Diesel dispara 21% no ano e governo mira mais etanol e biodiesel para aliviar pressão no agro

Com diesel S-10 acima de R$ 7,50 na média nacional e alta acumulada superior a 21%, avanço dos biocombustíveis ganha força como aposta para reduzir dependência externa e segurar custos no campo.

O custo do combustível voltou a acender o alerta no agronegócio brasileiro. Segundo dados do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, elaborado com apoio técnico da Fipe e publicado pelo Canal Rural, o diesel usado no transporte e nas operações do campo acumula alta de mais de 21% em 2026, pressionando produtores, transportadores e toda a cadeia logística do agro.

A escalada ocorre em um momento sensível para o setor produtivo, já impactado por custos elevados de frete, insumos e escoamento da safra. Em abril, o diesel comum subiu 6,2% frente a março, enquanto o diesel S-10 avançou 5,3%, mantendo a liderança entre as maiores altas do mês.

Na média nacional, o diesel S-10 chegou a R$ 7,504 por litro, enquanto o diesel comum ficou em R$ 7,428. No acumulado do ano até abril, o diesel S-10 subiu 21,4% e o diesel comum avançou 21,3%, bem acima da gasolina comum, que teve alta de 8,9%, e do etanol hidratado, com avanço de 6,5%.

Para o agro, essa alta pesa diretamente no bolso. O diesel é essencial no plantio, colheita, transporte de grãos, movimentação de máquinas, frete de animais, distribuição de insumos e escoamento da produção até portos, armazéns e indústrias. Quando o combustível sobe, o impacto se espalha por toda a cadeia.

Em alguns estados, a pressão é ainda maior. O levantamento aponta que o diesel S-10 chegou a R$ 8,645 no Acre, R$ 8,119 na Bahia, R$ 7,880 em Roraima, R$ 7,780 no Piauí e R$ 7,771 no Pará.

Diante desse cenário, o governo federal sinalizou uma nova aposta nos biocombustíveis. Segundo publicação do Notícias Agrícolas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o governo pretende elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32% e de biodiesel no diesel de 15% para 16%.

A medida foi recebida positivamente por representantes do setor de biocombustíveis. A avaliação é que o aumento do biodiesel pode ajudar o Brasil a reduzir a dependência de importações de diesel, fortalecer a produção nacional e agregar valor à cadeia do agronegócio, que fornece parte importante da matéria-prima usada na produção de biocombustíveis.

Na prática, o movimento coloca o agro no centro de duas discussões estratégicas: o custo do transporte e a transição energética. De um lado, produtores sentem o impacto imediato da alta do diesel. De outro, culturas ligadas à produção de biocombustíveis ganham relevância em uma agenda que busca ampliar o uso de fontes renováveis.

Apesar disso, o efeito sobre o bolso do produtor não deve ser imediato. O próprio levantamento dos combustíveis mostra que, embora tenha havido alguma acomodação nos preços ao longo de abril, os repasses anteriores ainda sustentaram médias elevadas no mês.

O ponto central é que o diesel continua sendo um dos maiores gargalos de custo do agro brasileiro. Enquanto o combustível sobe mais de 21% no ano, qualquer medida capaz de reduzir dependência externa, ampliar oferta nacional e conter novas pressões passa a ser acompanhada de perto por produtores, transportadores e indústrias.

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