Da Copa do Mundo ao agronegócio: ex-jogadores transformam fama no futebol em negócios milionários no campo

Vinícolas, fazendas, pecuária e turismo rural entram no radar de ex-atletas da Copa do Mundo que encontraram no agro uma forma de diversificar patrimônio, preservar tradições familiares e construir marcas globais fora dos gramados

O agronegócio mundial tem atraído um perfil de investidor cada vez mais diverso — e entre eles estão antigos protagonistas da Copa do Mundo de Futebol. Ex-jogadores que marcaram gerações no futebol internacional vêm transformando parte de suas fortunas em negócios ligados ao campo, apostando principalmente em vinícolas, pecuária, turismo rural e propriedades agrícolas de alto padrão.

O movimento vai além de hobby ou investimento ocasional. Em muitos casos, o agro passou a ocupar posição estratégica na vida desses atletas após a aposentadoria, funcionando como uma combinação entre patrimônio, legado familiar, marca pessoal e geração de renda de longo prazo. A tendência também revela como o campo ganhou status global, atraindo empresários, celebridades e investidores que enxergam na terra um ativo mais seguro em períodos de instabilidade econômica.

Entre os nomes que fizeram essa transição estão campeões mundiais, ídolos sul-americanos e estrelas europeias que hoje administram desde vinhedos até fazendas com milhares de hectares. Da Copa do Mundo ao agronegócio, confira:

Agro deixou de ser “plano B” e virou estratégia patrimonial global, até para jogadores da Copa do Mundo

Nos últimos anos, propriedades rurais passaram a ocupar espaço importante nas carteiras de investimento de milionários ao redor do mundo. A valorização das commodities agrícolas, a segurança patrimonial da terra e o crescimento do mercado premium de alimentos e bebidas impulsionaram esse movimento.

No caso de atletas de elite, existe ainda um fator emocional relevante: muitos deles cresceram em regiões rurais ou possuem forte ligação familiar com o campo. O investimento no agro acaba funcionando também como forma de preservação de identidade cultural e conexão com suas origens.

Além disso, há uma percepção crescente de que o agronegócio oferece oportunidades de negócios mais resilientes do que setores extremamente voláteis, como mídia, entretenimento ou ativos digitais.

Essa lógica ajuda a explicar por que ex-jogadores passaram a investir em setores ligados à produção de vinho, pecuária, turismo enogastronômico e propriedades agrícolas de grande porte.

Iniesta transformou tradição familiar em marca internacional de vinhos

Herói da Espanha na conquista da Copa do Mundo de 2010, Andrés Iniesta passou a dedicar parte de sua carreira empresarial ao setor vitivinícola. O ex-meia comanda a Bodega Andrés Iniesta, vinícola localizada na Espanha e ligada às tradições agrícolas de sua família.

O caso de Iniesta simboliza um modelo cada vez mais comum entre celebridades europeias: transformar produtos rurais em marcas premium globais. O vinho deixou de ser apenas produção agrícola e passou a integrar estratégias de branding pessoal, turismo e exportação de alto valor agregado.

A força desse mercado é relevante. A Espanha segue entre os maiores produtores mundiais de vinho, e o segmento premium europeu continua crescendo impulsionado pelo consumo internacional e pela valorização da experiência enogastronômica.

Da Copa do Mundo ao agronegócio: ex-jogadores transformam fama no futebol em negócios milionários no campo
Foto: Divulgação/Bodega Andrés Iniesta

Batistuta administra fazenda de 20 mil hectares na Argentina

Na América do Sul, um dos exemplos mais emblemáticos é Gabriel Batistuta. Ídolo da seleção argentina, o ex-atacante administra uma fazenda de aproximadamente 20 mil hectares na Argentina.

O tamanho da propriedade mostra como parte dos ex-atletas sul-americanos passou a investir diretamente na produção agropecuária, especialmente em regiões tradicionais da pecuária argentina.

O país enfrenta desafios econômicos recorrentes, inflação elevada e instabilidade cambial há anos. Nesse cenário, muitos investidores locais veem a terra como reserva patrimonial estratégica — realidade que também influencia empresários e celebridades.

A ligação histórica entre futebol e campo na Argentina ajuda a reforçar esse movimento. Diversos ex-jogadores mantêm relações próximas com o interior do país, principalmente em regiões de forte tradição pecuária.

Da Copa do Mundo ao agronegócio: ex-jogadores transformam fama no futebol em negócios milionários no campo
 Foto: Reprodução/@gabrielbatistutaok

Cavani une vinhos, campo e posicionamento de marca

Outro exemplo é Edinson Cavani. O atacante uruguaio lançou a marca Cavani Wines e também mantém uma fazenda no Uruguai.

No caso do Uruguai, o setor vitivinícola vem ganhando reconhecimento internacional pela produção premium em pequena escala, especialmente com a uva Tannat. Celebridades ligadas ao vinho ajudam a ampliar visibilidade internacional do segmento.

Mais do que produzir bebidas, muitos desses ex-jogadores passaram a trabalhar o agro como extensão de imagem pessoal. O vinho, nesse contexto, se tornou produto associado a sofisticação, autenticidade e experiência.

Da Copa do Mundo ao agronegócio: ex-jogadores transformam fama no futebol em negócios milionários no campo
Foto: Reprodução/@cavaniofficial21

David Beckham reforça tendência global de valorização da vida no campo

Embora não esteja ligado diretamente à produção agropecuária em larga escala, David Beckham frequentemente compartilha nas redes sociais momentos relacionados à vida rural, criação de animais e atividades no campo.

A exposição desse estilo de vida por celebridades internacionais fortalece uma tendência global importante: a valorização do rural como sinônimo de qualidade de vida, sustentabilidade e bem-estar.

O fenômeno também influencia mercados ligados ao agro premium, turismo rural, alimentação artesanal e produtos orgânicos.

Nos últimos anos, propriedades rurais deixaram de representar apenas produção agrícola e passaram a carregar forte componente de lifestyle e posicionamento de marca.

Da Copa do Mundo ao agronegócio: ex-jogadores transformam fama no futebol em negócios milionários no campo
Foto: Reprodução/@davidbeckham

Hernanes encontrou no vinho um novo negócio após o futebol

Entre os brasileiros, Hernanes talvez seja um dos casos mais conhecidos dessa conexão com o agro internacional. O ex-jogador adquiriu uma propriedade na região de Piemonte, no noroeste da Itália, onde administra vinícola, restaurante e hospedagem.

O projeto mostra como o agro moderno pode integrar diferentes cadeias de valor ao mesmo tempo: produção agrícola, gastronomia, hospitalidade e turismo.

Esse modelo de negócio cresce especialmente em regiões produtoras de vinho na Europa, onde a experiência do consumidor passou a valer tanto quanto o produto final.

Foto: Reprodução/@cadelprofetawines

Taffarel investe no mercado de vinhos no Brasil

Outro nome ligado ao futebol e ao setor é o ex-goleiro Taffarel. Campeão mundial com a seleção brasileira da Copa do Mundo em 1994, ele é dono da Italy Import, importadora de vinhos sediada em Porto Alegre.

O mercado brasileiro de vinhos também vive um momento de expansão relevante. O consumo nacional cresceu nos últimos anos, impulsionado pela diversificação de rótulos, maior acesso ao produto e fortalecimento da cultura do vinho entre consumidores brasileiros.

Mesmo sem atuar diretamente na produção agrícola, negócios ligados à cadeia do agro — como importação, distribuição e gastronomia — passaram a atrair ex-atletas interessados em setores de maior estabilidade e valor agregado.

Ex-goleiro Taffarel é dono da Italy Import, importadora de vinhos sediada em Porto Alegre — Foto: Divulgação/Italy Import

O que esse movimento de ex-jogadores no agronegócio revela sobre o setor

A entrada de ex-jogadores no agronegócio ajuda a mostrar como o setor deixou de ser visto apenas como atividade tradicional ligada ao interior.

Hoje, o agro reúne tecnologia, mercado financeiro, branding, exportação, turismo, sustentabilidade e construção de patrimônio de longo prazo. Em vários países, a terra voltou a ganhar protagonismo estratégico diante das incertezas econômicas globais.

Além disso, produtos agropecuários premium — especialmente vinhos, carnes especiais e experiências rurais — se tornaram símbolos de valor cultural e posicionamento internacional.

Para o Brasil, esse cenário também reforça uma percepção importante: o agronegócio segue cada vez mais conectado à economia global, atraindo investimentos de perfis variados e consolidando o campo como ambiente de negócios sofisticados e altamente rentáveis.

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