Fenômeno das arenas, lendário touro 247 Pegasus que ficou a apenas 0,01 ponto do título mundial enfrentava uma grave infecção há mais de um ano; sua genética e sua história devem perpetuar seu nome por gerações nas arenas de rodeio do mundo e na PBR
O universo do rodeio mundial amanheceu de luto. Um dos animais mais admirados da atualidade, o lendário touro 247 Pegasus, morreu após uma longa e intensa batalha contra uma grave infecção que comprometeu seu crânio e exigiu procedimentos médicos complexos ao longo dos últimos meses. Considerado por muitos como o maior nome do rodeio contemporâneo, Pegasus deixa um legado construído dentro das arenas, mas também uma história de superação, coragem e conexão rara entre um animal atleta e as pessoas que cuidavam dele.
A notícia foi confirmada pelo McCoy Ranch, propriedade responsável por sua campanha esportiva ao lado de Spencer Neil. Nos últimos dias, milhares de fãs acompanhavam pelas redes sociais as atualizações sobre seu estado de saúde, torcendo para que o touro que desafiava limites conseguisse vencer mais uma batalha. Desta vez, porém, nem mesmo a força que o tornou uma lenda foi suficiente.
O touro 247 Pegasus que voava sem asas
O nome Pegasus não foi escolhido por acaso.
Na mitologia grega, Pégaso é o cavalo alado símbolo de força, liberdade e imortalidade. Dentro das arenas da PBR, o touro carregava exatamente essa essência. Sempre que a porteira se abria, ele parecia desafiar a gravidade.
Com apenas um chifre, porte físico menor que muitos adversários e uma explosão impressionante nos pulos, Pegasus se transformou em um dos animais mais respeitados do esporte.
Nos bastidores, porém, era conhecido por outro motivo.
Seu temperamento dócil conquistava funcionários, veterinários, tropeiros e competidores.
“Nosso precioso Pegasus”, costumava dizer Sara McCoy, uma das pessoas que mais acompanhou sua trajetória.

Uma disputa histórica decidida por apenas 0,01 ponto
Poucos animais chegaram tão perto da consagração máxima quanto Pegasus.
Na temporada 2026 da Professional Bull Riders (PBR), ele travou uma disputa eletrizante com o touro Ransom pelo título de melhor touro do mundo.
Quando a contagem final foi encerrada durante as Finais Mundiais da PBR, em Fort Worth, no Texas, a diferença foi praticamente imperceptível.
- Ransom: média de 45,96 pontos;
- Pegasus: média de 45,95 pontos.
A distância entre o título e o vice-campeonato foi de apenas 0,01 ponto.
Mesmo sem levantar o troféu, Pegasus encerrou o ano com números impressionantes:
- Média geral de 45,95 pontos;
- Melhor nota da temporada: 46,8 pontos;
- 17 apresentações;
- Taxa de derrubada de competidores de 76,47%.
Números que o colocaram entre os animais mais dominantes do planeta.

Parceiro de momentos históricos
Pegasus não ficou conhecido apenas por derrubar competidores.
Ele também ajudou a construir algumas das maiores notas da carreira de importantes atletas da modalidade.
Entre elas, o recorde pessoal do brasileiro Dener Barbosa, que alcançou 93,1 pontos montando no fenômeno.
Outro momento marcante aconteceu com o ex-campeão mundial Daylon Swearingen, que enfrentou Pegasus em diferentes oportunidades e protagonizou alguns dos duelos mais memoráveis dos últimos anos.
Após a morte do touro, Swearingen prestou homenagem:
“Pegasus era um touro especial. Seu legado continuará vivo através dos seus filhos. Espero um dia ter a oportunidade de montar em um de seus descendentes.”

A batalha silenciosa que poucos conheciam de 247 Pegasus
Enquanto os fãs acompanhavam apenas as apresentações nas arenas, uma luta muito mais difícil acontecia nos bastidores.
Segundo o McCoy Ranch, os primeiros sinais apareceram ainda antes das Finais Mundiais de 2025.
Inicialmente, parecia apenas uma infecção em um dos chifres.
Veterinários decidiram remover a estrutura, mas exames mais aprofundados revelaram um problema muito mais grave.
A infecção já havia avançado para os seios da face e começava a comprometer estruturas ósseas do crânio.
A partir daquele momento, a rotina da equipe mudou completamente.
Foram mais de 365 dias de monitoramento constante, tratamentos diários, drenagens manuais, viagens a especialistas e acompanhamento veterinário intensivo.
“Ele provavelmente era o único touro do mundo que tinha seu próprio mordomo durante um ano inteiro”, brincou Cord McCoy ao descrever o nível de atenção que Pegasus recebia.
Uma cirurgia que mobilizou 30 profissionais
Após as Finais Mundiais de 2026, o quadro clínico piorou drasticamente.
Em questão de horas, a infecção provocou um aumento severo da pressão intracraniana.
A cabeça começou a inchar.
Um dos olhos foi comprometido.
Pegasus foi levado às pressas para a Texas A&M University, uma das mais respeitadas instituições veterinárias dos Estados Unidos.
O procedimento que se seguiu impressionou até mesmo especialistas.
Cerca de 30 profissionais participaram da operação.
Três cirurgiões trabalharam simultaneamente para acessar as áreas afetadas.
Diversas aberturas ósseas precisaram ser realizadas para alcançar as cavidades infectadas.
Apesar dos esforços, os danos eram extensos.
Seu olho direito precisou ser removido.
Ainda assim, Pegasus voltou a surpreender.
Após a cirurgia, conseguiu se levantar sozinho, voltou a comer e deu os primeiros passos da recuperação.
Por alguns dias, a esperança de vê-lo retornar ao rancho permaneceu viva.
O adeus que ninguém queria receber
Sara McCoy estava a caminho da universidade quando recebeu a ligação.
Pegasus não resistiu.
A despedida precisou acontecer à distância.
Para a família, a dor foi semelhante à perda de um membro da casa.
A filha dos McCoy, Tulsa, desenhou o touro com seu único chifre, sua marca e seu número, acrescentando uma pequena lápide com a frase “Rest in Peace”.
Uma forma infantil de compreender uma perda que abalou profundamente toda a família.

O legado que continuará nas próximas gerações
Embora sua carreira esportiva tenha chegado ao fim, a influência de Pegasus está longe de terminar.
Antes de sua morte, a equipe conseguiu coletar e armazenar material genético do animal.
Parte desse material já havia sido comercializada no mercado norte-americano.
Outra parcela permanecerá sob controle do McCoy Ranch.
Segundo Cord McCoy, cerca de 50 novilhas já foram programadas para receber inseminação artificial utilizando a genética de Pegasus.
Os primeiros filhos devem nascer em 2027.
Para Sara, essa é a maior prova de que ele continuará presente.
“Mesmo que sejam apenas metade do que ele foi, já será algo extraordinário.”
247 Pegasus: De vice-campeão mundial a lenda eterna
Criado por Ken King, da Box K, Pegasus carregava uma genética de elite.
Era filho de 455 Buckeye, antigo Touro do Ano da PRCA, e descendente de linhagens consagradas como Panhandle Slim, Moody Blues e Texas Twister.
Mas sua grandeza não foi construída apenas no pedigree.
Ela nasceu da combinação entre talento, coragem, resistência e uma personalidade que conquistou milhares de pessoas ao redor do mundo.
Pegasus encerra sua trajetória como vice-campeão mundial, mas sua história jamais será medida por uma diferença de 0,01 ponto.
Para os fãs do rodeio, para os competidores que o enfrentaram e para a família que lutou ao seu lado até o último instante, ele será lembrado como algo muito maior:
um dos touros mais especiais que a história da montaria já viu.
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