitar essa matriz meio-sangue Angus para aumentar o volume de animais abatidos.”

O aumento da produção atende a uma demanda direta do mercado. “É um grande projeto do nosso parceiro frigorífico, que está pedindo para aumentarmos o número de animais abatidos anualmente.”

A estratégia da Maragogipe passa então por reter essas matrizes e utilizar uma terceira raça no cruzamento. “Resolvemos segurar as matrizes meio-sangue Angus para utilizá-las como matrizes, usando uma terceira raça. E através de estudos, opiniões e alguns sinais que recebi, percebi que o Boran seria um parceiro muito interessante para fazer esse trabalho.”

Central lidera introdução da genética Boran no Brasil

A chegada do Boran ao Brasil também passa por um trabalho de importação e difusão genética conduzido pela Zebu Fértil, atualmente a única central de genética bovina com disponibilidade comercial da raça no país.

A empresa tem investido na introdução da genética com foco em oferecer animais adaptados, eficientes e capazes de entregar resultados consistentes no campo.

Segundo a central, o Boran reúne características que chamam atenção de produtores que buscam eficiência em sistemas tropicais.

“Uma raça rústica e robusta, desenvolvida em ambientes desafiadores com resultados que realmente impressionam no campo”, destaca a empresa.

Para garantir material genético de alta qualidade, representantes da Zebu Fértil estiveram na Bull Center, no Paraguai, alinhando a importação de reprodutores e genética superior.

A parceria envolve criadores internacionais e busca selecionar animais com alto desempenho zootécnico, capazes de contribuir com a evolução da pecuária brasileira.

O administrador da Boran Paraguay, Petrus Brits, destacou a importância da operação. “Concretamos uma nova e significativa exportação de genética Boran ao Brasil, nossa maior operação até agora, com 5.500 doses de sêmen e 200 embriões congelados.”

Segundo ele, a parceria com a Zebu Fértil fortalece a expansão da raça. “Este avanço acontece junto com a Zebu Fértil, uma central genética reconhecida no país por seus altos padrões de qualidade, avaliação seminal e confiabilidade em reprodução.”

Para Brits, a iniciativa deve ampliar o alcance da genética Boran em todo o território brasileiro. “Essa aliança permite seguir crescendo e ampliar o alcance da genética Boran para produtores de todas as regiões do Brasil, com uma base sólida de qualidade, estrutura e visão de longo prazo.”

Hoje, a Zebu Fértil afirma possuir o maior estoque legal de sêmen e embriões da raça disponível no mercado nacional.

Repercussão entre produtores

A entrada de Wilson Brochmann no projeto do Boran também repercutiu positivamente entre pecuaristas e profissionais do setor, que destacaram o peso da decisão para o avanço da raça no Brasil. Entre os comentários publicados por internautas e produtores:

Ines Cristina Carboni ressaltou a visão estratégica do pecuarista. “Que notícia maravilhosa. Com certeza será um sucesso Wilson Brochmann, um líder de visão e de conhecimento ímpar em genética. Parabéns por mais um projeto.”

Para José Roberto Pires Weber, a escolha reforça a confiança no potencial da raça. “Wilson Brochmann investindo no Boran é certeza de que a raça vai progredir no Brasil. Ele é craque.”

Andrey Souto destacou o pioneirismo da iniciativa. “Que a nova jornada seja consolidada para um dos grandes pioneiros e boranlistas do país.”

Um novo capítulo da raça no Brasil

A chegada do Boran ao Brasil ainda está em fase inicial, mas a adesão de projetos pecuários consolidados indica que a raça começa a ganhar espaço dentro de programas de cruzamento industrial.

A participação de criadores experientes, somada ao trabalho de difusão genética conduzido por centrais especializadas, cria as bases para que a raça possa mostrar seu potencial em sistemas produtivos tropicais.

Assim, pouco a pouco, o Boran começa a trilhar seu caminho no país.

Uma genética que começa agora a construir sua história também no Brasil.

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