Posicionamento do Ministério da Agricultura amplia discussões sobre o abate de jumentos para exportação e levanta preocupações com a sustentabilidade da atividade.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reconheceu oficialmente que o Brasil não possui uma cadeia produtiva estruturada de jumentos destinada ao abate para exportação. A manifestação reforça o debate sobre a preservação da espécie e coloca em evidência questionamentos relacionados à sustentabilidade da atividade desenvolvida no país.
Segundo o entendimento do ministério, diferentemente de cadeias consolidadas como as de bovinos, suínos e aves, não existe um sistema organizado de criação, reprodução, recria e engorda de jumentos. Na prática, grande parte dos animais destinados ao abate é proveniente de recolhimentos em diferentes regiões, sem um modelo produtivo estruturado.
O posicionamento ocorre em meio às discussões sobre a exportação de peles para abastecer a produção de ejiao, produto utilizado pela medicina tradicional chinesa. Pesquisadores e entidades de proteção animal afirmam que a ausência de uma cadeia organizada dificulta a reposição dos rebanhos e aumenta os riscos de redução da população de jumentos no Brasil.
Outro ponto que preocupa especialistas é a rastreabilidade dos animais. De acordo com o próprio ministério, as Guias de Trânsito Animal (GTAs) nem sempre refletem a origem real dos jumentos transportados, uma vez que muitos passam por pontos de concentração antes de seguirem para os frigoríficos. Essa situação levanta preocupações relacionadas ao controle sanitário e ao bem-estar animal.
Levantamentos apresentados por pesquisadores também indicam uma redução expressiva da população de jumentos nas últimas décadas. Esse cenário fortalece o argumento de que a atividade possui características predominantemente extrativistas, sem capacidade de reposição suficiente para garantir sua sustentabilidade no longo prazo.
Para entidades ligadas à proteção animal, o reconhecimento do Mapa representa um marco importante no debate e pode influenciar futuras decisões sobre o abate de jumentos no país. Já representantes favoráveis à atividade defendem a regulamentação e o fortalecimento dos controles sanitários e de rastreabilidade como alternativas para atender às exigências do mercado internacional.
O tema deve continuar em discussão entre governo, pesquisadores, setor produtivo e organizações da sociedade civil, especialmente diante da crescente preocupação com a conservação da espécie, o bem-estar animal e a imagem do agronegócio brasileiro nos mercados internacionais.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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