FPA crítica governo na Agrishow: Crédito rural trava, juros passam de 20% e seguro encolhe

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária aponta falta de previsibilidade, corte no seguro rural e dependência crescente do crédito rural privado como entraves para o produtor

A política agrícola brasileira voltou ao centro do debate durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), um dos maiores eventos do agronegócio da América Latina. Em meio a um cenário de incertezas econômicas e desafios no campo, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), fez duras críticas à condução das políticas de crédito e seguro rural do governo federal. A informação foi divulgada pelo Estadão Conteúdo.

Durante participação em evento oficial, o parlamentar destacou que o setor enfrenta um “momento difícil”, influenciado tanto por fatores externos — como conflitos geopolíticos — quanto por questões internas, incluindo insegurança jurídica, falta de previsibilidade e restrições no acesso ao financiamento.

Crédito rural mais caro e escasso preocupa o setor

Um dos principais pontos levantados por Lupion foi a redução da participação do crédito subsidiado. Segundo ele, menos de 20% do financiamento da última safra teve origem em recursos com subvenção do governo, enquanto cerca de 80% veio do crédito privado.

Esse movimento, embora mostre a evolução de instrumentos financeiros no agro, também acende um alerta. Isso porque, de acordo com o deputado, os juros reais para o produtor rural já ultrapassam os 20% ao ano, comprometendo tanto o custeio da produção quanto os investimentos nas propriedades.

Além disso, ele apontou que houve aumento do endividamento no campo e maior rigor por parte das instituições financeiras, que passaram a exigir mais garantias, como a alienação fiduciária. Esse cenário, segundo o parlamentar, eleva o custo do crédito e reduz a capacidade de planejamento do produtor rural.

Seguro rural em queda e impacto direto na produção

Outro ponto crítico destacado foi a política de seguro rural. Lupion afirmou que houve ausência de subvenção federal ao seguro nas safras 2024/2025 e 2025/2026, o que representa um duro golpe na proteção da produção agrícola, especialmente em um cenário de eventos climáticos cada vez mais extremos.

Além disso, o deputado criticou o corte de cerca de 60% no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), voltado principalmente aos pequenos produtores e à agricultura familiar.

Segundo ele, a redução desses mecanismos compromete diretamente a segurança do produtor, que fica mais exposto a perdas e oscilações de mercado.

Ambiente de incerteza trava o crescimento

Na avaliação da FPA, a soma desses fatores cria um ambiente de maior risco no campo. A combinação de crédito mais caro, menor suporte governamental e instabilidade regulatória dificulta decisões estratégicas e pode impactar a produção nas próximas safras.

O parlamentar também mencionou que o uso de recursos destinados ao seguro rural deve passar por investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), o que adiciona mais um elemento de tensão ao cenário.

Agro segue resiliente, mas cobra previsibilidade

Apesar das críticas, o agronegócio brasileiro segue como um dos pilares da economia nacional. No entanto, lideranças do setor reforçam que, para manter competitividade e crescimento, será fundamental garantir maior previsibilidade, acesso a crédito mais equilibrado e políticas públicas eficientes, especialmente em um ambiente global cada vez mais desafiador.

O debate levantado na Agrishow reforça um ponto central: sem segurança financeira e instrumentos de proteção adequados, o produtor rural fica mais vulnerável — e isso pode refletir diretamente no abastecimento, nos preços e na sustentabilidade da produção no Brasil.

Tags: crédito rural, seguro rural, FPA, Pedro Lupion, agrishow 2026, juros no agro, financiamento agrícola, proagro, política agrícola, agronegócio brasileiro

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