Estamos em agosto, período que historicamente a cotação da arroba do boi gordo já deveria ter se aprumado, entretanto isso não aconteceu. Mercado fraco e compradores têm tido sucesso em comprar boiadas por preços cada vez menores.
Acarretado pela intensa pressão baixista que vem sendo exercida pelos frigoríficos, o mercado físico do boi gordo segue com desvalorizações em todas as regiões produtoras, trazendo maior instabilidade para dentro da porteira. Dessa, forma, observam as consultorias, que o mercado está “diferente do comum”. Estamos em agosto, período que historicamente a cotação da arroba do boi gordo já deveria ter se aprumado, entretanto isso não aconteceu. Mercado fraco e compradores têm tido sucesso em comprar boiadas por preços cada vez menores.
Os frigoríficos continuam operando com escalas de abate confortáveis, conforme apontado por Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado. Já a Agrifatto, relata que mesmo com o aumento da movimentação no último fim de semana, as vendas que antes eram caracterizadas como medianas e boas, são caracterizas neste início de semana como medianas e fracas.
As ofertas de compra têm sido abertas semana a semana com preços deprimidos. O comprador testa o mercado e, surpreendentemente, consegue adquirir boiadas com a oferta lançada, diante disso, o preço não reage e o sentimento vigente é o de que é melhor vender hoje, pois o preço amanhã estará pior, apurou Alcides Torres, Diretor-fundador da Scot Consultoria
Segundo apurou a Scot Consultoria, em seu relatório diário, no mercado paulista, a ponta compradora iniciou o dia ofertando menos R$ 5 para as arrobas do boi gordo e do “boi-China”. Com isso, os animais recuaram para R$ 225,00/@, preço bruto a prazo. Lembrando que esse animal deve ser abatido jovem com até 30 meses de idade.
Ainda segundo a consultoria, a vaca e a novilha gordas são negociadas por R$ 200/@ e R$ 215/@, respectivamente, no prazo, valores brutos. Com isso, o animal macho “comum” agora vale R$ 220/@ em São Paulo, preços brutos e a prazo.
A Agrifatto, em seu boletim, informou que em São Paulo, o animal pronto para o abate encerrou a terça-feira cotado a R$ 220,30/@, recuo diário de 1,3%, acumulando queda de 3,80% em comparação com terça passada. Na B3, os contratos futuros encerram o dia com novo reajuste negativo, com ênfase a out/23, que ficou precificado à R$ 210,60/@ e com desvalorização diária de 1,63%.
“O desânimo assombra muitos produtores que continuam liquidando os seus lotes, sem perspectiva de recomposição dos estoques”, alertam os analistas.
Corroborando com as análises acima, o INDICADOR DO BOI GORDO CEPEA/B3, alcançou o menor patamar de preço dos últimos 30 dias para o mercado. Diante desse cenário, a desvalorização alcançou o acumulado mensal de 9,29%. Sendo assim, os preços estão cotados a R$ 221,20/@, informou os pesquisadores. Veja no gráfico abaixo como se comportou o mercado do boi nos últimos dias.

“Pelo lado do produtor, muitos deles estão temendo quedas mais severas e, por isso, acabam negociando os seus lotes terminados”, destacam os analistas.
Vive-se uma safra de boiadas cuja duração já se estende por 8 meses, maior do que o normal. A entressafra, em função disso, será menor e as oportunidades para captar os melhores preços, que deverão acontecer quando esse volume de gado diminuir, também estarão acanhadas.
Esse quadro certamente terá consequências, desestimulando, por exemplo, a atividade, já fortemente pressionada pela produção de grãos, de cana-de-açúcar e de eucalipto, entre outras atividades agrícolas.
Estamos, na fase de baixa do ciclo pecuário de preços e esse quadro deverá continuar pelos próximos meses, com alívio costumeiro na entressafra do capim, que neste ano está demorando para acontecer, informa Torres.
Exportações de carne bovina
Iglesias destacou que a notícia do dia com possíveis impactos positivos nas exportações de carne bovina do Brasil é a situação caótica no mercado argentino. As exportações de carne bovina foram temporariamente suspensas por pelo menos quinze dias devido à alta intensa nos preços em toda a cadeia produtiva após os resultados das prévias eleitorais. A volatilidade do período eleitoral no país vizinho tem causado uma significativa desvalorização cambial, conforme observado por Iglesias.
No acumulado das duas semanas de agosto deste ano (nove primeiros dias úteis), as exportações brasileiras de carne bovina in natura somaram 83,34 mil toneladas, resultando em uma média diária de 9,26 mil toneladas, que representa avanço de 4,83% sobre a média diária de agosto/22, informou nesta terça-feira a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O preço pago por tonelada ficou em US$ 4,5 mil, o que significou redução de 26,5% sobre o valor médio de agosto de 2022.
Giro do boi gordo pelo Brasil
- Em São Paulo, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 221.
- Já em Goiânia, Goiás, a indicação foi de R$ 205 por arroba de boi gordo.
- Em Uberaba, Minas Gerais, o preço da arroba atingiu R$ 220
- Em Dourados, Mato Grosso do Sul, o valor foi de R$ 222 por arroba.
- Em Cuiabá, a arroba foi indicada a R$ 201.
Mercado atacadista
O mercado atacadista experimentou uma leve diminuição nos principais cortes de carne bovina. Conforme observações de Iglesias, o ambiente de negócios sugere que essa tendência de queda possa persistir no curto prazo.
A segunda metade do mês geralmente registra um menor apelo ao consumo. Além disso, a carne de frango continua a ser mais competitiva em comparação com outras proteínas concorrentes, especialmente quando comparada à carne bovina.
No segmento de cortes específicos, o quarto traseiro teve seu preço fixado em R$ 17,40 por quilo, representando uma queda de R$ 0,20. Já o quarto dianteiro foi cotado a R$ 13,10 por quilo, com uma diminuição de R$ 0,10. A ponta de agulha teve seu preço ajustado para R$ 12,90 por quilo, apresentando uma redução de R$ 0,10.
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