Fertilizantes caros, margens apertadas e possibilidade de El Niño aumentam cautela dos produtores, apesar da demanda firme pela oleaginosa.
A área plantada de soja no Brasil deve voltar a crescer na safra 2026/27, mas em ritmo moderado. A combinação entre custos elevados de produção, pressão sobre as margens do produtor e riscos climáticos ligados ao possível retorno do El Niño deve limitar uma expansão mais forte da cultura no próximo ciclo.
A avaliação foi apresentada por analistas do mercado de grãos durante evento realizado em São Paulo e reforça o cenário de maior cautela no planejamento da nova safra, principalmente em Mato Grosso, principal estado produtor do país.
Crescimento deve ser pequeno
As primeiras estimativas indicam que a expansão da área cultivada será marginal. Em Mato Grosso, por exemplo, a projeção inicial aponta aumento inferior a 0,3% na área de soja, percentual considerado baixo para os padrões recentes de crescimento da cultura.
Mesmo assim, o mercado ainda vê tendência positiva para a oleaginosa devido à demanda internacional aquecida, principalmente da China, além do avanço do processamento interno ligado ao biodiesel.
Executivos do setor avaliam que a área nacional dificilmente deve recuar, mas o crescimento tende a ser limitado pelas condições econômicas enfrentadas pelo produtor.
Fertilizantes seguem pressionando custos
Um dos principais fatores de preocupação é o mercado de fertilizantes, especialmente os fosfatados, amplamente utilizados na soja.
Problemas logísticos na Arábia Saudita, redução da produção no Marrocos, suspensão de exportações pela China e alta do enxofre no mercado internacional aumentaram os custos dos insumos e pioraram a relação de troca para o agricultor brasileiro.
Segundo analistas, o indicador atual é considerado um dos mais desfavoráveis desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.
O impacto já aparece nas negociações antecipadas. Até o fim de abril, menos de 50% do volume previsto de fertilizantes para a safra 2026/27 havia sido adquirido pelos produtores, abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
Clima preocupa produtores
Outro ponto de atenção é o clima. Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam elevada probabilidade de formação do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026.
O fenômeno costuma provocar redução das chuvas em parte do Centro-Oeste e aumento das precipitações no Sul do Brasil justamente durante o período de plantio da soja.
A possibilidade de irregularidade climática aumenta o receio sobre perdas de produtividade, principalmente em regiões mais dependentes de chuvas regulares no início da safra.
Mercado global segue influenciando preços
Além dos desafios internos, o produtor brasileiro também enfrenta um cenário internacional de ampla oferta global de soja.
Analistas apontam que o crescimento da produção na América do Sul e a demanda moderada da China mantêm pressão sobre os preços da commodity, mesmo com episódios de alta provocados por fatores geopolíticos e oscilações no petróleo.
O mercado também acompanha a disputa por área entre soja e milho nos Estados Unidos, fator que pode alterar a dinâmica global de oferta e preços ao longo do ciclo 2026/27.
Apesar das incertezas, o Brasil deve continuar como principal fornecedor mundial da oleaginosa, sustentado pela competitividade do setor e pela forte demanda externa.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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