A quem interessa impedir o desenvolvimento da pecuária asinina no Brasil?

Defensores da cadeia produtiva dos asininos afirmam que dados incompletos e narrativas sem respaldo técnico dificultam investimentos, pesquisa e o aproveitamento econômico sustentável dos jumentos no semiárido brasileiro

Por Alex Bastos – O Brasil experimenta exitosos avanços na produção de proteínas animal. Amplia sua presença nos mercados globais de proteína animal e fortalece cada dia mais suas cadeias produtivas. Na atualidade, a pecuária asinina surge como uma nova cadeia produtiva, com imenso potencial econômico e social para as áreas do semiárido. A organização dessa cadeia pode impulsionar a produção de leite, carne, colágeno e material genético, gerando emprego, renda e oportunidades, especialmente no semiárido nordestino.

Apesar do cerco de organizações que tentam propagar dados incorretos e desinformação, o segmento vem avançando. Estas instituições, mesmo sem dados oficiais da população de jumentos, tentam consolidar um cenário não produtivo, de escassez e atraso, divulgando números não oficiais e sem critérios técnicos, tentando construir nos últimos anos uma narrativa de que os jumentos estariam em risco iminente de extinção.

O problema maior é que os dados utilizados pelas ongs, muitas vezes, desconsideram uma realidade conhecida por pesquisadores e produtores, que é o real sub-registro da espécie ao longo de mais de 50 anos de abandono.

Com a mecanização do campo, os jumentos perderam espaço nas atividades rurais, sem função social. Muitos deixaram de ser contabilizados formalmente nos cadastros oficiais. Com o abandono, passaram a viver soltos nas margens de rios, praias, cursos d’águas, vias e rodovias. Assim, a queda dos registros oficiais não representa necessariamente uma redução proporcional da população.

Outro equívoco recorrente é confundir abandono com extinção. A menor presença dos animais nas frentes de trabalho tradicionais reflete mudanças econômicas e tecnológicas ocorridas nas últimas décadas, mas não comprova o desaparecimento biológico da espécie. A conta diminutiva não encontra respaldo de números nos abates oficiais. Tratar essa situação como uma sentença de extinção acaba distorcendo o debate e dificultando soluções efetivas.

As consequências são significativas. Projetos de pesquisa, conservação genética e reprodução assistida enfrentam resistência justamente quando poderiam contribuir para a preservação e expansão qualificada dos rebanhos. Tecnologias modernas, como a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI), representam ferramentas importantes para conservar linhagens e ampliar a variabilidade genética dos animais.

A desinformação também afeta a agroindústria. O aproveitamento de produtos derivados de asininos é regulamentado pelo Ministério da Agricultura e segue rigorosos padrões sanitários previstos no Riispoa (Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal). Ainda assim, a disseminação de informações imprecisas afasta investimentos, dificulta a estruturação da cadeia produtiva e reduz oportunidades para produtores e empreendedores.

O resultado é paradoxal. Ao impedir a organização do setor, aumentam a desvalorização dos asininos, o risco de abandono, a informalidade.

A preservação dos jumentos não deve ser construída a partir de mitos, ideologia vegana ou estatísticas incompletas. Ela depende de pesquisa, manejo responsável, melhoramento genético e políticas públicas baseadas em evidências. Mais do que proteger uma espécie, trata-se de criar condições para que ela tenha futuro econômico e social, contribuindo para o desenvolvimento sustentável de regiões que historicamente ajudou a construir.

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