Produtores de leite do Grande Oeste de SC avançam na criação de entidade estadual

Movimento reúne sete associações regionais, lideranças e produtores para fortalecer a representatividade do setor e discutir soluções para os desafios da produção leiteira em Santa Catarina.

Representantes de sete associações de municípios do Oeste, Extremo Oeste, Meio-Oeste, Alto Irani, Alto Uruguai e Noroeste catarinense estiveram reunidos nesta terça-feira (12), na sede da AMOSC, em Chapecó, para iniciar a estruturação de uma entidade representativa dos produtores de leite. O encontro reuniu prefeitos, gestores municipais, secretários de Agricultura, representantes das associações regionais e produtores da cadeia leiteira, com o objetivo de fortalecer o setor e ampliar a representatividade dos produtores em nível estadual e nacional.

A condução dos trabalhos foi realizada pelo vice-presidente da AMOSC e  prefeito de Nova Itaberaba, Marciano Pagliarini, junto ao presidente da AMAI, prefeito de Lajeado Grande, Anderson Bianchi. Participaram do encontro representantes das associações AMEOSC, AMERIOS, AMNOROESTE, AMAI, AMOSC, AMAUC e AMMOC. Para o vice-presidente da AMOSC, Marciano Pagliarini, a união regional tende a fortalecer a cadeia produtiva do leite em todo o estado. “A união regional iniciada com sete associações vai fortalecer os produtores rurais destas regiões e ampliar as condições de desenvolvimento da atividade, buscando maior valorização e rentabilidade para um produto tão importante para a economia regional”, destacou Pagliarini.

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Entre os principais pontos debatidos estiveram a importância de uma entidade representativa estadual, a definição dos objetivos do grupo, a estruturação de uma coordenação provisória e as principais dificuldades enfrentadas pelos produtores de leite. Durante a reunião, o assessor jurídico da AMOSC, Fabiano Porto, apresentou a proposta de criação do Fórum Interassociativo da Cadeia Leiteira, que foi acolhida como medida inicial para fortalecer a representatividade dos produtores, ampliar o diálogo institucional e buscar soluções conjuntas para os desafios do setor.

Os encaminhamentos marcam o início de um trabalho coletivo que deverá avançar nos próximos meses, com reuniões regionais, formação de grupos técnicos, levantamento de dados da cadeia leiteira e construção de propostas voltadas à valorização dos produtores e ao fortalecimento da economia regional. A iniciativa busca unir associações de municípios, lideranças políticas, técnicos e entidades ligadas ao agro em um espaço permanente de diálogo, planejamento e defesa institucional da atividade leiteira catarinense.

Para dar início ao movimento, foram definidos representantes provisórios de cada associação regional, que terão a missão de conduzir as discussões iniciais nas suas regiões, atuar na articulação junto aos produtores e colaborar na construção da futura entidade representativa da produção leiteira.

A coordenação inicial ficou composta por:

AMEOSCAdriano Tessaro Produtor de leite Airton Fontana Secretário Executivo da AMEOSC
AMNOROESTEAdão dos Santos Produtor de leite Solange do Amaral Secretária Executiva da AMNOROESTE
AMOSC André Balestrini Produtor de leiteFabiano Porto
Assessor Jurídico da AMOSC
AMAIElisandro Arsego ProdutorAnderson Bianchi Presidente da AMAI
Prefeito de Lajeado Grande
AMAUCMichele Mores
Produtora de leite
Vinicius Cavalli Pozzo Secretário de agricultura
AMERIOSGelson Leviski Produtor de leiteZito Fernando Lunardi Produtor de leite
AMMOCRoberto Sergio Besen Prefeito de IbicaréFábio Lovatel Secretário de Agricultura e Meio Ambiente

Cenário da cadeia leiteira foi apresentado durante o encontro

Dados apresentados pelo assistente de pesquisa e mercado da Epagri/Cepa, Valmir Kretschmer, durante a reunião na AMOSC, demonstraram a relevância da cadeia produtiva do leite para Santa Catarina, para o Brasil e para o cenário mundial. Conforme os números apresentados, o Brasil ocupa atualmente a posição de 5º maior produtor de leite do mundo, sendo responsável por cerca de 4% da produção mundial e por 55% de toda a produção da América do Sul.

Os dados também apontam crescimento da produção brasileira entre 2024 e 2025. No cenário estadual, Santa Catarina aparece como o 4º maior produtor de leite do país, com participação aproximada de 9% da produção nacional, consolidando o estado como uma das principais referências do setor leiteiro brasileiro. Durante a apresentação, Valmir Kretschmer destacou que a cadeia produtiva do leite no Grande Oeste catarinense segue em expansão, mesmo após um longo período de instabilidade e baixa nos preços pagos ao produtor.

 Segundo ele, apesar da recente reação positiva no mercado, a expectativa é de que a ampliação da oferta de produção a partir dos próximos meses volte a pressionar os preços. “A cadeia produtiva do leite precisa conversar mais sobre custos de produção, alinhamentos do setor e também sobre estratégias para ampliar o consumo de leite e derivados em Santa Catarina. O crescimento da produção exige organização e diálogo entre produtores, lideranças e indústrias”, afirmou Kretschmer. A análise apresentada serviu como base para avançar no debate sobre a criação de uma entidade representativa estadual da produção leiteira, fortalecendo a articulação regional em defesa dos produtores. 

Movimento recebe apoio de lideranças, produtores e entidades regionais

O movimento segue aberto para produtores de leite, lideranças, entidades e representantes da cadeia produtiva interessados em participar da construção da futura entidade representativa estadual. Com a definição dos representantes provisórios de cada associação regional, os produtores poderão buscar informações e encaminhar demandas diretamente junto às associações de seus municípios e regiões.

O presidente da AMEOSC e prefeito de Iporã do Oeste, Michel Bath, destacou que uma das principais preocupações do setor é a insegurança econômica enfrentada pelos produtores. Pois os produtores têm enfrentado constantes oscilações de preços que dificultam o planejamento das propriedades e os investimentos na atividade leiteira. “Os produtores precisam ter participação efetiva nas discussões sobre preços e custos de produção, buscando mais segurança e estabilidade para continuar produzindo com qualidade”, afirmou Bath.

Para o produtor de Pinhalzinho e representante da AMOSC, André Balestrini, o movimento busca promover a integração entre os produtores e fortalecer toda a cadeia produtiva. “A união dos produtores pode transformar a cadeia leiteira em uma atividade mais forte, organizada e preparada para enfrentar dificuldades relacionadas a preços e comercialização”, afirmou Balestrini.

Representando a AMAUC, a produtora de leite e presidente da Câmara de Vereadores de Jaborá, Micheli Mores, destacou a importância de ampliar a valorização do leite e do produtor rural. “Precisamos transformar as discussões em ações concretas para fortalecer o setor leiteiro e garantir maior valorização ao produtor”, ressaltou Mores.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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