ICAP de maio deste ano mostra queda de 3,97% no Centro-Oeste, redução do custo da dieta nas duas regiões e manutenção de margens historicamente elevadas na produção de arrobas
Maio de 2026 marcou uma mudança importante na dinâmica regional do confinamento brasileiro, segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), indicador calculado a partir de dados reais coletados pela tecnologia de gestão de confinamento que gerencia 62% das cabeças confinadas do país (Beef Report Abiec/2025).
Após três meses consecutivos de vantagem do Sudeste, o Centro-Oeste voltou a ganhar competitividade na disputa regional ao registrar queda de 3,97% no Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), encerrando o mês em R$ 12,83/cab/dia. No Sudeste, o indicador permaneceu praticamente estável em R$ 12,06/cab/dia (+0,25%).
O movimento reduziu a diferença regional de R$ 1,33 para R$ 0,77/cab/dia, mantendo o Sudeste na liderança pelo terceiro mês consecutivo, mas evidenciando uma recuperação gradual do Centro-Oeste.
O custo da dieta de terminação também recuou nas duas regiões, impulsionado principalmente pela forte queda dos volumosos. No Centro-Oeste, a dieta caiu 1,89%, enquanto no Sudeste o recuo foi de 0,77%.
Mesmo com o ajuste nas cotações da arroba ao longo do mês, a lucratividade da arroba produzida permaneceu em patamar historicamente elevado, superando R$ 1 mil por cabeça nas duas regiões.
Visão trimestral dos insumos por região
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, o custo total da dieta de terminação em maio ficou 0,93% acima da média trimestral (março a maio), apesar da queda observada no mês. O principal fator de alívio veio dos volumosos, que operaram 10,48% abaixo da média do trimestre, enquanto energéticos (-1,43%) e proteicos (-0,37%) também permaneceram em patamares inferiores ao período. A única categoria que pressionou os custos foi “Outros”, com alta de 11,47% frente à média trimestral.
- Energéticos: -1,43%
- Proteicos: – 0,37%
- Volumosos: -10,48%
Entre os energéticos, o milho grão seco opera 0,7% abaixo da média trimestral, refletindo o avanço da safrinha e a expectativa de maior oferta ao mercado. A casca de soja também contribuiu para o movimento de queda (-1,6%), enquanto a polpa cítrica permaneceu pressionando os custos, operando 9,6% acima da média do trimestre.
Nos proteicos, o destaque foi o caroço de algodão, que ficou 6,1% abaixo da média trimestral. Em contrapartida, o DDG continua sendo o principal fator de pressão da categoria, operando 29,6% acima da média do período.
Sudeste
No Sudeste, o custo da dieta encerrou maio 3,59% abaixo da média trimestral, consolidando a trajetória de redução observada desde março. Os três principais grupos de alimentos apresentaram custos inferiores à média do trimestre.
- Energéticos: – 2,68%
- Proteicos: – 4,01%
- Volumosos: – 10,87%
Nos energéticos, a principal contribuição para a queda veio da casca de soja, que operou 9,3% abaixo da média trimestral. O milho grão seco também apresentou recuo (-1,8%), embora parte desse movimento tenha sido compensada pela alta do gérmen de milho (+12,9%) e do sorgo (+12,5%).
Nos volumosos, a entrada da safra canavieira segue influenciando a composição das dietas da região. Apesar do bagaço de cana operar 5,5% acima da média trimestral, a forte redução da casca de amendoim (-17,2%) e da silagem de mombaça (-8,6%) contribuiu para manter os custos do grupo em trajetória de queda.
Porteira pra fora x porteira pra dentro
Mesmo com a queda da cotação da arroba física em maio, a lucratividade da arroba produzida permaneceu em patamar historicamente elevado nas duas regiões. O movimento foi sustentado principalmente pela redução dos custos de produção, especialmente no Centro-Oeste.
- Centro-Oeste
- Custo da arroba produzida: R$ 206,91 (- 2,19%)
- Arroba: R$ 343,00 (- R$ 3,00)
- Lucro: R$ 1.037,03/cabeça (- 1,11%)
- Sudeste
- Custo da arroba produzida: R$ 195,13 (- 0,71%)
- Arroba: R$ 343,00 (- R$ 8,00)
- Lucro: R$ 1.123,78/cabeça (- 6,74%)
As duas regiões mantêm margens superiores a R$ 1.000 por cabeça, reforçando o bom momento econômico do confinamento. O Centro-Oeste apresentou maior resiliência em maio, com queda de apenas 1,11% na lucratividade, resultado da redução do ICAP e do custo por arroba produzida. Já o Sudeste permaneceu na liderança regional, mas sofreu maior pressão da queda na cotação da arroba física e do perfil dos animais abatidos no período.
No mercado de exportação para a China, o Sudeste segue liderando com R$ 1.192,18 por cabeça, vantagem de R$ 109,43 sobre o Centro-Oeste (R$ 1.082,75). Além da cotação ligeiramente superior da arroba, a região continua beneficiada pelo menor custo de produção da arroba produzida.
Destaque do mês do ICAP: Centro-Oeste volta a ganhar competitividade
O principal destaque de maio é a recuperação gradual da competitividade do Centro-Oeste. Embora o Sudeste continue operando com menor custo alimentar pelo terceiro mês consecutivo, a diferença entre as regiões diminuiu significativamente, passando de R$ 1,33 para R$ 0,77 por cabeça ao dia.
No Centro-Oeste, a retomada da queda do ICAP (-3,97%) foi impulsionada principalmente pela redução dos volumosos (-10,54%) e dos energéticos (-3,00%), favorecida pela queda da silagem de milho e pelo avanço da safrinha. O custo da dieta de terminação recuou 1,89% no mês, reforçando o movimento de alívio observado após a alta registrada em março.
No Sudeste, apesar da forte redução dos volumosos (-14,81%), a estabilidade dos demais grupos de insumos limitou o impacto sobre o ICAP regional, que permaneceu praticamente estável (+0,25%). Ainda assim, a região manteve a liderança em custo alimentar, lucratividade e custo por arroba produzida.
O resultado de maio sugere um cenário de maior equilíbrio competitivo entre as regiões. O Sudeste segue na liderança, mas o Centro-Oeste volta a se beneficiar do ambiente favorável de oferta de grãos e da redução dos custos alimentares, encurtando a distância observada desde o início do ano.
Dados referentes ao consumo diário dos animais e outros indicadores são apresentados no Boletim ICAP disponível aqui.
Inteligência de dados no confinamento
O ICAP é calculado a partir de dados de confinamentos monitorados por tecnologias da Ponta, incluindo o ecossistema TGC – sistema de gestão de confinamento amplamente utilizado no Brasil.
A base de dados do índice consolida milhões de diárias de alimentação de bovinos e permite acompanhar mensalmente a evolução do custo alimentar dia a dia nas principais regiões produtoras do país.
Segundo a empresa, o indicador tem se consolidado como uma ferramenta estratégica para planejamento de compras de insumos, avaliação da viabilidade do confinamento e análise de margem da atividade.
*Estimativa de lucratividade realizada com cotação de arroba balcão, sem a adição de bonificações por rastreabilidade, padrão de qualidade e protocolos de mercado.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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