Especialista destaca práticas e nutrientes que favorecem o metabolismo da planta e aumentam a qualidade na safra de cana-de-açúcar.
A safra de cana-de-açúcar em São Paulo atravessa uma fase crucial em que decisões estratégicas no manejo nutricional e fitossanitário podem definir a produtividade e a qualidade final da colheita. Mateus Bis, que é agrônomo e coordenador técnico de mercado da Nitro, produtora de insumos de nutrição e biológicos para agricultura, aponta que a priorização de nutrientes como zinco, cobre, manganês e magnésio é fundamental para estimular o metabolismo da planta, fortalecer sua estrutura e otimizar o acúmulo de sacarose no colmo.
“Esses micronutrientes desempenham papéis críticos no metabolismo da planta, especialmente na rota do ácido chiquímico (ACH), que promove a produção de lignina, uma substância essencial para a defesa estrutural e sanidade da cana. Quando a planta está mais estruturada e saudável, ela está mais preparada para maximizar o processo de acumulação de açúcar”, explica Mateus. Ele reforça que o equilíbrio nutricional, com produtos bem formulados e que integram diferentes nutrientes, é essencial nesta etapa.
Além disso, o uso de maturadores e inibidores de florescimento é relevante para as variedades precoces, que abrirão a safra. De acordo com Mateus, as chuvas intensas dos últimos meses favoreceram o crescimento vegetativo da cana-de-açúcar, mas, para garantir um teor elevado de ATR (Açúcar Total Recuperável) no início da safra, é necessário aplicar maturadores que incentivem a planta a acumular açúcar em vez de continuar vegetando. “O ideal é realizar essas aplicações entre março e maio, ajudando a planta a direcionar seus recursos para o colmo e aumentar o ATR, que é a principal métrica de rentabilidade para o produtor”, ressalta.
Outro ponto destacado pelo agrônomo é a importância de ajustar o manejo às condições climáticas e às características da lavoura. Nas variedades precoces, que estão no final da fase de crescimento vegetativo, o foco deve ser o acúmulo de açúcar e a translocação eficiente de sacarose para o colmo. “Nutrientes como magnésio e potássio são indispensáveis nessa etapa. O magnésio atua diretamente na fotossíntese, enquanto o potássio funciona como uma bomba osmótica, regulando a abertura dos estômatos e facilitando a translocação dos fotossimilados no xilema e no floema, maximizando a eficiência da planta”, detalha.
O especialista também enfatiza a necessidade de monitoramento constante do estado nutricional da cana-de-açúcar por meio de indicadores como teor de sacarose (ATR), área foliar, alongamento e diâmetro do colmo. “Entender como a planta está reagindo ao manejo permite ajustes em tempo real, o que é essencial para alcançar altos índices de produtividade e qualidade”, afirma.
Mateus finaliza destacando que o uso de tecnologias avançadas e manejo integrado otimiza o desempenho da lavoura e aumenta a sustentabilidade do sistema produtivo. “Com estratégias bem planejadas e uma visão técnica apurada, o produtor consegue enfrentar os desafios climáticos e fitossanitários, garantindo uma safra com alta qualidade e rentabilidade”, concluí.
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