Queijo feito a 1.600 metros de altitude rende a casal mineiro mais de 30 medalhas

Após abandonar a antiga rotina na cidade, casal apostou na produção artesanal de queijo feito a 1.600 metros, em plena Serra da Mantiqueira, e hoje coleciona prêmios nacionais e internacionais com um queijo que carrega sabor, altitude e tradição mineira.

Em um cenário onde o agro brasileiro cada vez mais valoriza produtos artesanais de alta qualidade, uma pequena propriedade no Sul de Minas Gerais vem chamando atenção dentro e fora do país. A história de Bianca Lamenha e Gustavo Pitta mostra como a combinação entre tradição, manejo cuidadoso e características naturais únicas pode transformar uma produção familiar em referência internacional. Queijo feito a 1.600 metros de altitude rende a casal mineiro mais de 30 medalhas, confira a história!

Instalados em uma fazenda a 1.600 metros de altitude, na região de Itamonte, na Serra da Mantiqueira, o casal conseguiu construir uma marca respeitada no universo dos queijos artesanais. O resultado impressiona: mais de 30 medalhas conquistadas em concursos no Brasil e no exterior, colocando a pequena queijaria mineira em evidência em um dos mercados mais competitivos da gastronomia artesanal.

De carreira nas grandes empresas para a vida no campo

Antes da rotina rural, Bianca e Gustavo tinham uma realidade completamente diferente. A vida profissional girava em torno do trabalho em Furnas Centrais Elétricas, mas tudo mudou quando Gustavo decidiu realizar um antigo desejo ligado à família.

Após a aposentadoria, ele comprou a propriedade rural e iniciou uma nova trajetória no campo. O nome da fazenda, Velho Pitta, carrega justamente essa ligação familiar: era a forma como Gustavo chamava seu pai, veterinário do Exército e grande inspiração para essa mudança de vida.

Mas o início não foi simples.

O casal chegou a investir em produção de frutas, porém enfrentou dificuldades comerciais por depender de atravessadores. Depois tentaram a criação de carneiros para abate, mas desistiram rapidamente.

Segundo Bianca, a experiência não combinava com o que buscavam construir.

Foi então que surgiu a atividade que mudaria completamente o futuro da fazenda: a produção leiteira e a fabricação de queijos artesanais.

Produção diária exige rotina intensa e manejo rigoroso

A operação dentro da fazenda segue um modelo familiar e altamente cuidadoso. O trabalho começa por volta das 5 horas da manhã, com a primeira ordenha do dia. No período da tarde, todo o processo se repete.

Hoje, o rebanho conta com 46 animais, sendo 27 vacas leiteiras, que produzem em média entre 25 e 28 litros de leite por dia.

Em um único dia citado pela produtora, a fazenda chegou a produzir 370 litros de leite, sendo que 320 litros foram destinados exclusivamente à fabricação dos queijos.

Além da produção, o controle sanitário é tratado com extremo rigor.

O rebanho possui certificação do IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária) e está oficialmente livre de doenças como tuberculose e brucelose, algo fundamental para garantir qualidade e segurança alimentar.

Queijo feito a 1.600 metros de altitude rende a casal mineiro mais de 30 medalhas e, para alguns, o segredo pode estar na altitude e no terroir da Mantiqueira

Se existe um diferencial que ajuda a explicar o sucesso da marca, ele está diretamente ligado ao ambiente onde a produção acontece.

A fazenda está localizada em uma das regiões mais valorizadas quando o assunto é queijo artesanal brasileiro: a Mantiqueira de Minas.

Segundo Bianca, a altitude influencia diretamente no produto final.

O clima, a temperatura, a qualidade da água, o solo e principalmente o processo de maturação ajudam a formar o chamado terroir, conceito usado para explicar como características naturais moldam sabor, textura e identidade de um alimento.

Quanto mais você matura, ele muda o sabor. Se você pegar o meu queijo fresco e o mais maturado, ambos foram feitos exatamente do mesmo jeito. Só que um maturou e o outro não”, explicou a produtora.

O queijo produzido na propriedade tem massa firme, passa por cozimento e apresenta sabor suave com notas adocicadas, sendo frequentemente comparado ao parmesão artesanal.

Queijo rendeu mais de 30 medalhas e reconhecimento internacional

O reconhecimento não demorou a aparecer.

Hoje, a queijaria acumula mais de 30 premiações nacionais e internacionais, consolidando o trabalho da família como uma das produções artesanais de destaque em Minas Gerais.

Entre os principais reconhecimentos estão medalhas conquistadas em concursos realizados em Cunha (São Paulo), Chile, Peru e no campeonato estadual de Minas Gerais.

Um dos maiores destaques foi o queijo Ametista, que garantiu premiações importantes e ajudou a projetar ainda mais a marca no mercado premium.

Além das vendas locais, a fazenda atende clientes particulares em diversos estados. Segundo Bianca, cerca de 200 quilos de queijo são enviados mensalmente apenas para consumidores do Rio de Janeiro.

Turismo rural também virou parte do negócio

O sucesso da produção de queijo abriu novas oportunidades dentro da propriedade.

Hoje, além da fabricação artesanal, a fazenda recebe visitantes para experiências gastronômicas que incluem brunches com queijos e vinhos, visitas guiadas e eventos ao ar livre, como encontros ao redor de fogueiras e experiências ligadas ao turismo rural.

Mesmo com o crescimento e o reconhecimento internacional, a essência do negócio continua a mesma: produção familiar, cuidado diário com o rebanho, higiene rigorosa, controle de temperatura e maturação cuidadosa de cada peça.

Uma história que mostra como pequenos produtores brasileiros continuam provando que o valor agregado no agro pode transformar propriedades familiares em negócios altamente valorizados.

As informações são do Jornal Correio, resumidas e adaptadas pela equipe Compre Rural.

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