Escola agrícola em Orizona recebe máquinas e cisterna para formar nova geração do agro

Projeto da escola agrícola em Orizona une mecanização adaptada, captação de água da chuva e ensino técnico para fortalecer a permanência da juventude rural na agricultura familiar

A busca por alternativas que mantenham os jovens no campo com mais oportunidades, tecnologia e qualidade de vida ganhou um novo capítulo em Goiás. A Escola Família Agrícola (EFA) Ori, localizada no município de Orizona, recebeu uma série de investimentos voltados à formação técnica de estudantes rurais, incluindo máquinas agrícolas adaptadas, estrutura para armazenamento de água e capacitação prática ligada à agricultura familiar. A iniciativa faz parte da implantação de uma Unidade de Referência Tecnológica (URT), conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

O projeto busca aproximar os estudantes das tecnologias utilizadas no meio rural, permitindo que os próprios jovens participem da montagem dos equipamentos, compreendam o funcionamento das máquinas e aprendam, na prática, como a mecanização pode melhorar a produtividade no campo. Durante a ação, foram entregues três motocultivadores destinados às atividades pedagógicas e produtivas da unidade.

Além da mecanização, a ação também teve foco em sustentabilidade e segurança hídrica. Estudantes, técnicos do MDA e profissionais da Universidade Federal de Goiás (UFG) iniciaram de forma coletiva a construção de uma cisterna com capacidade para 30 mil litros de água, voltada à captação de água da chuva. A estrutura deve ajudar no abastecimento das atividades agrícolas e reforçar práticas sustentáveis no meio rural.

A iniciativa é desenvolvida em parceria com a UFG e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Segundo o governo federal, o objetivo é ampliar o acesso de pequenos produtores e jovens rurais a tecnologias adaptadas à realidade da agricultura familiar, promovendo desenvolvimento produtivo aliado à inclusão social.

Outro ponto importante do projeto é a estrutura que ainda será entregue à escola nos próximos dias. A unidade deve receber um microtrator, 10 kits de irrigação e uma casa de farinha móvel, ampliando a capacidade de ensino técnico e permitindo experiências práticas ligadas ao cotidiano das propriedades familiares.

A proposta vai além da simples entrega de equipamentos. O foco está na construção de um ambiente de aprendizado capaz de mostrar aos jovens que é possível permanecer no campo com dignidade, geração de renda e acesso à inovação.

Foto: Ana Pupe, SFDT/MFA

Segundo Ana Pupe, coordenadora-geral de Infraestrutura e Superação da Pobreza Rural do MDA, o projeto busca aproximar as novas gerações de uma agricultura mais moderna e eficiente. “A ideia é mostrar que a agricultura familiar pode ser moderna, inovadora e cheia de oportunidades para as novas gerações”, destacou.

Ela ainda reforçou que muitos jovens desejam continuar vivendo no meio rural, mas precisam enxergar perspectivas reais de crescimento. “Os jovens querem permanecer no campo com dignidade, perspectiva de futuro e capacidade de transformar suas próprias comunidades”, afirmou.

Os próprios estudantes participaram ativamente das atividades e relataram entusiasmo com a experiência prática. Maria Vitória, de 16 anos, contou que o mutirão envolveu desde palestras até a montagem dos motocultivadores e o trabalho na construção da caixa de captação de água. Já o estudante Luís Henrique, de 15 anos, destacou que o equipamento poderá reduzir significativamente o esforço físico da capina manual.

Foto: Ana Pupe, SFDT/MFA

Outro aluno da escola agrícola em Orizona, Gustavo, também de 15 anos, afirmou que nunca havia visto a construção de uma cisterna daquele tipo e ressaltou a importância do aprendizado prático para entender como funcionam as tecnologias utilizadas no campo.

De acordo com o professor Adriano Rodrigues de Oliveira, da UFG, a iniciativa ajuda a mudar a forma como as famílias rurais enxergam a tecnologia. Segundo ele, muitos agricultores enfrentam dificuldades históricas para acessar inovação e equipamentos adequados. Para o pesquisador, a parceria fortalece a transição agroecológica, amplia a autonomia das famílias agricultoras e cria condições para que os jovens permaneçam no campo com mais oportunidades.

O secretário de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental do MDA, Moisés Savian, também destacou a importância da integração entre governo, universidades e comunidade rural para o avanço das políticas públicas voltadas à agricultura familiar. Segundo ele, além de aumentar a produtividade, os equipamentos ajudam a reduzir a penosidade do trabalho no campo e contribuem para melhorar a qualidade de vida das famílias rurais.

A implantação da Unidade de Referência Tecnológica em Orizona surge em um momento em que o agronegócio brasileiro discute cada vez mais sucessão familiar, permanência da juventude rural e acesso à tecnologia no campo. Em muitas regiões do país, a falta de oportunidades e infraestrutura ainda é um dos principais fatores que impulsionam o êxodo rural entre jovens.

Com iniciativas que unem mecanização adaptada, gestão da água, irrigação e capacitação técnica, projetos como o da EFA Ori tentam mostrar que o futuro da agricultura familiar também passa pela inovação, sustentabilidade e formação de novas lideranças rurais.

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