Pecuarista pode continuar usando virginiamicina até outubro, esclarece diretor da Phibro

Em entrevista exclusiva ao CompreRural, Cleocy Junior afirma que a Portaria 1.617 do MAPA prevê período de transição até 23 de outubro e nega interrupção imediata do uso da molécula nos confinamentos

A publicação da Portaria 1.617/2026 pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que proíbe aditivos melhoradores de desempenho contendo antimicrobianos classificados como críticos para a medicina humana e veterinária, gerou forte repercussão no setor pecuário nas últimas semanas. Entre as moléculas atingidas está a virginiamicina, amplamente utilizada na nutrição animal, especialmente em confinamentos bovinos.

Em entrevista exclusiva ao CompreRural, Cleocy Junior, diretor da Phibro Animal Health, buscou esclarecer os principais pontos da medida e tranquilizar os pecuaristas brasileiros diante da onda de desinformação que tomou conta do mercado.

Segundo ele, o principal recado ao produtor é claro: a utilização da virginiamicina como aditivo melhorador de desempenho segue permitida até o dia 23 de outubro de 2026.

“O produtor pode continuar utilizando normalmente até 23 de outubro. Pode produzir ração, premix e seguir os programas nutricionais sem nenhum problema. Isso está autorizado pelo MAPA”, afirmou Cleocy.

O executivo destacou que a portaria não determinou interrupção imediata do uso dos produtos já existentes no mercado, justamente para evitar prejuízos à cadeia produtiva. “O MAPA foi muito inteligente em criar um período de transição. Se houvesse uma interrupção abrupta, os impactos seriam enormes para toda a cadeia, desde fábricas de ração até confinadores com animais já adaptados aos programas nutricionais”, explicou.

A medida acompanha uma tendência internacional de restrição ao uso de antimicrobianos como promotores de desempenho animal, alinhando o Brasil às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e ao conceito de Saúde Única, que integra saúde animal, humana e ambiental.

“Isso já vinha sendo discutido há bastante tempo. O MAPA buscou alinhamento com práticas globais e com o uso responsável de antimicrobianos”, disse o diretor da Phibro.

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Foto: Divulgação

Impacto na produtividade preocupa setor

Cleocy reconheceu que os aditivos possuem papel importante nos ganhos de produtividade da pecuária moderna e alertou que mudanças bruscas poderiam elevar os custos de produção. “Sem dúvida nenhuma os aditivos têm impacto em produtividade. Uma retirada sem planejamento pode gerar queda de desempenho e aumento no custo de produção”, ressaltou.

No caso específico da virginiamicina, ele afirmou que ainda não existe no mercado outra molécula com a mesma eficiência no controle da acidose ruminal em bovinos confinados. “Hoje não existe nenhuma outra molécula que faça o que a virginiamicina faz no controle da acidose”, afirmou.

Uso terapêutico deve continuar

Apesar da restrição ao uso como melhorador de desempenho, a expectativa da Phibro é que a molécula continue disponível para uso terapêutico mediante prescrição veterinária.

Segundo Cleocy, a empresa já possui um processo em tramitação junto ao MAPA para registro terapêutico da virginiamicina, atualmente em fase final de avaliação. “A gente acredita que nos próximos 90 dias esse processo possa avançar. Como terapêutico, ela continuará sendo uma ferramenta importante para os produtores”, explicou.

Nesse novo formato, o uso passaria a exigir receituário veterinário e controle mais rigoroso.

“Molécula extremamente segura”

Outro ponto enfatizado pelo executivo foi a segurança da molécula em relação à carne destinada ao consumo humano. Segundo ele, existe grande confusão sobre o tema.

A virginiamicina é uma molécula extremamente segura. Ela não deixa resíduos na carne e não é absorvida pelos tecidos do animal”, destacou.

Cleocy explicou que a restrição ocorre porque a molécula foi utilizada no passado em aplicações hospitalares, o que levou sua classificação pela OMS como antimicrobiano crítico.

Fake news aumentaram insegurança no mercado

Durante a entrevista, o diretor da Phibro também criticou a disseminação de informações incorretas após a publicação da portaria. “O que teve de desinformação foi absurdo. Muita gente falou em interrupção imediata do uso, o que não é verdade”, afirmou.

Ele ainda comentou a confusão envolvendo regras da União Europeia para exportação de carne bovina, esclarecendo que as discussões são distintas.

“Muita gente confundiu a portaria brasileira com exigências europeias e disse que animais que consumiram virginiamicina não poderiam ser exportados. Isso gerou ainda mais insegurança”, explicou.

O que muda na prática

Com a publicação do Ofício Circular nº 29/2026 do MAPA, ficou estabelecido que:

  • a fabricação de novos lotes do aditivo contendo virginiamicina está proibida desde 27 de abril;
  • estoques fabricados anteriormente podem ser comercializados e utilizados até 23 de outubro de 2026;
  • rações, premixes e suplementos contendo o aditivo também podem ser fabricados e utilizados até essa data;
  • após o prazo, os estoques remanescentes deverão ser recolhidos.

Para os confinadores, a principal orientação segue sendo manter os programas nutricionais normalmente durante o período de transição e iniciar o planejamento para as mudanças futuras.

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