China, União Europeia e El Niño acendem alerta para a pecuária brasileira no segundo semestre

A avaliação é do economista da FGV Agro, Felippe Serigati, que aponta uma combinação de fatores climáticos e comerciais capazes de pressionar a rentabilidade da pecuária brasileira, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Norte do país.

A pecuária brasileira pode enfrentar um cenário mais desafiador na segunda metade de 2026. Além das incertezas no mercado internacional, com a China e a União Europeia influenciando diretamente as exportações de carne bovina, a possível atuação de um forte El Niño também preocupa produtores devido aos impactos esperados sobre as pastagens e os custos de produção.

A avaliação é do economista da FGV Agro, Felippe Serigati, que aponta uma combinação de fatores climáticos e comerciais capazes de pressionar a rentabilidade da atividade, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Norte do país.

El Niño pode reduzir desempenho das pastagens

Segundo o especialista, o principal impacto climático para a pecuária estará relacionado à qualidade das pastagens. A expectativa é de temperaturas acima da média e redução das chuvas em diversas regiões produtoras, cenário que pode comprometer o ganho de peso dos animais e elevar os custos com suplementação alimentar.

De acordo com meteorologistas, os efeitos mais intensos do fenômeno devem ocorrer a partir da primavera, coincidindo com períodos estratégicos para a agropecuária brasileira.

“Você vai ter um aumento de custo ou um ganho de peso menor dos animais”, destacou Serigati ao analisar os possíveis reflexos do fenômeno climático sobre a atividade pecuária.

China e União Europeia ampliam as preocupações no mercado do boi gordo

Além das questões climáticas, o mercado externo segue no radar dos pecuaristas. Um dos pontos de atenção é a chamada cota chinesa para importação de carne bovina, considerada estratégica para o Brasil, já que a China permanece como o principal destino das exportações do setor.

Outro fator que gera preocupação é a retirada do Brasil da lista de exportadores habilitados para fornecer carne bovina à União Europeia, medida que adiciona incertezas ao comércio internacional em um momento de forte dependência das exportações para sustentar os preços da arroba.

Impactos podem alcançar soja, milho e café

Os efeitos do El Niño não devem se restringir à pecuária. O economista alerta que soja e milho também podem sofrer com alterações no calendário agrícola.

Um eventual atraso no plantio da soja pode reduzir a janela ideal para o milho segunda safra, obrigando alguns produtores a optarem pelo sorgo, cultura considerada mais resistente em cenários de adversidade climática.

As lavouras de café também entram na lista de preocupação. O aumento das temperaturas aliado à menor disponibilidade hídrica pode prejudicar o desenvolvimento das plantas e comprometer a produtividade em algumas regiões produtoras.

Seguro rural ganha ainda mais importância na pecuária brasileira

Apesar dos alertas, especialistas ressaltam que ainda é cedo para falar em perdas consolidadas ou quebra de safra. O comportamento do clima nos próximos meses será determinante para medir a intensidade dos impactos sobre o agro brasileiro.

Diante desse cenário, cresce a importância de ferramentas de gestão de risco, especialmente o seguro rural. Para Serigati, ampliar a proteção dos produtores será fundamental para reduzir os impactos financeiros provocados por eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

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