A medida faz parte de uma ampla estratégia para reorganizar um passivo de R$ 64,7 bilhões e fortalecer a estrutura financeira da Raízen.
A Raízen protocolou nesta sexta-feira (6) seu Plano de Recuperação Extrajudicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, após obter adesão de credores que representam 75,45% dos créditos financeiros e quirografários incluídos na operação. A medida faz parte de uma ampla estratégia para reorganizar um passivo de R$ 64,7 bilhões e fortalecer a estrutura financeira da companhia.
Segundo comunicado divulgado ao mercado, a empresa alcançou o percentual mínimo de apoio exigido pela legislação antes mesmo do prazo de 90 dias previsto para esse tipo de procedimento. Entre os credores que aderiram ao plano estão instituições financeiras, além de detentores de títulos emitidos no mercado nacional e internacional.
Entre as principais medidas propostas está um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões por parte da Shell. O plano também prevê um aporte adicional de R$ 500 milhões da Aguassanta Participações, empresa ligada à família de Rubens Ometto, condicionado à efetiva participação da acionista na operação. Além disso, 45% dos créditos abrangidos pela recuperação serão convertidos em participação acionária, enquanto os 55% restantes serão refinanciados ou substituídos por novos instrumentos de dívida.
Reorganização inclui separação de negócios
A proposta apresentada pela companhia contempla ainda a segregação de ativos, avanço no programa de desinvestimentos e uma reorganização societária. A meta é concluir até o final de 2027 a separação entre as operações da Raízen Energia, que concentrará os negócios de açúcar, etanol e bioenergia, e da Raízen Combustíveis, responsável pela distribuição de combustíveis e lubrificantes licenciados da marca Shell.
Operação da Raízen no agro segue normalmente
Para o setor sucroenergético, a companhia ressaltou que a recuperação extrajudicial possui caráter exclusivamente financeiro. Dessa forma, obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros comerciais não fazem parte do processo e continuarão sendo cumpridas normalmente.
A manutenção das atividades é considerada fundamental para garantir a continuidade das operações industriais e agrícolas ligadas à produção de açúcar, etanol e bioenergia, áreas nas quais a Raízen figura entre as maiores empresas do país.
Governança mantida durante a reestruturação
A empresa informou ainda que a atual administração será mantida durante a implementação do plano. O diretor financeiro, Lorival Nogueira Luz Jr., também assumirá a função de Chief Restructuring Officer (CRO), cargo responsável por conduzir a execução da reestruturação financeira e operacional.
Agora, o plano seguirá para análise judicial. A legislação estabelece um prazo de 30 dias para que credores apresentem eventuais objeções antes da homologação. Até que essa etapa seja concluída, os efeitos da reestruturação dependerão da tramitação do processo e da implementação das medidas anunciadas pela companhia.
Fonte: Com informações do Estadão Conteúdo.
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