China suspende importação de carne bovina da JBS após detecção de progesterona em cargas

Embargo temporário em mais uma unidade da JBS atinge frigorífico de Vilhena (RO), dessa vez, após detecção de progesterona em cargas enviadas ao mercado chinês; número de plantas brasileiras suspensas sobe para cinco.

A China voltou a suspender temporariamente as importações de carne bovina de uma unidade frigorífica brasileira. Desta vez, a medida atingiu a planta da JBS localizada em Vilhena (RO), uma das principais unidades exportadoras da empresa na Região Norte. Segundo informações repassadas às autoridades brasileiras, a decisão foi motivada pela detecção de progesterona em cargas embarcadas para o mercado chinês.

A suspensão ocorre em um momento sensível para a indústria frigorífica nacional, que enfrenta desafios relacionados às cotas de exportação para a China, aumento dos custos operacionais e margens mais apertadas em um cenário de dólar mais fraco.

Cinco frigoríficos brasileiros estão suspensos

De acordo com informações encaminhadas pela Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC), atualmente cinco unidades frigoríficas brasileiras estão com as exportações de carne bovina suspensas para o mercado chinês. Entre elas estão duas plantas da JBS, além de unidades da Prima Foods, Frialto e SulBeef.

A unidade de Vilhena se soma à planta da JBS em Pontes e Lacerda (MT), que também teve suas vendas suspensas recentemente pelas autoridades chinesas.

Unidade da JBS de Vilhena (RO) tem capacidade para mais de mil animais por dia

A planta da JBS em Vilhena possui capacidade de abate de aproximadamente 1,1 mil cabeças de gado por dia, volume semelhante ao da unidade de Pontes e Lacerda. Apesar da suspensão, fontes do setor avaliam que parte do impacto poderá ser compensada pela recente reabilitação da unidade da empresa em Mozarlândia (GO), que voltou a ser autorizada a exportar para a China após permanecer suspensa desde março de 2025 por questões classificadas como “não conformidades”.

A planta goiana tem capacidade significativamente maior, podendo abater cerca de 2,5 mil cabeças por dia, o que ajuda a reduzir os impactos operacionais sobre a companhia.

Mercado chinês continua sendo estratégico para o Brasil

A China permanece como o principal destino da carne bovina brasileira. Atualmente, o Brasil conta com 67 plantas habilitadas a exportar para o mercado chinês. Recentemente, três unidades brasileiras voltaram a ser autorizadas após mais de um ano suspensas, incluindo a planta da JBS em Mozarlândia. Poucos dias depois, no entanto, novas suspensões foram anunciadas pelo governo chinês.

O movimento reforça o rigor dos controles sanitários e de qualidade adotados pelas autoridades chinesas, que seguem monitorando de perto os embarques brasileiros.

Cota chinesa e risco de sobretaxa preocupam frigoríficos

Além das suspensões, outro fator preocupa o setor exportador. Mais de 55% da cota chinesa de importação de carne bovina para 2026, estimada em 1,1 milhão de toneladas, já foi preenchida. Com isso, frigoríficos habilitados vêm limitando os negócios para embarques apenas até o final de junho.

A estratégia busca evitar que cargas desembarquem nos portos chineses após o esgotamento da cota autorizada, situação que poderia resultar em uma sobretaxa de até 55% sobre a proteína brasileira.

Sem a força do mercado chinês para absorver grandes volumes, analistas do setor avaliam que as margens da indústria frigorífica podem ficar ainda mais pressionadas ao longo do ano, especialmente diante da combinação entre custos elevados de produção e valorização do real frente ao dólar.

JBS não comentou o caso

Procurada para comentar a nova suspensão, a JBS não se manifestou publicamente sobre o assunto até o momento da publicação das informações. O espaço permanece aberto e o conteúdo será atualizado com novas informações, quando houver.

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