Batizado de “Rabo de Jaraqui”, o equipamento artesanal de baixo custo foi validado pela Embrapa Amazônia Ocidental e promove sustentabilidade e segurança no manejo da bananicultura familiar
A união entre a criatividade do homem do campo e a validação científica gerou uma solução inovadora, sustentável e de baixo custo para a bananicultura brasileira. Desenvolvida originalmente no interior do Amazonas, uma nova ferramenta para desfolha de bananeira promete transformar o manejo dos pomares familiares. Apelidado carinhosamente de “Rabo de Jaraqui”, por sua semelhança com a cauda de um peixe popular da região, o equipamento nasceu do reaproveitamento de materiais recicláveis e ganhou o respaldo técnico da Embrapa Amazônia Ocidental, que agora ensina produtores de todo o país a replicarem o projeto.
A inovação foi idealizada pelo agricultor Raimundo Miguel Barbosa de Lima, conhecido em Itacoatiara (AM) como “Barbosa Batiferro”. Ao notar que as ferramentas tradicionais do mercado eram caras ou ineficientes para o alcance de plantas mais altas, ele desenhou e soldou o primeiro protótipo. O potencial prático da peça chamou a atenção do pesquisador Luadir Gasparotto, que sistematizou o conhecimento técnico no Comunicado Técnico 181 da Embrapa, garantindo os créditos científicos à invenção popular.
Por que utilizar uma ferramenta para desfolha de bananeira no manejo diário?
Na bananicultura profissional, a desfolha não é apenas uma questão de estética, mas um gargalo crucial para a produtividade. De acordo com dados da Embrapa, uma única bananeira é capaz de produzir entre 40 e 50 folhas ao longo de seu ciclo vital. A manutenção de folhas velhas ou doentes prejudica diretamente a saúde do pomar.
“A eliminação das folhas velhas ou doentes facilita a entrada de luz solar, melhora a circulação de ar e reduz a umidade no pomar”, explica o pesquisador Luadir Gasparotto.
Esses fatores são pilares indispensáveis para o controle fitossanitário, uma vez que a circulação de ar e a incidência solar diminuem drasticamente a proliferação de pragas agressivas, como o moleque-da-bananeira, além de combater o avanço de severas doenças fúngicas.
Guia prático: materiais para montar a sua ferramenta para desfolha de bananeira

Embora o mercado ofereça foices, podões e facões acoplados a cabos extensores, o grande trunfo do “Rabo de Jaraqui” é a possibilidade de confecção própria dentro da propriedade rural, reduzindo custos operacionais a quase zero.
Para construir sua própria ferramenta para desfolha de bananeira, o produtor pode reutilizar sucatas metálicas com espessura entre 2 e 3 mm. Os materiais mais recomendados são:
- Retalhos de lâminas de ferro de serralheria;
- Lâminas gastas de roçadeiras costais;
- Pedaços de facões antigos (terçados);
- Restos de enxadas, enxadões, foices, pás ou bocas de lobo;
- Discos de grade e arado com marcas de desgaste.
De acordo com as orientações descritas no projeto da Embrapa, basta utilizar o desenho técnico oficial como molde para cortar e soldar o metal, criando uma peça sob medida que se encaixa facilmente na extremidade de um cabo leve de madeira ou alumínio.
Ergonomia, higiene e os impactos positivos no solo

O criador da ferramenta, Barbosa Batiferro, destaca que a eficiência do equipamento baseia-se em dois pilares: o corte perfeito e a segurança do operador. A lâmina curvada foi projetada especificamente para limpar as folhas sem ferir o caule sensível da planta. O corte do pseudopecíolo deve ser realizado sempre de baixo para cima, pois o movimento inverso causa a dilaceração dos tecidos do pseudocaule, fragilizando a bananeira. Além disso, a ferramenta serve para retirar o “coração” (ou mangará) do cacho em variedades mais altas.
Barbosa também alerta para a necessidade do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como luvas e óculos de proteção, evitando acidentes com resíduos ou insetos que caem durante o corte.
Higiene Agrícola contra Doenças
Para quem cultiva múltiplas variedades (como Banana-da-terra, Fia 18, Pratão e Nanico), o inventor ensina um segredo vital de manejo: a esterilização a cada mudança de lote. O processo consiste em mergulhar e chacoalhar a ferramenta em um balde contendo uma solução de água com água sanitária antes de iniciar o trabalho em uma nova área, impedindo a transmissão cruzada de patógenos.
Por fim, os ganhos econômicos e ecológicos se estendem ao solo. As folhas eliminadas e depositadas nas entrelinhas passam por um processo natural de decomposição. Isso incorpora matéria orgânica de alta qualidade à terra, otimizando sua estrutura física, estimulando a biodiversidade local e servindo como uma excelente fonte de nutrientes para as próximas safras.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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