De acampamentos improvisados em ruas de terra à liderança de uma das economias mais pulsantes do Brasil, o pioneiro Jacob Lauck relembra os desafios da criação de um império agrícola e urbano no oeste baiano.
Em 1984, o cenário onde hoje se ergue a vibrante Luís Eduardo Magalhães era de um vazio quase absoluto. Jacob Lauck, um jovem piloto de aviação agrícola vindo do Paraná, chegou à região acompanhado de seu pai e seus oito irmãos com um objetivo audacioso: domar o Cerrado para a produção de soja. Naquela época, o que é hoje o centro da quinta maior economia da Bahia não passava de um loteamento chamado Rancho Grande, sem casas ou infraestrutura básica.
Em entrevista ao podcast “Agro em Debate”, do João Domingos Advogados, apresentado pelo CEO do escritório, Leandro Marmo, o pioneiro do Oeste baiano contou como participou da transformação de Mimoso do Oeste em uma das maiores potências do agronegócio brasileiro.
O começo sobre as asas
A rotina inicial de Lauck era digna de um desbravador. Como não havia residências, ele acampava no local de trabalho e utilizava as ruas patrulhadas do loteamento como pista para seu avião agrícola. “Meu avião dormia onde hoje é o Banco do Brasil”, recorda Lauck, mencionando que decolava às seis da manhã para pulverizar fazendas distantes. A subsistência da família, que no Paraná cultivava pequenas áreas de até 10 alqueires, transformou-se no ambicioso Grupo Paraíso, que logo diversificou suas atividades para a indústria metalúrgica e materiais de construção para suprir a demanda local.
A luta pelo crédito e pela comunicação
O crescimento da região não foi orgânico, mas fruto de intensas batalhas institucionais. Lauck relata que foram necessárias cerca de 15 viagens a Brasília para convencer as autoridades a incluir o oeste baiano no manual de crédito rural para a soja, já que, oficialmente, a cultura nem existia na região. A comunicação também era um entrave: para ter telefone, Lauck e outros 11 empresários precisaram emprestar 120 mil reais à Telebahia para a instalação da primeira central digital.
O arquiteto da cidade
Além do sucesso no campo — onde chegou a registrar produtividades de café seis vezes maiores que a média nacional em 2001 — Jacob Lauck teve papel fundamental na emancipação política do município em 2000. Como vice-presidente da comissão de emancipação, ele participou da histórica decisão de renomear o antigo Mimoso do Oeste para Luís Eduardo Magalhães, visando apoio político para a autonomia da região.
No setor imobiliário, Lauck transformou suas terras no Jardim Paraíso, o setor mais valorizado da cidade, tendo comercializado cerca de 6.000 lotes e desenvolvido diversos condomínios de alto padrão. Seu projeto mais recente combina a paixão pela aviação com o mercado de luxo: chácaras de alto padrão com acesso direto à pista de um aeroporto privado.
Um legado de doação
O compromisso de Lauck com o futuro da cidade reflete-se em doações de terras que hoje sustentam os pilares de LEM. Ele foi um dos doadores da área que abriga o parque da Bahia Farm Show, hoje uma das maiores feiras agrícolas do país. Mais recentemente, o Grupo Paraíso destinou 90 hectares ao lado da feira para a instalação da Universidade Federal da Bahia (UFOB), garantindo que o crescimento da região continue sendo impulsionado pelo conhecimento.
Para Jacob Lauck, Luís Eduardo Magalhães é um fenômeno sem paralelo no país: “Isso aqui nunca cresceu menos que o dobro do Brasil anual. Tinha anos que a gente crescia mais que a China”. Com um otimismo inabalável, ele projeta que, em 20 anos, o município se tornará uma metrópole, mantendo a energia vibrante que trouxe ele e sua família para o oeste baiano há quatro décadas.
Confira a conversa completa aqui:
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.
