Seleção brasileira segue embalada na Copa do Mundo, mas no campo pecuário o cenário é oposto: arroba recua em várias regiões, frigoríficos desaceleram compras e China volta a pressionar o mercado brasileiro
Enquanto a seleção brasileira mantém o bom momento dentro da Copa do Mundo de 2026 e empolga torcedores, o mercado pecuário brasileiro vive uma realidade completamente diferente. Nesta quinta-feira (25), o mercado físico do boi gordo voltou a registrar pressão negativa sobre os preços, com novas quedas nas principais praças pecuárias do país e um ambiente cada vez mais cauteloso entre frigoríficos e produtores.
O movimento de baixa vem sendo acompanhado por diversas consultorias do setor, que apontam uma combinação de fatores responsáveis pela perda de força da arroba: alongamento das escalas de abate, enfraquecimento do consumo doméstico, desaceleração nas compras industriais e preocupação crescente com o esgotamento da cota chinesa para exportação de carne bovina brasileira.
Arroba recua em São Paulo e pressão aumenta nas principais praças
Levantamento da Scot Consultoria mostrou que o mercado paulista registrou nova desvalorização nesta quinta-feira. O boi gordo comum caiu R$ 3/@ e fechou em R$ 342/@, enquanto o chamado “boi China” recuou para R$ 347/@.
A pressão também atingiu as fêmeas terminadas. Segundo a consultoria, a novilha gorda recuou para R$ 329/@, enquanto a vaca gorda caiu para R$ 318/@, reforçando o momento de enfraquecimento do mercado.
A consultoria destacou que:
“Os frigoríficos reduziram o ritmo das compras e alongaram as escalas de abate.”
Safras & Mercado vê frigoríficos ajustando estratégia no mercado do boi gordo
Na avaliação de Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, o mercado segue negociando abaixo das referências médias em boa parte do país.
Segundo ele, a indústria frigorífica está revisando estratégias diante do cenário internacional e da preocupação com a exportação para a China.
“Diante desse cenário, o aumento da capacidade ociosa se mostra necessário diante da perspectiva de ausência parcial e temporária das exportações com destino ao principal mercado importador brasileiro”, afirmou Iglesias.
As médias nacionais da arroba também registraram novos ajustes:
- São Paulo: R$ 340,33
- Goiás: R$ 319,93
- Minas Gerais: R$ 320,17
- Mato Grosso do Sul: R$ 331,59
- Mato Grosso: R$ 337,57
China volta ao centro das preocupações do mercado
Outro fator que começa a gerar maior cautela no setor é a aproximação do limite da chamada cota de salvaguarda da China, principal destino da carne bovina brasileira.
Dados analisados pelo Cepea/Esalq mostram que o Brasil já cumpriu aproximadamente 65% da cota de exportação ao mercado chinês até maio de 2026, elevando o receio de que o limite seja atingido já em julho.
Com isso, frigoríficos que operam fortemente com exportação estão reduzindo o ritmo de compra de animais terminados.
Segundo o centro de pesquisas:
“Frigoríficos que exportam para a China estão diminuindo o ritmo de compras de animais para abate.”
Além disso, importadores chineses passaram a atuar com maior cautela, reduzindo agressividade nas negociações internacionais.
Mercado futuro do boi gordo também acompanha movimento de baixa
A pressão observada no mercado físico já começa a impactar diretamente os contratos futuros negociados na B3.
Dados da Agrifatto apontam que o contrato com vencimento em julho encerrou o pregão em R$ 332,40/@, acumulando nova desvalorização em meio ao aumento da cautela dos compradores.
Mesmo com o cenário atual pressionado, analistas do setor acreditam que o segundo semestre pode trazer mudanças importantes.
A própria Agrifatto destaca que a menor intenção de confinamento observada atualmente pode reduzir a oferta de animais terminados nos próximos meses, criando condições para recuperação da arroba no último trimestre de 2026.
Campo vive jogo bem diferente da Seleção Brasileira
Se dentro das quatro linhas a seleção brasileira segue avançando e empolgando o país na Copa do Mundo, no campo o pecuarista acompanha um cenário bem menos animador.
O mercado do boi gordo entrou em uma fase de ajuste técnico importante, pressionado por exportações mais lentas, consumo doméstico enfraquecido e maior cautela da indústria frigorífica.
Agora, grande parte do setor acompanha se o segundo semestre poderá inverter esse placar e devolver força às cotações da arroba.
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