Embrapa envia novo lote de sementes brasileiras para o ‘Cofre do Fim do Mundo’ na Noruega

Nova remessa com culturas tropicais amplia a proteção da biodiversidade agrícola e consolida o papel estratégico da ciência nacional na segurança alimentar global

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) consolidou o envio de um novo lote de sementes brasileiras para o ‘Cofre do Fim do Mundo’, depósito global situado no arquipélago de Svalbard, na Noruega. A entrega das amostras foi liderada pela presidente da estatal, Silvia Massruhá, reforçando o papel estratégico do Brasil na salvaguarda biológica do planeta contra crises climáticas e desastres.

Nesta etapa, foram enviados 24 acessos de culturas tropicais de grande relevância econômica e social, como caju, fava, amendoim, mamona e gergelim. Esses materiais genéticos passam a integrar a maior reserva de segurança agrícola da Terra, estruturada para proteger a biodiversidade contra ameaças severas, incluindo guerras, pragas e catástrofes naturais.

O impacto das sementes brasileiras para o ‘Cofre do Fim do Mundo’

Desde o início de sua cooperação com o complexo ártico, em 2012, a Embrapa já encaminhou mais de 8 mil materiais ao banco global, que atualmente abriga cerca de 1,38 milhão de amostras vindas de 223 países.

Silvia Massruhá apontou que a iniciativa representa uma proteção essencial para as próximas gerações. Segundo a presidente, o ato chancela o compromisso científico do país com a estabilidade nutricional coletiva e com a capacidade de responder às transformações severas do clima.

“Essa iniciativa representa uma salvaguarda da biodiversidade agrícola mundial e reforça o compromisso da ciência brasileira com a segurança alimentar, a preservação dos recursos genéticos e a capacidade de responder aos desafios impostos pelas mudanças climáticas”, afirmou a executiva.

Culturas alimentares básicas e de grande consumo popular, como arroz, feijão e milho, representam os maiores volumes já depositados pelo Brasil no complexo. De acordo com o pesquisador Juliano Pádua, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, esses grãos são priorizados devido à sua importância vital para a subsistência humana.

Embrapa envia novo lote de sementes brasileiras para o 'Cofre do Fim do Mundo' na Noruega
Foto: Divulgação Embrapa

Brasil lidera banco genético na América Latina

Além do suporte ao cofre norueguês, o país mantém uma das estruturas de conservação mais robustas do planeta. A Embrapa gerencia em Brasília o maior banco de sementes da América Latina, com quase 126 mil amostras de mais de mil espécies vegetais distintas, armazenadas sob uma temperatura rigorosa de 18 graus Celsius negativos.

Essa unidade de pesquisa possui capacidade instalada para receber até 600 mil amostras, com potencial de expansão futura. O acervo serve de base para o desenvolvimento de soluções sustentáveis na agropecuária nacional, incluindo a criação de novos bioinsumos e defensivos agrícolas biológicos.

Acordos internacionais impulsionam a bioeconomia

A agenda oficial em solo norueguês também rendeu parcerias focadas em inovação sustentável. A liderança da Embrapa firmou uma carta de intenções com o Instituto Norueguês de Pesquisa em Bioeconomia (Nibio) para estruturar trabalhos conjuntos em biotecnologia, manejo de solos e segurança alimentar através de missões científicas.

Paralelamente, reuniões com o Instituto Norueguês de Pesquisa em Alimentos (Nofima) abriram espaço para o desenvolvimento de projetos em economia circular, rastreabilidade produtiva e adaptação da aquicultura frente às novas realidades do ecossistema global.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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