O FBI descobriu que um dos cartéis mais violentos do mundo usava corridas com cavalos milionários para lavar dinheiro do narcotráfico internacional.
Pouca gente imagina que uma das investigações mais curiosas já conduzidas pelo FBI começou com cavalos Quarto de Milha milionários correndo em pistas tradicionais dos Estados Unidos.
O que parecia apenas o universo glamouroso das corridas acabou escondendo um esquema internacional de lavagem de dinheiro ligado ao cartel mexicano Los Zetas — uma das organizações criminosas mais violentas do mundo.
Entre 2012 e 2013, agentes federais americanos revelaram que milhões de dólares do narcotráfico estavam sendo “limpos” através da compra, criação e competição de cavalos de elite em estados como Texas, Oklahoma e Novo México.
A operação funcionava quase como um negócio legítimo.
Os integrantes do cartel compravam cavalos extremamente valorizados, investiam em genética, treinamento, reprodução e participação em provas milionárias. Assim, o dinheiro ilegal do tráfico passava a circular dentro de uma indústria tradicional e respeitada dos Estados Unidos.
Segundo o FBI, mais de US$ 22 milhões foram rastreados no esquema. Em alguns períodos, cerca de US$ 1 milhão por mês circulava nas operações envolvendo fazendas, leilões e corridas.
O detalhe mais impressionante é que os cavalos ligados ao cartel realmente se tornaram estrelas nas pistas americanas.
Um dos animais mais famosos do esquema foi Mr. Piloto, vencedor do All American Futurity de 2010 — uma das corridas mais importantes e milionárias do Quarto de Milha mundial.

Outro destaque foi Tempting Dash, cavalo que estabeleceu recordes e chegou a ser vendido por valores milionários, chamando atenção dentro do mercado equestre americano.
As vitórias ajudavam a dar aparência legal ao dinheiro do cartel. Oficialmente, os recursos agora vinham de premiações, valorização genética e vendas milionárias de cavalos.
O nome por trás da operação era José Treviño Morales.
Publicamente, ele parecia apenas um empresário apaixonado por cavalos e corridas. Mas havia um detalhe importante: José era irmão de Miguel Ángel Treviño Morales, conhecido como “Z-40”, um dos líderes máximos dos Los Zetas.
Enquanto os irmãos comandavam o cartel no México, José atuava nos Estados Unidos administrando fazendas e empresas ligadas ao universo equestre.
Segundo investigadores, ele utilizava empresas de fachada e laranjas para movimentar dinheiro do tráfico dentro da indústria de cavalos Quarto de Milha.
As suspeitas começaram quando investigadores perceberam que pessoas aparentemente comuns estavam gastando cifras absurdas em leilões de cavalos.
Um dos episódios que mais chamou atenção foi a compra de Tempting Dash por aproximadamente US$ 875 mil — um valor extremamente elevado para a época.
A partir dali, o FBI passou anos monitorando transações bancárias, leilões, fazendas e movimentações financeiras ligadas ao grupo.
Segundo relatos posteriores da investigação, os agentes perceberam que o mercado de corridas de cavalos movimentava grandes quantias em dinheiro e tinha pouca fiscalização comparado a outros setores financeiros tradicionais.
Em junho de 2012, agentes federais realizaram uma grande operação simultânea em propriedades ligadas ao esquema.

O governo americano apreendeu 455 cavalos Quarto de Milha, além de imóveis, documentos, dinheiro e até jatos particulares ligados aos investigados.
As autoridades estimaram que os bens confiscados poderiam ultrapassar US$ 70 milhões.
No ano seguinte, José Treviño Morales foi condenado a 20 anos de prisão federal por conspiração para lavagem de dinheiro.
A história voltou a ganhar repercussão internacional em 2024 com o lançamento da série documental “Cowboy Cartel”, da Apple TV+, que mostra como o FBI conseguiu ligar os cavalos milionários ao cartel mexicano.
O caso acabou entrando para a história como uma das investigações mais inusitadas já conduzidas pelas autoridades americanas.
Afinal, poucos imaginariam que, por trás de pistas de corrida, cavalos campeões e fazendas luxuosas, existia uma engrenagem milionária usada para movimentar dinheiro do narcotráfico internacional.
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