Especialista alerta para a queda no metabolismo dos peixes com a chegada do frio e orienta sobre os ajustes necessários no manejo e na nutrição para garantir a produtividade.
Outono traz desafios para alimentação, sanidade e uniformidade dos lotes, com reflexos na produtividade da atividade. A temperatura da água está entre os principais fatores que determinam o desempenho produtivo dos peixes por regular os processos fisiológicos, como respiração, digestão e reprodução. Os dados são da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Com a chegada do outono e a queda gradual das temperaturas, esse efeito tende a aumentar nos sistemas de produção. “Com temperaturas mais baixas, o produtor precisa redobrar a atenção, já que a água fria mexe com o metabolismo dos peixes e, na prática, prejudica o seu desenvolvimento“, explica Cleber Daniel Almeida, consultor técnico da MCassab Nutrição e Saúde Animal.
Isso acontece porque os peixes são animais pecilotérmicos, ou seja, sua temperatura corporal acompanha a do ambiente. “Quando a água esfria, há redução da taxa metabólica, afetando processos fisiológicos como digestão, absorção de nutrientes e atividade enzimática“, explica o especialista da MCassab. “Com o metabolismo mais lento, o crescimento diminui, já que a energia passa a ser direcionada para a manutenção do organismo e não para o ganho de peso.”
No dia a dia, essas mudanças são percebidas no comportamento dos animais. Os peixes tendem a reduzir a procura por alimento, ficando mais seletivos e concentrando a alimentação nos horários mais quentes do dia. Também é comum observar menor atividade natatória, letargia e permanência em áreas mais profundas dos viveiros, além de maior sensibilidade ao manejo. Para espécies como a tilápia, temperaturas abaixo de 23°C já começam a impactar negativamente o desempenho. No caso do tambaqui, ainda mais sensível ao frio, perdas produtivas podem ocorrer abaixo de 25°C.
Esse processo térmico afeta indicadores zootécnicos importantes. Há redução do ganho de peso, piora da conversão alimentar e aumento da desuniformidade dos lotes. Além disso, o período mais frio eleva o risco sanitário. “Com a queda da temperatura, há redução da eficiência do sistema imunológico dos peixes, o que aumenta a incidência de doenças oportunistas, principalmente bacterioses“, destaca Almeida. Ainda, podem aparecer com mais frequência problemas nas brânquias e na pele, principalmente em espécies originárias de regiões mais quentes, como as amazônicas.
Para reduzir esses impactos, é essencial ajustar a alimentação dos peixes. O ideal é oferecer ração na quantidade certa e observar como eles estão comendo, evitando sobras na água. Também é importante concentrar a alimentação nos horários mais quentes do dia, quando os peixes estão mais ativos. Rações de fácil digestão ajudam a manter o desempenho mesmo em temperaturas mais baixas.
“Não dá para manter o mesmo manejo do verão. Ajustar a alimentação, buscando apoio técnico, faz toda a diferença para superar esse período com mais segurança”, finaliza Cleber Almeida.
VEJA MAIS:
- O erro invisível no pós-colheita: Como a posição da banana pode estar “comendo” sua margem de lucro
- Mães da pecuária: mulheres conciliam gestão de fazendas e criação dos filhos em MT
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.