Levantamento do IBGE revela que a inflação de alimentos é impulsionada por quebras de safra e custos logísticos; a cenoura lidera o ranking com alta próxima de 80% no primeiro quadrimestre
O custo da alimentação no Brasil atingiu um novo patamar de pressão inflacionária neste primeiro quadrimestre de 2026. Segundo dados oficiais do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (12/05), o grupo de hortifrúti consolidou-se como o principal “vilão” do orçamento doméstico. Itens essenciais como cenoura, tomate e pepino lideram uma alta que reflete não apenas a sazonalidade, mas uma crise estrutural de oferta e custos produtivos.
O relatório aponta que o subgrupo “Tubérculos, raízes e legumes” saltou 36,39% apenas entre janeiro e abril de 2026. O cenário é descrito por analistas do setor como uma “tempestade perfeita”, onde fatores climáticos extremos e a alta dos insumos convergem para encarecer a cesta básica de forma histórica.
O “efeito campo”: Por que cenoura, tomate e pepino dispararam?
A escalada de preços da cenoura, tomate e pepino é o resultado direto de quebras de safra sucessivas. O agronegócio brasileiro enfrentou, nos primeiros meses deste ano, um padrão climático errático: o excesso de umidade no Sudeste, que favorece a proliferação de fungos e dificulta a colheita, contrastou com ondas de calor intenso e seca no Sul, reduzindo drasticamente a produtividade por hectare.
De acordo com o levantamento, a cenoura registrou uma alta astronômica de 79,35%, o maior índice do período. Esse aumento é reflexo direto da redução da área plantada e da baixa qualidade do produto que chega ao mercado, forçando o repasse imediato ao consumidor final. O tomate (54,34%) e o pepino (48,60%) seguem a mesma tendência, pressionados pela alta sensibilidade dessas culturas às oscilações de temperatura.
Logística e insumos: A pressão além da porteira
Não é apenas o clima que encarece a cenoura, tomate e pepino. O especialista em economia agrícola destaca que o custo operacional do transporte de perecíveis subiu 18% em 2026, impulsionado pelo preço do diesel e pela manutenção de frotas.
Além disso, o setor de hortifrúti é extremamente dependente de fertilizantes e defensivos. Com a instabilidade no mercado internacional de insumos, o produtor rural viu sua margem de lucro encolher, sendo obrigado a reajustar o valor de venda para manter a viabilidade do cultivo.
Ranking da Carestia: Os alimentos que mais subiram em 2026
Abaixo, detalhamos os dados do IBGE que mostram a variação acumulada dos principais itens da dieta brasileira até maio de 2026: Alimento Variação Acumulada (%) Cenoura 79,35% Tomate 54,34% Pepino 48,60% Abobrinha 36,10% Feijão-carioca 32,56% Cebola 27,47% Batata-inglesa 21,53% Leite Longa Vida 21,39%
Perspectivas: Há espaço para queda nos preços?
Para o segundo semestre de 2026, a tendência para cenoura, tomate e pepino ainda é de cautela. Embora a entrada da safra de inverno possa arrefecer os preços de alguns legumes, a persistência de custos logísticos elevados impede um retorno aos patamares de 2025.
O consumidor deve continuar sentindo o peso nas compras semanais. A recomendação de especialistas em economia doméstica é a substituição por itens de época ou a compra direta em feiras livres de produtores locais, onde a cadeia logística reduzida pode oferecer alívio momentâneo ao bolso.
VEJA MAIS:
- A armadilha do livre comércio? Os perigos invisíveis para o agro no acordo Mercosul-UE
- Por que o Rio Grande do Sul é o maior importador de pelo de porco do Brasil?
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.