Primeira cultivar brasileira de braquiária decumbens chega ao mercado e pode revolucionar a pecuária

Desenvolvida pela Embrapa e Unipasto, a primeira cultivar brasileira de braquiária decumbens, BRS Carinás, se destaca pela alta produção de forragem, adaptação a solos pobres e aumento de até 12% no ganho de peso por hectare

A pecuária brasileira acaba de ganhar uma importante inovação com o lançamento da BRS Carinás, a primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens, desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto). A novidade chega ao mercado com a promessa de elevar a produtividade das pastagens, especialmente no Cerrado, além de ampliar as possibilidades em sistemas integrados de produção.

A nova cultivar surge como alternativa à tradicional Basilisk — conhecida como “braquiarinha” — que, até então, era a única opção disponível da espécie no Brasil e foi introduzida no país ainda na década de 1960.

Mais produtividade e adaptação a solos desafiadores

Entre os principais diferenciais da BRS Carinás está a sua capacidade de adaptação a solos ácidos e de baixa fertilidade, uma realidade comum em grande parte das áreas de pecuária no país. Além disso, a cultivar apresenta alta produção de forragem, podendo atingir até 16 toneladas de matéria seca por hectare, com elevada proporção de folhas — parte mais nutritiva da planta.

Outro ponto de destaque é a maior capacidade de suporte animal, permitindo elevar o número de bovinos por área e, consequentemente, o rendimento da atividade. Ensaios indicam um ganho de peso por hectare cerca de 12% superior em comparação com a braquiarinha, sob o mesmo manejo.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Sanzio Barrios, a nova cultivar representa uma alternativa estratégica para o produtor:

“É uma excelente opção para diversificar áreas hoje ocupadas pela Basilisk. A Carinás se adapta bem ao período seco e pode ser vedada no final das águas para uso na seca”, destaca.

BRS Carinás tem desempenho superior ao longo das estações

A BRS Carinás também apresenta ganhos consistentes ao longo do ano. Durante o período chuvoso, a cultivar pode produzir até 18% mais forragem que a Basilisk, com maior presença de lâminas foliares.

Já quando manejada para uso na seca, o desempenho é ainda mais expressivo:

  • 40% mais massa de forragem disponível,
  • sendo 53% composta por material vivo, o que melhora o valor nutricional da dieta animal.

Além disso, a planta apresenta porte mais ereto, ausência de acamamento e rápida rebrotação, acumulando até quatro toneladas de massa seca em apenas 60 dias no início das chuvas.

Forte aliada na Integração Lavoura-Pecuária

A cultivar também se destaca no uso em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), um dos modelos mais estratégicos para intensificação sustentável no Brasil.

Nos testes realizados, a BRS Carinás:

  • não competiu com culturas anuais, como o milho,
  • apresentou excelente estabelecimento em consórcio,
  • e gerou até 70% mais forragem na entressafra em comparação com espécies tradicionais como a Brachiaria ruziziensis.

Esse desempenho garante mais alimento para o gado no período seco, maior cobertura do solo e melhora no sistema produtivo como um todo.

Outro benefício importante está na ciclagem de nutrientes. Em consórcio com soja, a decomposição da palhada pode devolver ao solo nutrientes equivalentes a:

  • 100 kg de ureia
  • 40 kg de superfosfato simples
  • 80 kg de cloreto de potássio

O resultado é redução de custos com fertilizantes e aumento da eficiência do sistema.

Sustentabilidade e futuro da pecuária

A expectativa dos pesquisadores é que a BRS Carinás contribua diretamente para uma pecuária mais eficiente e sustentável, especialmente em áreas com limitações de solo.

“A cultivar reúne características que atendem à demanda por produção mais sustentável, elevando a produtividade animal e diversificando pastagens em solos fracos e ácidos”, reforça a equipe técnica.

Com potencial de expansão para outros biomas e até países da América Latina, a nova braquiária representa um avanço importante na intensificação da pecuária tropical.

Disponibilidade no mercado

As sementes da BRS Carinás estarão disponíveis por meio dos associados da Unipasto, com oferta já prevista para o início do segundo semestre. A expectativa é de rápida adoção por produtores que buscam maior produtividade, resiliência e eficiência nos sistemas de produção.

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