Enquanto taurinos convencionais sofrem sob o sol tropical, a raça Senepol se consolida como a ferramenta definitiva para o pecuarista que busca bezerros pesados, precocidade sexual e resistência extrema a campo
A busca pela eficiência produtiva na pecuária de corte brasileira encontrou um aliado de peso na genética vinda das Ilhas Virgens. O uso do Senepol no cruzamento industrial deixou de ser uma tendência para se tornar uma estratégia de sobrevivência e lucro.
O grande diferencial reside na capacidade única deste animal em unir a qualidade de carcaça dos taurinos com a rusticidade necessária para prosperar no Brasil Central. O resultado é um “choque de sangue” que entrega 100% de heterose, transformando pastagens degradadas em berçários de bezerros com alto valor agregado e desempenho zootécnico superior.
O Gene Slick: A ciência por trás da tolerância ao calor
Um dos pilares que sustenta o sucesso do Senepol no cruzamento industrial é o chamado Gene Slick. Identificado em estudos de universidades renomadas, como a University of Florida, este gene é responsável por conferir ao animal um pelo extremamente curto, liso e uma densidade maior de glândulas sudoríparas.
Na prática, isso significa que, enquanto outras raças europeias buscam a sombra para realizar a termorregulação, o Senepol permanece pastando ativamente sob temperaturas que ultrapassam os 35°C. De acordo com dados da ABCB Senepol, essa adaptabilidade permite que o touro mantenha sua libido e capacidade de monta a campo, dispensando, em muitos casos, a exclusividade do uso da IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) para garantir a padronização do plantel.
Por que o Senepol no cruzamento industrial garante 100% de heterose?
A heterose, ou vigor híbrido, é o fenômeno biológico onde a progênie apresenta desempenho superior à média dos pais. No Brasil, onde a base do rebanho é composta por matrizes Zebuínas (Nelore), o cruzamento com o Senepol atinge o ápice da eficiência.
Como são raças de origens filogenéticas muito distantes — o Senepol sendo um Bos taurus adaptado e o Nelore um Bos indicus — o choque genético é máximo. Pesquisas da Embrapa Gado de Corte indicam que esse cruzamento resulta em animais F1 com carcaças mais pesadas e maior deposição de gordura entremeada (marmoreio), característica altamente valorizada pelos frigoríficos que atendem o mercado “Premium” e o padrão China.
Resultados reais no ganho de peso
A profundidade técnica da raça é comprovada pelos números. Através do programa GenePlus da Embrapa, o acompanhamento das DEPs (Diferenças Esperadas na Progenie) revela que bezerros oriundos do Senepol no cruzamento industrial apresentam uma desmama com peso superior, muitas vezes superando em até 20 kg a média de outros cruzamentos taurinos em condições similares de pasto.
Além do peso, a precocidade sexual das fêmeas F1 é um divisor de águas para o ciclo pecuário. Elas entram em reprodução mais cedo, aumentando a taxa de desmame por hectare e otimizando o giro de capital da fazenda.
A máquina de cobrir a pasto
Diferente de raças que exigem manejo intensivo e suplementação para não “derreterem” no sol, o touro Senepol é reconhecido como um “trabalhador do trecho”. Sua capacidade de trabalhar a campo com eficiência garante que o pecuarista tenha uma alta taxa de prenhez mesmo em propriedades com menos infraestrutura tecnológica. É a democratização da genética de ponta: o produtor coloca o touro no pasto e colhe o lucro na balança.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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