Cannabis pode abrir mercado bilionário para o agro brasileiro e, Nordeste desponta como potência produtiva

Com mercado global em rápida expansão, especialista aponta que Brasil reúne condições para liderar produção de cannabis, mas segue travado por falta de regulação

O mercado global de cannabis já deixou de ser tendência para se tornar uma realidade econômica consolidada — e o Brasil ainda está à margem desse movimento. Segundo estimativas internacionais, a indústria legal de cannabis deve ultrapassar US$ 60 bilhões até 2028, impulsionada principalmente pelos setores medicinal, farmacêutico e de bem-estar. Países como Canadá, Estados Unidos, Colômbia e Uruguai já estruturaram cadeias produtivas completas, incluindo cultivo em larga escala, exportação e desenvolvimento tecnológico.

No Brasil, no entanto, o potencial segue travado por ausência de regulamentação. Para o advogado criminalista e antiproibicionista, Italo Coelho, que atuou em um dos primeiros habeas corpus do país para cultivo medicinal, o cenário representa uma oportunidade econômica direta — especialmente para o agronegócio.

O Brasil já é uma potência agrícola. A gente tem clima, solo, conhecimento técnico e capacidade produtiva. O que falta é transformar isso em política pública para acessar esse mercado global”, afirma.

A atuação de Coelho começou no campo jurídico, em 2017, ao participar de um dos primeiros habeas corpus do país que autorizou o cultivo de cannabis para um paciente com tetraplegia.

Hoje, a leitura é mais ampla: a cannabis deixou de ser apenas uma pauta de saúde e passou a ser uma discussão estratégica para o desenvolvimento econômico.

O mundo já entendeu que isso é uma cadeia produtiva. O Brasil ainda está discutindo se vai participar ou não.” O avanço da regulamentação em outros países abriu espaço para exportações, especialmente de derivados medicinais e matéria-prima agrícola.

Na América Latina, países como a Colômbia vêm se posicionando como hubs de produção, aproveitando condições climáticas semelhantes às do Brasil.

Com isso, especialistas apontam que o país poderia competir diretamente no mercado internacional, tanto na produção quanto no fornecimento de insumos.

Um dos diferenciais do modelo defendido por Coelho é a inclusão da agricultura familiar na cadeia produtiva. A regulamentação permitiria a entrada de pequenos e médios produtores, ampliando a geração de renda no campo e diversificando culturas.

Não precisa ser um mercado concentrado. Pode ser distribuído, com impacto direto nas economias locais.

Nordeste como polo estratégico

Entre as regiões com maior potencial, o Nordeste aparece como destaque.

Clima favorável, grande extensão territorial e necessidade de desenvolvimento regional tornam a região um candidato natural a polo produtivo.

A gente já tem vocação agrícola. A cannabis pode ser mais uma cultura estratégica, com alto valor agregado.

Advogado criminalista e antiproibicionista, Italo Coelho

Apesar da falta de regulamentação ampla, o consumo medicinal e a demanda por produtos à base de cannabis já são realidade no Brasil. Atualmente, o acesso ocorre principalmente por importação ou via decisões judiciais, o que encarece o produto e limita o alcance.

Para Coelho, o Brasil ainda está em tempo de se posicionar — mas o cenário exige decisão rápida.

O mundo já está produzindo, exportando e inovando. Se o Brasil demorar, entra atrasado e perde competitividade.

O que está em jogo para o agro

A regulamentação da cannabis pode impactar diretamente:

  • diversificação de culturas agrícolas
  • aumento de renda no campo
  • inserção no mercado internacional
  • desenvolvimento de novas cadeias produtivas
  • geração de empregos

O agro brasileiro sempre foi protagonista. A questão agora é se vai incorporar essa nova fronteira [cannabis] ou assistir outros países avançarem.

Cannabis pode abrir mercado bilionário para o agro brasileiro e, Nordeste desponta como potência produtiva
Advogado criminalista e antiproibicionista, Italo Coelho

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