Fruta com 93 centímetros de circunferência e histórico de superprodução agropecuária chamam a atenção de especialistas para a riqueza mineral e o potencial oculto do solo em Mato Grosso do Sul
Enquanto o agronegócio de Mato Grosso do Sul consolida sua liderança na exportação de grãos e celulose, o cinturão produtivo de pequenas propriedades revela fenômenos que desafiam as médias estatísticas do campo. O caso mais recente envolve uma jaca gigante encontrada em Rochedo, município situado a cerca de 80 km da capital Campo Grande. O fruto, que apresentou impressionantes 74 centímetros de altura e 93 centímetros de circunferência, foi recebido pela dona de casa Jane Conegundes, de 50 anos.
A descoberta reacendeu discussões técnicas e mitos populares sobre a composição do solo local, tradicionalmente associado à riqueza mineral devido ao seu histórico econômico ligado ao garimpo de diamantes.
Geologia e ciência por trás da jaca gigante encontrada em Rochedo
Para compreender a magnitude do exemplar, a jaca (Artocarpus heterophyllus), nativa da Índia, pesa em média entre 10 kg e 25 kg em condições normais de cultivo no Brasil. Embora o peso exato do fruto de Rochedo não tenha sido aferido antes do consumo, suas dimensões lineares sugerem uma massa que supera com folga os 40 kg, enquadrando-a como uma anomalia botânica positiva.
Análises agronômicas preliminares de casos semelhantes apontam que o gigantismo vegetal não decorre de mutações isoladas, mas sim de uma convergência ideal de fatores:
- Disponibilidade de Micronutrientes: Solos com alta concentração de fósforo (P), potássio (K) e matéria orgânica profunda favorecem o pleno desenvolvimento celular dos frutos.
- Manejo Orgânico Passivo: A proprietária da árvore frutífera relatou que nenhuma intervenção química ou fertilizante sintético foi utilizado, o que indica uma alta eficiência adaptativa do sistema radicular da planta ao ecossistema local.
- Regime Hídrico: A bacia hidrográfica da região, combinada com o lençol freático rico em minerais, fornece o aporte de água necessário para a expansão volumétrica rápida do fruto durante a fase de frutificação.
Fatores genéticos versus manejo de solo

O fenômeno verificado na flora de Rochedo encontra paralelo direto na produção animal da região. Relatos consolidados por produtores locais apontam para um histórico de superprodução que desafia os índices zootécnicos convencionais. O pecuarista Laerte Sandin registrou a criação de um suíno que atingiu a marca de 28 arrobas e 4 quilos — o equivalente a mais de 424 kg — com apenas nove meses de engorda.
“Foi o maior animal que já criei na região. Em termos de rendimento físico, enquanto um suíno padrão de granja rende entre 3 e 4 latas de banha, este exemplar entregou 11 latas, superando o dobro da média de mercado”, explicou Sandin.
Especialistas em zootecnia explicam que, embora a genética do animal desempenhe um papel crucial, a bioassimilação de nutrientes pastados ou cultivados em solos altamente mineralizados acelera a taxa de conversão alimentar. Isso justifica o ganho de peso hiperbólico observado em ciclos de tempo relativamente curtos.
Tradição mineral de Rochedo e o impacto no agronegócio local
A sabedoria popular frequentemente atribui o tamanho desproporcional dos alimentos à presença de jazidas de pedras preciosas no subsolo. “Aqui é terra de diamantes. Vai saber se não é isso que deixa a terra forte desse jeito”, pondera Jane Conegundes.

Sob a ótica da geologia econômica, a correlação faz sentido estrutural. Rochedo está inserida em uma zona de transição geológica com forte presença de rochas basálticas e depósitos aluviais antigos. A decomposição do basalto dá origem à chamada “terra roxa” (latossolo vermelho), um dos solos mais férteis do planeta, rico em ferro, magnésio e basalto fragmentado, elementos essenciais para o vigor vegetativo.
A recorrência de hortaliças gigantes — como mandiocas colossais e batatas-doce comparáveis ao tamanho de recém-nascidos — reforça a necessidade de mapeamento de solo mais aprofundado na região. O fenômeno abre portas para o fortalecimento da agricultura familiar e da fruticultura de alto rendimento, provando que o valor da terra em Mato Grosso do Sul vai muito além das grandes extensões de monocultura.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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