Encontro de três horas entre Trump e Lula tratou de comércio, tarifas, Pix, crime organizado e geopolítica; líderes classificaram a conversa como produtiva e indicaram novas rodadas de negociação
A reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada na Casa Branca, em Washington, marcou um novo capítulo nas relações entre Brasil e Estados Unidos. O encontro, que durou cerca de três horas e foi seguido de almoço de trabalho, foi classificado pelos dois lados como “muito bom” e “produtivo”.
Após a conversa, Trump usou sua rede social, a Truth Social, para chamar Lula de “presidente muito dinâmico” e afirmou que os dois trataram de diversos temas, incluindo comércio e tarifas. Segundo o republicano, representantes dos dois países já têm novas reuniões agendadas para discutir pontos considerados estratégicos.
Entre os principais assuntos da pauta estiveram as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, a investigação americana sobre o Pix, no âmbito da chamada Seção 301, além de temas ligados à segurança, minerais críticos, geopolítica e combate ao crime organizado.
Lula afirmou que propôs a criação de um grupo de trabalho bilateral para discutir as divergências comerciais nos próximos 30 dias. O presidente brasileiro também defendeu que eventuais impasses sejam tratados com pragmatismo. “Quem tiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder”, declarou.
Outro ponto de atenção para o Brasil foi a investigação sobre o Pix. Lula pediu diretamente a Trump que o processo seja encerrado “o quanto antes”, enquanto o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, indicou que novas conversas entre os governos devem ocorrer nas próximas semanas.
A reunião também avançou sobre segurança. Lula disse ter proposto a criação de um grupo amplo de combate ao crime organizado, envolvendo países da América Latina e, se possível, outras nações. A fala ocorre após acordo recente de cooperação entre Brasil e Estados Unidos para troca de informações sobre tráfico internacional de armas e drogas.
No campo diplomático, Lula voltou a defender a reforma da ONU e do Conselho de Segurança, argumentando que “a geopolítica de 2026 não é a geopolítica de 1945”. O presidente brasileiro reforçou ainda o interesse histórico do Brasil em ocupar um assento permanente no colegiado.
Apesar das diferenças políticas entre os dois líderes, o tom público após o encontro foi de aproximação. Lula disse ter havido “química” com Trump e afirmou acreditar que o republicano “gosta do Brasil”. Horas depois, Trump voltou a elogiar o brasileiro, chamando-o de “homem bom” e “cara inteligente”.
Com novas reuniões previstas, o encontro sinaliza que Brasil e Estados Unidos tentarão transformar a boa disposição diplomática em avanços concretos, especialmente nas áreas de comércio, tarifas, tecnologia de pagamentos, segurança e cooperação internacional.
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