De soja e milho a carnes, café e açúcar, países que estarão na Copa de 2026 também figuram entre importantes clientes do agronegócio nacional
A Copa do Mundo de 2026 reunirá 48 seleções de todos os continentes nos gramados dos Estados Unidos, México e Canadá. Mas, além da disputa esportiva, o torneio revela uma conexão pouco observada pelo público: a forte presença do agronegócio brasileiro nas economias de grande parte dos países participantes.
Enquanto os atletas se preparam para a maior competição do futebol mundial, dezenas de nações classificadas para o Mundial mantêm relações comerciais expressivas com o Brasil, importando bilhões de dólares em soja, milho, carnes, café, açúcar, algodão, celulose e diversos outros produtos agropecuários.
Entre os participantes da Copa, os Estados Unidos aparecem como um dos principais compradores do agro brasileiro, movimentando entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões por ano. O mercado norte-americano é um importante destino para café, suco de laranja, carne bovina, açúcar, celulose e etanol produzidos no Brasil.
O México também se destaca como parceiro estratégico. O país importa grandes volumes de milho, soja, carne bovina e carne de frango, gerando um fluxo comercial que varia entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões anuais. Já o Canadá, outro anfitrião da Copa, mantém compras de café, açúcar e alimentos industrializados brasileiros, com movimentação próxima de US$ 2 bilhões por ano.
Na Ásia, o Japão segue como um dos mercados mais tradicionais para o agronegócio nacional. O país compra carne de frango, café, milho, soja e celulose, movimentando cerca de US$ 5 bilhões anuais. A Coreia do Sul também possui forte participação nas importações de milho, soja, café e proteínas animais brasileiras, com negócios superiores a US$ 3 bilhões por ano.
No Oriente Médio, a Arábia Saudita se consolidou como um dos principais destinos da carne de frango produzida no Brasil. O país também importa açúcar, milho e soja, gerando um fluxo comercial que gira em torno de US$ 4 bilhões anuais. Outros classificados para o Mundial, como Catar, Irã, Iraque e Jordânia, mantêm compras relevantes de grãos, proteínas e derivados agrícolas brasileiros.
A África também marca presença entre os compradores do agro nacional. O Egito, por exemplo, importa grandes quantidades de milho, soja, açúcar e carne bovina, movimentando mais de US$ 2 bilhões por ano. A Argélia apresenta perfil semelhante, concentrando suas compras em cereais e açúcar. Marrocos, Tunísia, Senegal, Gana, Costa do Marfim, África do Sul, República Democrática do Congo e Cabo Verde também mantêm relações comerciais com o Brasil, especialmente em alimentos, grãos e proteínas animais.
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Na Europa, diversos países classificados para a Copa figuram entre os mercados mais importantes para produtos brasileiros de maior valor agregado. Os Países Baixos, tradicional porta de entrada de mercadorias para o continente, movimentam entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões anuais em compras de soja, café, carnes e produtos florestais. A Espanha aparece logo atrás, com importações relevantes de soja, milho, carnes e café.
A Alemanha continua sendo um importante destino para café, suco de laranja, soja e celulose brasileiros, enquanto a França mantém compras de café, alimentos industrializados e derivados da soja. Portugal segue como um parceiro histórico para produtos alimentícios brasileiros, especialmente café, açúcar e carnes.
Outros europeus classificados para o Mundial também mantêm intercâmbio comercial com o agronegócio nacional. É o caso de Bélgica, Croácia, Suíça, Áustria, Suécia, Noruega, República Tcheca, Turquia e Bósnia e Herzegovina, que importam principalmente café, soja, algodão, sucos, proteínas animais e produtos processados.
Na América do Sul, além do Brasil, países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Colômbia e Equador mantêm relações comerciais constantes com o setor agropecuário brasileiro. Embora os volumes sejam menores quando comparados aos grandes mercados globais, esses países compram desde insumos agrícolas até alimentos industrializados, grãos e proteínas.
Somados, os países classificados para a Copa do Mundo representam uma parcela significativa das exportações brasileiras do agronegócio. Muitos deles figuram entre os maiores clientes do Brasil e ajudam a sustentar um setor que responde por quase metade das exportações nacionais.
Curiosidades da Copa do Agro
Se existisse uma seleção campeã entre os produtos exportados pelo Brasil, a soja seria a grande estrela do torneio. O grão está presente na pauta de importação da maioria dos países classificados para a Copa e continua sendo o principal produto do agronegócio nacional no mercado internacional.
O café brasileiro também faria bonito na competição. Praticamente todos os continentes representados no Mundial consomem o produto, desde países tradicionais da Europa até mercados da América do Norte, Ásia e Oriente Médio.
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Outra curiosidade envolve a carne de frango. O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais da proteína, e diversas seleções classificadas para a Copa — como Japão, Arábia Saudita, México e vários países africanos — estão entre seus principais compradores.
Os Países Baixos merecem destaque especial. Apesar do território reduzido e da população relativamente pequena, o país figura entre os maiores importadores de produtos brasileiros por funcionar como um importante centro logístico de distribuição para toda a Europa.
Por fim, o Mundial de 2026 poderá ser visto também como uma vitrine global do agronegócio brasileiro. Em praticamente todos os grupos da competição haverá países que consomem diariamente produtos cultivados ou produzidos no Brasil, demonstrando a força e a capilaridade do setor no comércio internacional.
Enquanto a bola rola nos estádios da América do Norte, navios carregados de soja, milho, café, carnes, açúcar e algodão continuarão cruzando oceanos rumo a países que, além de adversários dentro de campo, são importantes parceiros comerciais do agro brasileiro.
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