Presidente negocia com líderes europeus para reverter sanção sanitária prevista para setembro e busca novo acordo comercial com o Japão para reduzir a dependência econômica dos Estados Unidos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com lideranças da União Europeia (UE) em Évian, na França, para tentar reverter o bloqueio à carne do Brasil. O encontro ocorreu às margens da Cúpula do G7 e teve como foco a sanção que entra em vigor no dia 3 de setembro, motivada por alegada falta de comprovação técnica sobre o uso de pesticidas na pecuária nacional.
A reunião bilateral contou com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Soluções técnicas contra o bloqueio à carne do Brasil
Para evitar o colapso nas exportações antes do prazo estipulado pela UE, o governo brasileiro e os líderes europeus definiram a criação de um mecanismo conjunto de avaliação. A ferramenta técnica servirá para identificar dificuldades logísticas e regulatórias tanto nos produtos de origem animal quanto na pauta siderúrgica.
Segundo nota oficial do Palácio do Planalto, as autoridades se comprometeram a buscar “soluções que contemplem as preocupações europeias”, abrangendo critérios fitossanitários e de proteção à indústria do aço. O governo reforçou que qualquer acordo deve respeitar os interesses exportadores nacionais consolidados no tratado Mercosul-União Europeia.
Diversificação de mercados e tarifas dos EUA
Enquanto negocia a manutenção do mercado europeu, a diplomacia brasileira foca em diversificar parceiros comerciais para reduzir a dependência dos Estados Unidos. O movimento ocorre em resposta às recentes propostas do governo norte-americano de aplicar novas tarifas sobre produtos do Brasil.
Na mesma terça-feira, o presidente Lula reuniu-se com a primeira-ministra do Japão, Takaichi Sanae. O objetivo do encontro foi destravar o acordo de livre comércio entre o Mercosul e o mercado japonês. A expectativa do Executivo é oficializar o início das tratativas no final de junho, durante a próxima cúpula do bloco sul-americano.
Apesar da urgência em tratar do novo “tarifaço” imposto por Washington, não houve agenda entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump. Os líderes compartilharam o palanque para a foto oficial do G7, mas não se cumprimentaram. Uma reunião bilateral sobre o tema é considerada improvável até o fim do evento na França.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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