Enquanto as seleções se enfrentam nos gramados, as exportações avícolas do Brasil se consolidam como um pilar essencial para o abastecimento do Haiti, movimentando milhões em receitas e superando instabilidades econômicas
Nesta sexta-feira (19/06), a Seleção Brasileira entra em campo na Filadélfia (EUA) para enfrentar o Haiti, em partida válida pela fase de grupos da Copa do Mundo, buscando sua primeira vitória após um empate contra o Marrocos. No entanto, se nas quatro linhas as duas nações são adversárias ferozes, fora dos gramados elas cultivam uma relação vital.
O frango brasileiro desponta como um dos principais protagonistas dessa parceria comercial, desempenhando um papel indispensável para garantir a segurança alimentar da população daquele que é considerado o país mais pobre das Américas.
A relevância do frango brasileiro nas exportações bilaterais
A relação de cooperação entre os dois países ganhou enorme força após o trágico terremoto de 2010, quando o Brasil assumiu uma posição de liderança na resposta humanitária internacional. Hoje, essa proximidade se traduz em números expressivos no agronegócio.
Segundo dados oficiais do Comex Stat, o Haiti ocupou a 114ª posição como destino das exportações do Brasil em 2025. A corrente de comércio totalizou US$ 72,1 milhões no último ano — um recuo de 11,1% em relação a 2024. Contudo, a série histórica mais ampla, de 2022 a 2024, evidencia um salto expressivo de US$ 61,1 milhões para US$ 79,7 milhões (em valor FOB).
Para Emmanuel Petit, vice-presidente da Câmara de Comércio Brasil-Haiti (CCBH), o cenário é promissor: “Esse número mostra que já existe uma base comercial, mas também revela um potencial importante para novos investimentos”.
Proteína animal em alta: o impacto no abastecimento haitiano
O grande destaque absoluto da pauta de exportações brasileira é a avicultura. As carnes de aves (frescas, refrigeradas ou congeladas) e suas miudezas representaram expressivos 27,3% de tudo o que foi exportado para o país caribenho, movimentando cerca de US$ 19,3 milhões. Logo atrás, os despojos comestíveis de carnes somaram 17,1% das vendas totais.
Para Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), esses índices reforçam o caráter acessível e estratégico da proteína. “Em um contexto de desafios econômicos e de abastecimento enfrentados pelo Haiti, o Brasil vem cumprindo um papel importante na segurança alimentar do país, garantindo fornecimento contínuo de proteína animal em volumes consistentes e compatíveis com a demanda”, explica Santin.
A visão é compartilhada por Petit, que exalta o agronegócio nacional como um pilar de sustentação: “O Brasil possui uma produção reconhecida internacionalmente pela qualidade, eficiência e capacidade de abastecimento”.
O crescimento contínuo das vendas do frango brasileiro
Mesmo diante da retração de 11,1% no comércio geral entre os países em 2025, o setor avícola remou contra a maré e demonstrou sua força. O volume de vendas de frango brasileiro enviado ao Haiti saltou de 14,7 mil toneladas em 2024 para 21,2 mil toneladas em 2025. O salto na receita acompanhou esse avanço produtivo, passando de US$ 10,1 milhões para US$ 17,6 milhões no mesmo período.
Essa consolidação, de acordo com a ABPA, não é obra do acaso. Ela é fruto direto da competitividade da produção nacional, da regularidade irretocável no fornecimento, da adequação a diferentes perfis de consumo e da inquestionável confiabilidade sanitária. Os dados comprovam que, mesmo diante das constantes instabilidades políticas e econômicas do Haiti, o fluxo da nossa proteína permanece firme, ajudando a sustentar o país muito além do apito final do juiz na Copa do Mundo.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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