Sindan prevê a chegada de até 140 milhões de doses e a estabilização do mercado em quatro meses; enquanto o abastecimento é normalizado, especialistas orientam priorizar a vacinação de bezerros e gado de confinamento.
O desabastecimento de vacinas contra clostridioses, que acendeu um alerta no setor pecuário nos últimos meses, pode estar próximo de uma solução. A avaliação é do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), que estima a chegada de até 140 milhões de doses ao mercado brasileiro até o fim de 2026, grande parte delas provenientes de importações.
Segundo Emílio Salani, vice-presidente do Sindan, a expectativa é de que o abastecimento aconteça de forma gradual, com a liberação de cerca de 10 a 12 milhões de doses por mês. A previsão é que o cenário esteja mais estabilizado dentro dos próximos quatro meses.
As vacinas começaram a chegar às revendas agropecuárias a partir de maio, em uma tentativa de aliviar a pressão enfrentada por pecuaristas de praticamente todas as regiões do País. Entre os imunizantes disponibilizados estão vacinas polivalentes e também doses específicas contra o botulismo.
Além do aumento nas importações, o setor também vê com otimismo a entrada de novos fabricantes no mercado brasileiro. De acordo com o Sindan, entre dois e três novos players estão finalizando processos regulatórios e industriais para iniciar operações no segmento de vacinas contra clostridioses.
A crise atual é resultado de uma série de fatores acumulados nos últimos anos. O número de empresas que comercializam esse tipo de vacina no Brasil caiu drasticamente: eram 16 fabricantes nos anos 2000, enquanto atualmente apenas sete permanecem no mercado. Hoje, somente uma empresa produz vacinas clostridiais em território nacional.
O cenário piorou após a desativação da fábrica da MSD, em Montes Claros (MG), em 2022, além do encerramento das operações da Dechra no início deste ano, após problemas envolvendo mortes de animais associadas à vacina Excell 10. Somadas, essas situações retiraram mais de 110 milhões de doses do mercado.
Durante debate promovido pelo programa DBO Destaca, o diretor técnico da Acrimat, Francisco Manzi, classificou a situação como uma crise “sem precedentes”. Segundo ele, diferentemente de outras campanhas sanitárias, as vacinas contra clostridioses são indispensáveis porque as doenças apresentam alta mortalidade e rápida evolução nos rebanhos.
Diante da escassez, especialistas orientam os pecuaristas a priorizar categorias mais sensíveis do rebanho. O professor Iveraldo Dutra, da Unesp, recomendou foco na vacinação de bezerros jovens, especialmente a partir dos quatro meses de idade, além de animais recém-desmamados e gado que entra em confinamento.
O especialista também alertou para cuidados extras nas propriedades durante esse período, como evitar carcaças nos pastos, reforçar a qualidade da água fornecida aos animais e garantir armazenamento adequado dos alimentos, reduzindo fatores de risco associados às doenças clostridiais.
Nota oficial do Mapa
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que o atual cenário de desabastecimento de vacinas contra clostridioses decorre, principalmente, de decisões mercadológicas adotadas por fabricantes, que descontinuaram a produção e a comercialização desses imunizantes entre o final de 2025 e janeiro de 2026.
Com o objetivo de mitigar os impactos desse cenário, o Mapa vem atuando junto à indústria de insumos veterinários para estimular a ampliação da fabricação e das importações, bem como para acelerar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas.
Como resultado das ações emergenciais adotadas, o Ministério liberou, nos meses de março e abril de 2026, o total de 14.640.910 doses de vacinas contra clostridioses, entre produtos de fabricação nacional e importados.
Desse total, 9.344.060 doses (63%) correspondem à produção nacional, enquanto 5.296.850 doses (37%) são provenientes de importações autorizadas pelo Ministério.
Além disso, há expectativa de autorização de mais 10 milhões de doses ainda no mês de maio, reforçando o abastecimento do mercado nacional.
O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) informou, em 5 de maio de 2026, estimativa inicial de entrega entre 8 milhões e 10 milhões de doses mensais até dezembro, com possibilidade de ampliação no segundo semestre. A projeção é de que possam ser disponibilizadas mais de 100 milhões de doses até o final do ano.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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