Três plantas brasileiras voltaram a ser autorizadas a exportar carne bovina para a China, ampliando a capacidade de embarques do Brasil em meio às negociações comerciais e sanitárias entre os dois países
A China decidiu retirar a suspensão de três frigoríficos brasileiros habilitados para exportação de carne bovina ao mercado chinês, em um movimento considerado estratégico para o setor pecuário brasileiro. A decisão foi anunciada após reunião realizada em Pequim entre o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e a ministra da Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC), Sun Meijun. As unidades estavam suspensas desde março de 2025, segundo informações divulgadas pelo Estadão Conteúdo.
Conforme o Mapa, voltaram a ser autorizadas a exportar para a China as plantas da Frisa Frigorífico Rio Doce, localizada em Nanuque (MG), da Bon-Mart Frigorífico, em Presidente Prudente (SP), e da unidade da JBS em Mozarlândia (GO).
A reabilitação já aparece oficialmente registrada na plataforma da GACC, órgão sanitário chinês responsável pelo controle das importações de alimentos. Com isso, o Brasil passa novamente a contar com 66 frigoríficos habilitados a fornecer carne bovina para o principal destino das exportações brasileiras do setor.
O anúncio ocorre em um momento decisivo para o mercado da carne bovina, principalmente diante das discussões envolvendo as medidas de salvaguarda da China e a corrida internacional pelas cotas de importação. A retomada das plantas brasileiras reforça o posicionamento do Brasil como principal fornecedor de proteína bovina para o mercado asiático e amplia a capacidade operacional do país em atender a demanda chinesa.
Ainda segundo o Estadão Conteúdo, a reabilitação das unidades acontece dentro do contexto das negociações sanitárias e comerciais entre Brasil e China. A liberação é considerada operacionalmente importante porque aumenta a capacidade de embarques dentro dos rígidos protocolos exigidos pelo importador chinês.
Outro ponto relevante anunciado durante o encontro em Pequim foi o início da certificação eletrônica para produtos cárneos exportados à China, previsto para começar no próximo mês. A medida deve modernizar e agilizar processos documentais nas exportações brasileiras, embora o governo ainda não tenha detalhado como será a implementação prática do novo sistema para os frigoríficos habilitados.
Na prática, a volta dessas plantas ao mercado chinês pode ajudar a recompor parte da estrutura exportadora brasileira justamente em um momento de expectativa positiva para o setor. O mercado acompanha de perto possíveis flexibilizações das barreiras comerciais chinesas e rumores sobre ampliação do espaço destinado à carne brasileira dentro das cotas de importação.
Apesar do otimismo, especialistas avaliam que os impactos sobre preços da arroba, volumes exportados e ritmo de embarques ainda dependerão de fatores como demanda chinesa, escalas de abate e comportamento do mercado nas próximas semanas.
Embora a reabilitação represente um avanço importante na agenda sanitária e comercial entre os dois países, ainda não há estimativas oficiais sobre o impacto financeiro ou aumento efetivo no volume exportado. Os próximos desdobramentos dependerão da operação prática das plantas e da implementação da certificação eletrônica anunciada pela China.
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