Esse cenário de ˜virada no ciclo˜ é sustentado por diversos fatores, como a queda no volume de abates, que inclui a redução significativa da participação das fêmeas no processo, além das escalas de abate nas indústrias abaixo dos níveis históricos, refletindo a dificuldade em completar os lotes.
O mercado físico do boi gordo tem registrado uma disparada nos preços, refletindo o cenário de oferta limitada e forte demanda, especialmente no setor de exportação., apontou o Compre Rural com base nas informações das principais consultorias que acompanham as praças pecuárias diariamente. Ainda segundo os analistas, com valores em patamares elevados, o viés de alta deve continuar nas próximas semanas, conforme indicam as análises de diversas consultorias especializadas.
Nos últimos 30 dias, o boi gordo teve uma valorização de R$ 47/@ no estado de São Paulo, enquanto a vaca apresentou um aumento de R$ 40/@ e a novilha subiu R$ 45/@, confirmando a tendência de alta nos diferentes tipos de animais destinados ao abate. Esse cenário é sustentado por diversos fatores, como a queda no volume de abates, que inclui a redução significativa da participação das fêmeas no processo, além das escalas de abate nas indústrias abaixo dos níveis históricos, refletindo a dificuldade em completar os lotes.
Outro ponto importante é a alta dos preços dos animais de reposição, o que pressiona ainda mais o custo de produção. Esses preços, que atingiram um nível recorde em outubro, marcam uma recuperação do mercado, após um início de ano caracterizado por quedas acentuadas nos valores, sinalizando um retorno gradual à normalidade no setor pecuário.
Oferta Anêmica e Demanda Superaquecida
A semana encerrou com o boi gordo cotado a R$ 305/@, consolidando-se como referência no mercado paulista. Segundo a Safras & Mercado, o movimento de alta no preço se justifica pela baixa oferta de animais prontos para o abate, o que tem mantido as escalas dos frigoríficos extremamente curtas, sendo estas as mais apertadas do ano. Essa combinação tem feito com que os preços renovem suas máximas no curto prazo.
O analista Allan Maia destaca que o cenário é agravado pela demanda forte, impulsionada especialmente pelas exportações. O Brasil está em um ritmo acelerado para atingir 4 milhões de toneladas em equivalente carcaça exportadas em 2024, o que sustenta os preços altos internamente.
Preços da arroba do boi gordo pelas principais praças pecuárias do país:
- São Paulo: até R$ 305,00/@ à vista
- Minas Gerais: até R$ 295,00/@ a prazo
- Goiás: até R$ 285,00/@ a prazo
- Mato Grosso do Sul: em Naviraí, negócios a R$ 290,00/@ a prazo
- Mato Grosso: em Rondonópolis, negócios em até R$ 270,00/@
Preços no Mercado Atacadista e Impactos no Consumo
No mercado atacadista, os preços seguem firmes, com expectativa de novas altas no curto prazo, ainda mais com a entrada de salários na economia, incentivando o consumo e a reposição entre atacado e varejo. O quarto traseiro está cotado a R$ 23/kg, o quarto dianteiro a R$ 18/kg e a ponta de agulha a R$ 17/kg.
Além disso, a escassez de animais prontos para abate reduziu significativamente os estoques, afetando a oferta de carne com ossos e pressionando ainda mais os preços. O aumento nos valores tem sido repassado ao consumidor final, o que pode impactar o volume de vendas no varejo ao longo das próximas semanas.
Influência do Câmbio e Expectativa para o Curto Prazo
O cenário de alta no preço do boi também foi influenciado pela valorização do dólar, que fechou a última semana cotado a R$ 5,6139, após um aumento de 2,91%. Essa elevação favorece as exportações, tornando a carne brasileira mais competitiva no mercado internacional, mas impacta o custo de produção para o mercado doméstico.
Segundo a Scot Consultoria, o controle da oferta por parte dos vendedores, que estão cadenciando a entrega dos lotes de boiadas para conseguir preços mais altos, é um fator importante nesse cenário. Desde o início de outubro, as programações dos frigoríficos paulistas atendem, em média, apenas seis dias, pressionando as indústrias a ofertarem mais pela arroba para completarem suas escalas de abate.
Em 30 dias, o boi gordo subiu R$ 47/@ no estado de São Paulo, enquanto a vaca avançou R$ 40/@ e a novilha R$ 45/@, refletindo a mesma tendência de alta nos diferentes tipos de animais.

Exportações em Alta Histórica
Outro fator que impulsiona o mercado do boi gordo é o bom desempenho das exportações de carne bovina. O mês de setembro de 2024 foi o melhor da história, com 251,7 mil toneladas embarcadas, superando o recorde de julho do mesmo ano. O início de outubro mantém o ritmo forte, com uma média diária de 9,9 mil toneladas exportadas, representando um crescimento de 12,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Para o boi-China, animal abatido com idade de até 30 meses e voltado para o mercado externo, os preços também subiram expressivamente, ultrapassando R$ 300/@ no estado de São Paulo.
Expectativas para as Próximas Semanas
De acordo com as análises do zootecnista Rodrigo e Mundo, da Scot Consultoria, o preço da arroba em torno de R$ 300 já começa a ser uma realidade em praças como São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. No entanto, ele ressalta que é importante observar se esse patamar de preços se consolidará como uma referência de mercado ou se haverá algum recuo com a chegada do segundo giro de confinamento, que pode trazer uma leve moderação no movimento de alta.
No curto prazo, o viés de alta permanece, mas o mercado deverá observar atentamente o comportamento da demanda interna, que tende a ser mais forte com a proximidade das festas de fim de ano, e a possível entrada de chuvas no Brasil Central, o que pode melhorar a oferta de animais terminados.
O mercado do boi gordo está em um momento de fortes valorizações, com a arroba ultrapassando os R$ 300 e um cenário que aponta para continuidade do viés de alta nas próximas semanas. A baixa oferta de animais prontos para abate e o superaquecimento das exportações são os principais fatores que sustentam esse movimento. Com as festividades de fim de ano se aproximando, a expectativa é de que a demanda interna também contribua para a manutenção dos preços elevados.
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