Durante a Operação Eraha Tapiro, o Ibama retirou rebanho bovino da Terra Indígena Ituna/Itatá, no Pará; Órgão estima que cerca de 2.000 reses estavam mantidas ilegalmente no território; Confira abaixo!
Equipe do Ibama/PA iniciou a retirada de cerca de duas mil cabeças de gado da Terra Indígena Ituna/Itatá, no Pará. São animais em diversos estágios de desenvolvimento, entre vacas, bois, bezerros e novilhas – todos apreendidos em áreas com atividades embargadas e dentro de perímetro protegido e destinado à terra indígena. O objetivo da ação é recuperar o controle do território, impedindo invasões por parte de criminosos. Além do gado retirado, foi feita a emissão de autos de infração que totalizam o valor de R$ 15 milhões. O Ibama informa que todos os animais apreendidos serão destinados a programas sociais do Estado e os responsáveis serão punidos.
Dois minutos depois de apagarem o incêndio criminoso de uma ponte de toras, agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) temem ter chegado ao fim da linha. Mais uma ponte de madeira, essa com 10 metros de extensão, tinha sido destruída por motosserras, impedindo as caminhonetes da fiscalização de avançar.
Do outro lado, quilômetros depois da ponte arruinada, outro grupo de agentes do Ibama e policiais da Força Nacional guarda um rebanho ilegal de 500 bovinos. Foram os grileiros da Terra Indígena Ituna/Itatá, nos municípios de Senador José Porfírio e Altamira, no Pará, na Amazônia brasileira, que destruíram a ponte.
Destruir pontes é uma estratégia de ladrões de terras públicas para impedir a retirada de cerca de 5 mil bovinos de uma das terras de maior conflito da Amazônia brasileira. Desde 17 de agosto, quando começou a operação batizada de Eraha Tapiro, a maior já realizada pelo Ibama para tirar gado de uma terra indígena, os grileiros e seus peões têm confrontado as forças do Estado. É guerra.
Até o fim da tarde desta quinta-feira (14), aproximadamente 600 animais haviam sido transferidos. O mandado judicial que autoriza a Operação Eraha Tapiro determina prisão preventiva, busca e apreensão. Os invasores fugiram e são considerados foragidos da Justiça.
O Ibama conta com uma equipe com 12 servidores e recebeu o apoio de 13 agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), de cinco da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), de quatro da Força Nacional vinculada ao Ministério da Justiça, além de integrantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Polícia Federal (PF).
Durante a operação, a equipe do Ibama sofreu hostilidades por parte dos responsáveis pelo rebanho manejado ilegalmente dentro da área protegida. Além de acossar povos isolados, criminosos tentam frear o trabalho dos fiscais: destroem pontes, incendeiam matas e ameaçam moradores.
Os invasores reagiram danificando pontes, ateando fogo em pastos e ameaçando a população local.
A apreensão dos bovinos adultos serão transferidos para um frigorífico. Os demais, aguardarão o ciclo de engorda em pastos. A TI Ituna/Itatá conta com uma área aproximada de 142 mil hectares.
A operação Eraha Tapiro
Desde o ano passado, fiscais do Ibama planejavam uma operação para retirar todo o gado criado ilegalmente na Ituna/Itatá. Eraha Tapiro, na língua dos Asurini, um dos povos indígenas da região, significa “levar boi”. O Ibama sobrevoou a região ao longo de semanas para localizar 21 rebanhos de gado, espalhados por vários pontos da terra indígena.

Finalmente, foi a campo em 17 de agosto, com o auxílio de agentes da Funai, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Força Nacional, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará).
Segundo o Ibama, “os embargos e as notificações para retirada de gado vinham sendo descumpridos, e as invasões permaneciam, impedindo a regeneração da floresta com a criação do gado”.
“É a operação mais desafiadora de que já participei”, conta Chiara Laboissiere, analista ambiental do Ibama que atua em campo como uma espécie de secretária administrativa da Eraha Tapiro. Os alvos da ação estatal não são apenas um, mas vários criminosos ambientais que invadiram a terra indígena e criam gado ali. Os diversos rebanhos espalhados no território precisam ser reunidos em local estratégico, uma “fazenda” transformada em base operacional pelo Ibama.

Dali, aos poucos serão embarcados em caminhões e levados para ser abatidos num frigorífico da região de Altamira, a mais de 100 quilômetros de distância, por estradas precárias e sem pavimentação.
Como cada caminhão pode carregar entre 15 e 20 bovinos por viagem, a operação terá de ser repetida dezenas de vezes. O trabalho, que já seria suficientemente complexo, enfrenta a sabotagem sistemática dos donos do gado. Profundos conhecedores da região, integrantes das elites locais, eles têm a ousadia de quem circula com a desenvoltura da impunidade: nem mesmo o armamento pesado e ostensivamente exibido pelos policiais que auxiliam os agentes do Ibama os intimida.
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