Escalas curtas, demanda internacional forte e expectativa de consumo na Copa do Mundo sustentam o mercado pecuário neste início de mês; arroba do boi gordo pode testar novos patamares
O mercado do boi gordo começou junho em um ambiente de maior equilíbrio entre oferta e demanda, consolidando a recuperação observada nos últimos dias de maio. Após semanas marcadas pela pressão da saída dos animais terminados a pasto, os frigoríficos voltaram a enfrentar dificuldades na composição das escalas de abate, cenário que tem contribuído para manter a arroba em patamares elevados em diversas regiões produtoras.
Embora as movimentações ainda sejam pontuais, os indicadores mostram que a pressão baixista perdeu força. Ao mesmo tempo, o forte desempenho das exportações brasileiras de carne bovina e a expectativa de aquecimento do consumo interno ao longo do mês criam um ambiente favorável para novas valorizações.
Mercado encontra ponto de equilíbrio após saída da safra de pasto
O principal fator que pressionou as cotações ao longo de maio foi a maior disponibilidade de animais terminados a pasto. Com a comercialização dessa oferta avançando, o mercado voltou a registrar um estreitamento na disponibilidade de bovinos prontos para abate.
Esse movimento obrigou diversas indústrias a aceitar preços mais elevados para garantir matéria-prima e manter o funcionamento das plantas frigoríficas.
Segundo levantamento das consultorias que acompanham o setor, a oferta disponível já não é tão confortável quanto no auge da safra, especialmente nas regiões que tradicionalmente abastecem o mercado exportador.
O resultado é um mercado mais equilibrado, com frigoríficos operando escalas consideradas relativamente curtas para o período, em média entre cinco e sete dias úteis.
Exportações seguem como principal motor da arroba
O fator mais importante para a sustentação do mercado continua vindo do exterior.
As exportações brasileiras de carne bovina permanecem em ritmo forte, impulsionadas pela demanda da China, dos Estados Unidos e de outros importantes compradores internacionais.
A expectativa do setor está concentrada especialmente nos desdobramentos das cotas chinesas de importação. O mercado monitora de perto o momento em que Pequim deverá comunicar o preenchimento de parte significativa da cota brasileira, o que poderá provocar ajustes nas estratégias de compra e abate das indústrias exportadoras.
Além da China, os embarques destinados aos Estados Unidos seguem em patamares elevados, ampliando a disputa pelos animais aptos à exportação.
Para analistas do mercado pecuário, essa combinação de demanda externa aquecida e oferta mais ajustada continua sendo o principal suporte para a arroba durante a entressafra.
Copa do Mundo pode fortalecer o consumo doméstico
Outro elemento observado pelos agentes do mercado é o potencial aumento do consumo interno ao longo de junho.
Tradicionalmente, grandes eventos esportivos geram incremento nas vendas de proteínas animais, especialmente para churrascos e confraternizações. Neste ano, a realização da Copa do Mundo adiciona um componente extra de expectativa para o varejo e para o atacado de carne bovina.
O pagamento dos salários no início do mês também tende a favorecer o fluxo de vendas no mercado interno, criando um ambiente mais favorável para a comercialização da carne.
Apesar disso, a proteína bovina ainda enfrenta forte concorrência do frango, que continua apresentando preços mais competitivos para o consumidor brasileiro.
Cotações do boi gordo pelo Brasil
Os preços seguem relativamente firmes nas principais praças pecuárias do país.
São Paulo
- Boi comum: entre R$ 345 e R$ 347/@
- Boi China: entre R$ 352 e R$ 355/@
Mato Grosso
- Média: R$ 354/@
Mato Grosso do Sul
- Média: R$ 352,70/@
Goiás
- Média: R$ 332,68/@
Minas Gerais
- Média: R$ 326,76/@
Os números demonstram que os estados mais ligados à exportação seguem apresentando maior sustentação nos preços, especialmente Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Mercado atacadista mantém estabilidade
No atacado, os preços iniciaram junho praticamente estáveis, mas existe expectativa de melhora da demanda ao longo da primeira quinzena.
Atualmente, os cortes seguem negociados próximos dos seguintes valores:
- Quarto traseiro: R$ 27,00/kg
- Quarto dianteiro: R$ 21,50/kg
- Ponta de agulha: R$ 19,50/kg
A evolução do consumo interno será determinante para definir se o atacado conseguirá repassar novos reajustes ao varejo nas próximas semanas.
Arroba pode voltar a testar níveis mais altos
A avaliação predominante entre consultorias e participantes do mercado é que o viés segue positivo para os preços.
A combinação entre oferta mais enxuta, exportações aquecidas, escalas de abate relativamente curtas e possível fortalecimento do consumo doméstico durante a Copa do Mundo cria condições para novas altas ao longo da entressafra.
Embora movimentos bruscos não sejam esperados neste momento, o mercado trabalha com a possibilidade de a arroba voltar a testar patamares próximos de R$ 360 a R$ 365 nas principais regiões produtoras caso o ritmo dos embarques continue acelerado e a oferta permaneça restrita.
Para o pecuarista, o início de junho sinaliza um cenário mais favorável aos preços do boi gordo do que o observado há poucas semanas. A atenção agora se volta para a evolução das exportações, o comportamento da demanda doméstica e a capacidade dos frigoríficos de recompor suas escalas sem pressionar ainda mais as cotações.
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